A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
26 pág.
TUMORESEABCESSOSCEREBRAIS-200415-102808-1588873288

Pré-visualização | Página 3 de 6

é feita por via
cirúrgica, quando o tumor está
localizado em uma região no
bre, impossibilitando sua ressecção,
sendo guiada por exame de imagem
(TC ou RM). Essa técnica pode alcan
çar lesões em praticamente
qualquer área do cérebro, porém
sua desvan tagem é que pode não
colher amostra tecidual adequada
para diagnóstico, e pode ocorrer
hemorragia.
A ressecção é feita quando o tumor
pode ser retirado, fazendo a análise
histológica nos dias subsequentes
do material ressecado, ou seja, é
um mé
todo terapêutico que retira o tumor
e depois se faz a análise do tipo de
tu mor que foi ressecado,
identificando
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 16
se o mesmo é maligno, o que
direcio na as próximas condutas a
serem to madas (radio e/ou
quimioterapia).
Esses dois métodos são realizados
em tumores de alto grau. Tumores
de baixo grau nem sempre
precisam de biópsia ou tratamento
cirúrgico, po
dendo fazer seguimento clínico.
Além disso, metástases oferecem a
possi bilidade de biópsia no sítio
primário, nos quais esse
procedimento tem menores
chances de provocar com plicações
do que biópsias cerebrais, que
podem gerar danos neurológicos.
Alguns diagnósticos diferenciais de
vem ser pensados quando os pacien
tes apresentam sintomas de
elevação da PIC ou início recente
dos sintomas neurológicos centrais,
como hemipa resia ou convulsões,
vistos que são sintomas não
específicos de tumo res. Os exames
de imagem reduzem o diagnóstico
diferencial. Tumores
extra-axiais, como
meningioma ou neuroma
acústico podem ser
confundidos com uma
metástase dural. Tu
mores intra-axiais de
baixo grau no lobo
temporal, que não
apresentam reforço
na RM, podem ser
confundidos com
infecções como encefalite herpética.
Já os tumores de baixo grau com re
forço na RM podem ser confundidos
com abscesso cerebral ou uma pla
ca focal de desmielinização. Os abs
cessos podem ser diferenciados por
apresentarem um reforço mais fino
de parede do que um tumor malig
no e uma difusão mais restrita. Além
disso, tumores cerebrais podem ser
confundidos com um acidente vascu
lar cerebral, condições inflamatórias,
como esclerose múltipla, malforma
ções vasculares ou anormalidades
congênitas.
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 17
MAPA MENTAL –
Tumores cerebrais específic
Glioblastoma multiforme
(GBM)
O glioblastoma multiforme consiste
em um tumor astrocítico maligno,
que
tipo de tumor cerebral mais
agressivo devido ao seu
crescimento acelerado. É mais
comum em adultos, sendo a idade
média de diagnóstico por volta dos
64 anos.
envolve as células da glia, sendo o
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 18
Na RM com gadolíneo, aparece com
hiposinal em T1 com realce heterogê
neo, muitas vezes aparecendo realce
anelar com áreas centrais de
necrose – este exame é suficiente
na maioria das vezes para a retirada
cirúrgica.
HORA DA REVISÃO! Células da glia
são responsáveis por cercar os neurô
nios e os manter em sua localização,
além de fornecer nutrientes e oxigênio
para eles, isolá-los uns dos outros, des
truir patógenos e remover os neurônios
mortos. Com isso, essas células partici
pam da formação da mielina e da trans
missão das sinapses e mantêm a home
ostase dos neurônios.
Meningiomas
São tumores extra-axiais primários,
sendo o tipo de tumor benigno mais
frequente, cujo crescimento é lento,
porém há variantes malignas. O prin
cipal fator de risco para
meningiomas é a exposição à
radiação ionizante e são mais
comuns em mulheres. Ocor rem com
frequência aumentada em
pacientes portadores da neurofibro
matose tipo 2.
A imagem na RM costuma ser ex
tra-axial (transição entre o crânio e
o parênquima), dural, com realce ho
mogêneo – importante pontuar que
o fato de realçar com contraste não
significa necessariamente que é um
tumor maligno.
Essa doença deve ter seguimen to
radiológico por 3 a 6 meses em
pacientes assintomáticas, que pos
suem um tumor pequeno, sem ede
ma e sem invasão. A ressecção ci
rúrgica é feita quando há suspeita
de
outro tipo de tumor, necessitando
da análise histológica, e em
pacientes sintomáticos, que
possuem tumores grandes,
infiltrantes, associados ede
ma significante.
Adenomas hiposifários
Podem ser classificados segundo
seu tamanho em micro ou
macroadeno mas, segundo a
presença ou ausên cia de função
endócrina e pelas sín dromes
neurológicas e endócrinas geradas
pela compressão do tumor.
Adenomas hipofisários podem
causar problemas de diferentes
maneiras:
• Compressão de estruturas vizi
nhas, causando cefaleia e altera
ção visual. A visão é afetada por
que logo a cima da hipófise passa
o quiasma óptico, assim, tumores
muito grandes podem comprimir
estes nervos, levando a
alterações que vão desde
redução do campo da visão
(hemianopsia bilateral) até
cegueira.
• Comprometimento de outras cé
lulas na pituitária. Neste caso, o
tumor atrapalha o funcionamen to
da porção saudável, compli cando
com deficiência de um ou mais
hormônios, chamado de pan
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 19
hipopituitarismo. Esta situação
gera diversas manifestações, tais
como:
◊ Anemia: deficiência de andró
genos e de TSH.
◊ Hipoglicemia: deficiência de
ACTH e GH.
◊ Dislipidemia com aumento de
LDL e triglicérides: deficiência
de TSH e GH.
◊ Baixa massa óssea: deficiên
cia gonadotrófica e de GH.
• Secreção de hormônio em ex
cesso. As manifestações clínicas
dependem do hormônio envolvi
do. As patologias hipersecretoras
mais comuns são os prolactino
mas (mais prevalente e produtor
de prolactina), doença de
Cushing (ACTH) e Acromegalia
(Hormônio do crescimento/GH).
Linfoma do SNC
É um tipo de tumor incomum, muito
associado a imunodeficiência, como
na AIDS.
Nos exames de imagem aparecem
na região periventricular, com realce
homogêneo, restrito à difusão e
asso ciado a edema.
O líquor pode fornecer o
diagnóstico, através de
imunofenotipagem, que também
pode ser feito por biópsia
estereotáxica.
Quando há suspeita desse tipo de
câncer, deve-se evitar o uso de corti
coide, pois modifica muito a
histologia do linfoma, o que afeta
seu diagnósti co histopatológico.
Outra peculiaridade desse tipo de tu
mor é que o tratamento é preferen
cialmente quimioterápico,
associando muitas vezes com
metotrexato.
Terapêutica
O tratamento dos tumores cerebrais
depende do tipo de tumor (patolo
gia), das características clínicas e
dos resultados dos exames de
imagem. Com isso, pode ser feita
uma ressec ção neurocirúrgica, radio
e/ou quimio terapia, que são
tratamentos defini tivos, e corticoide
(dexametasona), anticonvulsivantes
e anticoagulante para profilaxia da
trombose venosa profunda, que são
sintomáticos.
Glicocorticóides em altas doses redu
zem efetivamente o edema cerebral
e podem melhorar dores de cabeça
e déficits neurológicos causados por
edema peritumoral. Em pacientes
com sintomas graves ou hérnia ame
açada, a dose inicial usual de dexa
metasona é de 10 mg, seguida de 4
mg a cada quatro horas ou 8 mg
duas vezes por dia. A
dexametasona é a mais utilizada
por apresentar menor atividade
mineralocorticoide (reten ção de
líquido). Doses mais baixas
costumam ser suficientes para sinto
mas menos graves.
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 20
Os glicocorticóides não são necessá
rios ou indicados em pacientes com
sintomas mínimos e para tumores
que não estão associados ao edema
circundante. As toxicidades do uso
crônico de esteróides podem contri
buir para a morbidade e diminuição
da qualidade de vida em pacientes
com tumores cerebrais.
Os anticonvulsivantes só estão indi
cados para pacientes que apresen
tam crises convulsivas, sendo o uso
profilático não indicado. A profilaxia
para TVP deve ser feita em todos os
pacientes com tumores cerebrais no
período pós-operatório, e não estão
associados com maior risco de he
morragia intracerebral.
A excisão completa é o objetivo do
tratamento dos tumores primários, o
que quase sempre pode ser realiza
do no caso de tumores extra-axiais.
Quando a retirada completa do
tumor não é possível, realiza-se a
ressecção parcial, para
descompressão e para preservar a
função neurológica.
A RM funcional (RMf)