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permite medir
o fluxo de sangue cerebral quando
áreas do córtex são ativadas, assim,
usando as imagens da RMf e da RM
normal, é possível identificar as fun
ções neurológicas prejudicadas em
relação ao tumor. Com isso, pode-se
planejar uma ressecção mais segu
ra e completa. Além disso, pode-se
utilizar a embolização angiográfica é
muitas vezes útil no pré-operatório
para reduzir a vascularização de al
guns meningiomas, possibilitando
ressecção mais segura e viável – a
angiografia não é utilizada para diag
nóstico. Porém, tumores em regiões
críticas, como tronco cerebral ou tála
mo, não podem ser retirados.
No caso das metástases cerebrais, é
importante realizar exames para pes
quisa da possível fonte de
metástase, e quando não é possível
identificar a presença de câncer
sistêmico óbvio, deve-se realizar
craniotomia. Mes mo quando a
cirurgia evidenciar uma metástase
cerebral, a ressecção iso lada das
metástases é recomendada, e a
análise histopatológica da lesão
orienta a pesquisa do tumor
primário.
A radioterapia é administrada em pe
quenas doses fracionadas diárias, o
que permite um reparo subletal nos
tecidos normais e reduz significativa
mente a toxicidade neurológica asso
ciada a esse tratamento. Apesar de
duplicar o tempo médio de
sobrevida dos pacientes com tumor
cerebral, raramente é curativa e
maioria deles desenvolve recidiva.
Existe ainda um método de
radioterapia esterotáxica, que aplica
doses elevadas poupando o tecido
adjacente, sendo indicada apenas
para tumores com 3 cm de diâmetro
ou menos. A radioterapia pode
gerar complicações neurológi cas
meses ou anos depois do término
do tratamento, que incluem radione
crose, demência e leucoencefalopa
tia, porém a maioria dos pacientes
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 21
morrem antes de apresentarem es
ses efeitos. Nos sobreviventes de
longo tempo com gliomas de baixo
grau ou crianças com meduloblas
tomas apresentam efeitos colaterais
mais importantes.
A quimioterapia para tumores cere
brais não tem sido muito eficiente
devido à resistência intrínseca
desses tumores à maioria dos
agentes con vencionais. São usados
carboplatina e cisplatina para
meduloblatoma, mes mo quando
disseminado pelo LCR,
temozolomida para todos os gliomas
e metotrexato em altas doses contra
o linfoma primário do SNC.
FLUXOGRAMA – TERAPÊUTICA DE TUMOR CEREBRAL
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 22
3. ABSCESSOS CEREBRAIS
Os abscessos cerebrais são
coleções de material purulento no
parênquima cerebral, composto por
neutrófilos e tecido necrótico,
quando algum mi
crorganismo atinge esse tecido.
A maioria dos casos são provoca
dos por bactérias piogênicas, porém
as condições de imunossupressão,
como infecção por HIV, uso crônico
de corticosteroides ou Lúpus
Eritemato so Sistêmico, aumentaram
a incidên cia de abscessos causados
por outros microrganismos,
principalmente To xoplasma gondii,
Aspergillus sp, No cardia spp,
Mycobateria spp e Cripto coccus
neoformans.
Fisiopatologia
A maioria dos abscessos cerebrais
são consequência de um foco de su
puração em outras partes do corpo,
cerca de 90% dos casos, enquanto
os outros 10% são gerados por
inocula ção do microrganismo
infectante di retamente na cabeça,
como por trau mas cranianos e
feridas cirúrgicas.
A principal etiologia dos abscessos
cerebrais, como já mencionado, é in
fecções bacterianas. Esses invasores
podem chegar até o tecido cerebral
através de sinusite paranasal, otite
média e infecções dentárias princi
palmente, além de infecções cardía
cas, pulmonares, urinárias,
mastoidite e sepse. A otite média
aguda é mais
comum em crianças enquanto oti te
crônica ocorre mais em adultos e
idosos. Tumores e infartos cerebrais
também podem propiciar abscessos,
visto que essas complicações
tornam o tecido isquêmico e
desvitalizado.
SE LIGA! A resistência do tecido cere
bral a infecções se deve principalmente
à barreira hematoencefálica, que consis
te numa barreira altamente seletiva
para substâncias potencialmente
nocivas ao cérebro que podem estar
presentes no sangue, tanto as
moléculas metabólicas, quanto as
provenientes de drogas e de
microrganismos invasores, que lançam
enzimas para atingirem os tecidos alvo.
A infecção vinda de outros locais, ou
seja, aquelas que não ocorrem por
trauma craniano ou neurocirurgia,
normalmente se prolifera por disse
minação hematogênica, que é o que
ocorre quando a infecção é advinda
do coração, pulmões e pele. Quando
a área de infecção é contígua com o
cérebro, como no caso das sinusites,
a infecção do tecido cerebral ocorre
por extensão direta (contiguidade)
ou através dos vasos com
tromboflebite.
Assim, uma sinusite paranasal que
acomete o seio frontal, por exemplo,
por contiguidade pode levar à for
mação de abscesso no lobo frontal,
mas vale pontuar que a principal si
nusite que forma abscesso cerebral
é a sinusite do seio esfenoidal. Os
lo bos cerebrais mais acometidos
por
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 23
abscessos, em ordem crescente de
incidência (o mais acometido para o
menos acometido) são: frontal,
fronto parietal, parietal, cerebelar e
occipital.
SEIOS PARANASAIS
Seios frontais
Seios etmoidais
Seios esfenoidais Seios
maxilares
Seios esfenoidais
Figura 5. Localização dos seios paranasais. Fonte:
https://i.pinimg.com/originals/8c/82/cb/8c82cbad6767be404b 3c13a2df34adff.png
Os abscessos formados por conti
guidade geralmente são unilaterais,
localizados e mais superficiais, en
quanto os abscessos gerados pela
disseminação hematogênica podem
ser múltiplos, dispersos em várias re
giões do parênquima e
normalmente mais profundos.
Outra observação importante é que
pacientes com abscessos do tron co
cerebral, deve ser considerada a
possibilidade de infecção por
Listeria, mesmo quando não há
imunodefici ência esclarecida.
A principal artéria que supre o pa
rênquima cerebral é a artéria
cerebral média, então quando há
dissemina ção hematogênica,
normalmente os abscessos irão se
formar nos locais do parênquima
que são irrigados por esse vaso,
que abrangem os lobos frontal,
parietal e temporal.
Os microrganismos causadores do
abscesso dependem da etiologia
desse problema, ou seja, qual foi a
origem da infecção.
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 24
SINUSITES Estreptococos, Haemophilus spp, Bacterioides spp, Fusobacterium spp
INFECÇÃO DENTÁRIA Estreptococos, Bacterioides spp, Prevotella spp
OTITE MÉDIA Estreptococos, Pseudomonas aeruginosas, Bacterioides spp, Enterobacteriaceae
ENDOCARDITE S. aureus, Strepcoccus viridans
INFECÇÕES
PULMONARES
Estreptococos, Actinomyces spp
INFECÇÕES
URINÁRIAS
P. aeruginosas, Enterobacter spp
Tabela 1. Principais bactérias formadoras de abscessos cerebrais de acordo com a fonte de infecção.
Na tabela, é possível observar a im
portância dos estreptococos, por es
tar envolvido com quase todos os ti
pos de infecções acima listados, e a
identificação do microrganismo inva
sor guia a terapêutica que será
usada para cada paciente. Além
disso, é im portante pontuar que as
Pseudomo nas e os estafilococos
são uma das principais bactérias
formadoras de abscessos a partir
da neurocirurgia.
Há ainda uma forma criptogênica de
formação de abscesso, a qual não se
pode determinar qual o fator desen
cadeante e deve ser suspeitada em
pacientes que não apresentam, por
exemplo, histórico de sinusite, neu
rocirurgia ou de nenhum dos outros
fatores predisponentes dessa com
plicação aqui já mencionado.
25 TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS
TOXOPLASMA
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 26
O abscesso cerebral se forma em
quatro estágios histológicos: 2 está
gios iniciais, que consistem na fase
de cerebrite – cerebrite inicial e
cerebrite tardia, e 2 estágios finais,
que compõe a fase encapsulada –
cápsula inicial e cápsula tardia,
porém os exames de imagem não
permitem definir com precisão
esses dois estágios, apenas é
possível identificar a fase de cere
brite ou encapsulada.
A fase de cerebrite inicial, que ocor
re entre 1 a 3 dias, é marcada pelos
processos de infecção e inflamação.
Assim, nesse estágio se inicia a infil