A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
40 pág.
SISTEMANERVOSOAUTNOMO1-200519-230316-1592249119

Pré-visualização | Página 6 de 8

estimulação, mas
também da taxa de variação dessa
temperatura. Nesse sentido, uma pe
quena, porém rápida variação da
tem peratura é percebida mais
prontamen te do que lentas
variações térmicas, as quais
requerem maiores aumentos ou
diminuições da temperatura até
serem percebidas conscientemente.
Os termorreceptores periféricos
locali zam-se um pouco abaixo da
pele e a
temperatura por eles sinalizada refle
te, na verdade, um conjunto de
fatores. Dentre estes, incluem a
temperatura da pele, que resulta da
condução do calor e da incidência
de energia radiante; o calor trazido
pela circulação sanguínea, que
expressa a temperatura central do
organismo; e também a dissipação
de calor promovida pela
transpiração.
A temperatura interna é monitorada
por neurônios termorreceptivos cen
trais na parte anterior do
hipotálamo. Os termorreceptores
centrais são en contrados
principalmente na medula espinal,
nas vísceras abdominais e dentro
ou ao redor das grandes veias
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 38
na região superior do abdome e do
tó rax, e atuam monitorando a
tempera tura do sangue. O sistema
de termor regulação atua como
mecanismo de
controle que usa o feedback
negativo para operar outro sistema
determina do pela temperatura
corporal normal. Sinais que
indiquem um desvio da
temperatura normal, desencadeiam
respostas que tendem a
restabelecer a temperatura
corporal. Essas res postas são
mediadas pelos sistemas
autônomo, somático e endócrino.
Fluxo sanguíneo para a
transferência de calor
O sangue é um grande
transportador de energia térmica
dos órgãos pro fundos para a pele.
Vasos sanguíneos encontram-se
profusamente distribu ídos por
baixo da pele. Especialmen te
importante é o plexo venoso con
tínuo, suprido pelo influxo de
sangue dos capilares da pele. Nas
áreas mais expostas do corpo como
mãos, pés e orelhas, o sangue
também é suprido por anastomoses
arteriovenosas.
HORA DA REVISÃO!
Anastomoses arteriovenosas: Constitui
uma interconexão que possibilita que
as arteríolas conduzam o sangue
direta mente para as vênulas, sem
passar pe los capilares, de modo a
controlar o fluxo sanguíneo nesses
vasos.
Em resposta ao aumento ou a
redução da temperatura interna ou
ambiente,
o fluxo sanguíneo cutâneo é modifi
cado de acordo com os mecanismos
simpáticos de vasodilatação ou vaso
constrição, respectivamente. Nesse
sentido, o sistema nervoso
autônomo desempenha um papel
importante no controle do fluxo
sanguíneo para a pele. A pele fina é
inervada pelos nervos
vasoconstritor noradrenérgico e
vasodilatador colinérgico, enquanto
a pele grossa é inervada apenas por
fibras nervosas vasoconstritoras.
HORA DA REVISÃO!
Tecido tegumentar. A palma das mãos,
a planta dos pés e os lábios, que
sofrem um atrito maior, possuem uma
epiderme constituída por várias
camadas celulares e por uma camada
superficial de quera
tina bastante espessa. Esse tipo de
pele, denominada pele grossa (ou
espessa) não possui pelos e glândulas
sebáceas, mas as glândulas
sudoríparas são abun
dantes. A pele do restante do corpo
tem uma epiderme com poucas
camadas ce lulares e uma camada de
queratina del gada, além da presença
de pelos. Ela foi designada pele fina
(ou delgada).
Na normotermia, há um nível basal
de tônus vasoconstritivo. A
presença de numerosas
anastomoses arterio venosas na
pele grossa pode levar a alterações
no fluxo sanguíneo para essas
regiões. O aumento do tônus
simpático em resposta a uma
diminui ção da temperatura central
contrai as arteríolas e reduz o fluxo
sanguíneo nas anastomoses
arteriovenosas, re duzindo a perda
de calor na superfície
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 39
da pele. Em resposta ao aumento da
temperatura corporal, a retirada do
tônus simpático leva à vasodilatação
das arteríolas e das anastomoses
Na pele fina, se a perda de calor por
convecção resultante da redução do
tônus vasoconstritor for insuficiente
para reduzir a temperatura central
do corpo, um aumento adicional no
fluxo sanguíneo da pele pode
ocorrer por vasodilatação ativa,
para ampliar a perda de calor.
Pouco se sabe sobre os
mecanismos que promovem a va
sodilatação cutânea ativa, mas há in
dícios de que possa ser pela
liberação de acetilcolina e outros
transmissores, como a histamina,
as prostaglandinas,
substância P e outros, pelos nervos
colinérgicos simpáticos.
Papel do hipotálamo na regulação
da temperatura corporal
A temperatura do corpo é regulada
quase inteiramente por mecanismos
de feedback neural e quase todos
esses mecanismos operam por meio
de centros regulatórios da tempera
tura, localizados no hipotálamo. Para
que esses mecanismos de feedback
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 40
operem, deve haver detectores de
temperatura para determinar quan
do a temperatura do corpo está
muito alta ou muito baixa.
A área hipotalâmica anterior
pré-ópti ca é, especialmente em
mamíferos, de extrema importância
para a termorre gulação. Localizada
na transição en tre o diencéfalo e o
telencéfalo, esta área é denominada
termossensível, pois detecta as
alterações térmicas locais, além de
termointegradora, já que recebe
informações térmicas de várias
regiões do organismo por meio dos
termorreceptores periféricos.
As informações térmicas da perife
ria, captadas pelos termorreceptores
cutâneos, são conduzidas por neurô
nios sensoriais primários que fazem
sinapse no corno dorsal da medula
espinal, de onde os neurônios de se
gunda ordem dirigem-se ao encéfa
lo. Para tal processo, são conhecidas
duas vias; a primeira, conhecida
como espinotalamocortical, vai da
medula para o tálamo, e de lá,
outros neurô nios aferentes seguem
para determi nadas áreas do
telencéfalo. A segun da via é a que
chega à área pré-óptica do
hipotálamo e ativa as respostas
efetoras de acordo com as
alterações na temperatura
ambiente.
Figura 20. Núcleos do hipotálamo. Fonte: Neuroanatomia aplicada/ Murilo S. Meneses. - 3.ed. - [Reimpr.]. - Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 41
A área hipotalâmica anterior pré-óp
tica contém neurônios sensíveis ao
calor e neurônios sensíveis ao frio,
es tes últimos predominantes. Com
isso, esses neurônios atuam como
senso res de temperatura para o
controle da temperatura corporal.
Quando a área pré- óptica é
aquecida, a pele de todo o corpo
imediatamente produz su dorese
profunda, enquanto os vasos
sanguíneos da pele de todo o corpo
ficam muito dilatados. Essa respos
ta é uma reação imediata que causa
perda de calor, ajudando a tempe
ratura corporal a retornar aos níveis
normais. Além disso, qualquer exces
so de produção de calor pelo corpo
é inibido. Portanto, está claro que a
área hipotalâmica anterior
pré-óptica tem a capacidade de
funcionar como centro de controle
termostático da temperatura
corporal.
O hipotálamo anterior compara a
temperatura central detectada com
a temperatura do ponto de ajuste.
Se a temperatura central estiver
abaixo do ponto de ajuste, os
mecanismos de geração de calor
são ativados pela parte posterior do
hipotálamo. Po
rém, se a temperatura estiver acima
do ponto de ajuste, os mecanismos
de perda de calor são ativados pela
parte anterior do hipotálamo.
Os sinais sensoriais de temperatura
da área hipotalâmica anterior pré-óp
tica, bem como os sinais originados
nos receptores periféricos são trans
mitidos para o hipotálamo posterior,
onde encontra-se o centro de pro
dução e conservação de calor. Nes
sa área, os sinais são combinados e
integrados para controlar as reações
diante das variações de
temperatura.
SE LIGA! Os pirogênios são
substâncias liberadas por bactérias
tóxicas ou por tecidos corporais em
degeneração que causam febre em
condições patológicas. Eles atuam
elevando a temperatura do ponto de
ajuste. Desse modo, a tempe
ratura central será reconhecida como
mais baixa do que a nova temperatura
do ponto de ajuste pelo hipotálamo an
terior. Como resultado, os mecanismos
geradores de calor serão ativados, o
que pode provocar febre. Em algumas
horas, após a elevação do ponto de
ajuste, a temperatura corporal se
aproxima