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FISIOLOGIADOSORGAOSSENSORIAISVISAOEOLFATO-200908-193331-1600195523

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com glau
coma tem pressão intraocular normal,
e nem todos que têm pressão
intraocular elevada desenvolvem
glaucoma. Muitos casos de pressão
elevada no olho es tão associados ao
excesso de humor aquoso, um líquido
que é secretado pelo epitélio ciliar
próximo à lente. Em geral, o líquido é
drenado para fora, pelo seio venoso
da esclera (canal de Schlemm), na
câmara anterior do bulbo do olho, mas
se esse fluxo é bloqueado, o humor
aquoso acumula, causando aumento
da pressão dentro do olho. Os
tratamen tos para diminuir a pressão
intraocular incluem o uso de fármacos
que inibem a produção de humor
aquoso e cirurgia para reabrir o seio
venoso da esclera.
3. CAMADA EXTERNA OU
TÚNICA FIBROSA
Apresenta-se opaca e
esbranquiçada nos seus cinco
sextos) posteriores. Essa região é
denominada esclera. É formada por
tecido conjuntivo rico
em fibras colágenas que se entrecru
zam e seguem, de modo geral, dire
ções paralelas à superfície do olho.
A superfície externa da esclera apre
senta-se envolta por uma camada
de tecido conjuntivo denso – a
cápsula de Tenon – à qual se
prende por um sistema muito
frouxo de finas fibras colágenas
que correm dentro de um espaço
chamado espaço de Tenon. Graças
a essa disposição, o globo ocular
pode sofrer movimentos de ro tação
em todas as direções.
No seu sexto anterior, a túnica
fibrosa apresenta-se transparente e
recebe o nome de córnea.
Distinguem-se cinco regiões:
epitélio corneano anterior,
membrana de bowman, estroma,
membrana de descemet e epitélio
posterior ou endotélio da córnea.
Figura 5. Desenho tridimensional da córnea. Fonte: JUN
QUEIRA &CARNEIRO (2013, P.450)
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 9 desse epitélio apresentam
microvilos
NA PRÁTICA: O reflexo corneano é
evocado tocando-se de leve a córnea
com um chumaço de algodão ou lenço
de papel. Ele é usado para avaliar a fun
ção dos nervos cranianos (NC) trigê
meo e facial. Em resposta ao estímulo
corneano, deve haver um piscar do
olho ipsilateral e do olho contralateral.
A alça aferente do reflexo é mediada
pelo NC Trigêmeo e a alça eferente
pelo NC Fa cial. O reflexo de piscar é
um teste ele trofisiológico em que um
estímulo elé trico é aplicado ao nervo
trigêmeo e é registrada uma resposta
dos músculos faciais. Ele pode
fornecer informações adicionais sobre
o V NC, o VII NC e as conexões entre
eles.
Figura 6. EVOCANDO REFLEXO CORNEANO.
Fonte: DeJong (2005, p.170).
O epitélio corneano anterior é
estratifi cado pavimentoso não
queratinizado, constituído por cinco
a seis camadas celulares. Esse
epitélio contém nu merosas
terminações nervosas livres, o que
explica a grande sensibilidade da
córnea. Em 7 dias todas as células
do epitélio anterior da córnea são re
novadas. As células mais
superficiais
mergulhados em um fluido protetor
que contém lipídios e glicoproteínas.
Observam-se com frequência, leu
cócitos, principalmente linfócitos, mi
grando no estroma corneano, que é
avascular. O epitélio posterior ou en
dotélio da córnea é do tipo pavimen
toso simples.
4. LIMBO
É zona de transição da córnea, que
é transparente, para a esclera. O co
lágeno da córnea, de homogêneo e
transparente, transforma-se em fi
broso e opaco. Nesta zona
altamente vascularizada, existem
vasos sanguí neos que assumem
papel importante nos processos
inflamatórios da cór nea. A córnea é
uma estrutura avas cular e sua
nutrição se dá pela difusão de
metabólitos dos vasos sanguíne os e
do fluido da câmara anterior do
olho. Nota- se também no estroma
um canal de contorno irregular, re
vestido por endotélio, que circunda
a transição esclerocorneal (limbo),
de nominado canal de Schlemm.
Nes se canal, o humor aquoso
produzido nos processos ciliares é
drenado para o sistema venoso.
Isso é possível em razão de um
sistema de espaços em labirinto, os
espaços de Fontana, que vão do
endotélio da córnea ao canal de
Schlemm.
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 10
5. CAMADA MÉDIA OU
TÚNICA VASCULAR
A túnica média (vascular) é consti
tuída por três regiões que, vistas da
parte posterior para a anterior, são
coroide, corpo ciliar e a íris. A coroi
de é uma camada rica em vasos san
guíneos, daí ser chamada também
de túnica vascular. Entre os vasos
ob serva-se um tecido conjuntivo
frouxo, que é rico em células, fibras
coláge nas e elásticas. É frequente a
presen ça de células contendo
melanina, que conferem cor escura
a essa camada. A porção mais
interna da coroide é muito rica em
capilares sanguíneos, o que lhe
valeu o nome de corioca pilar.
Desempenha papel importante na
nutrição da retina, e lesões da co
riocapilar podem levar a alterações
da retina.
O corpo ciliar é uma dilatação da co
roide na altura do cristalino. Tem as
pecto de um anel espesso, contínuo,
revestindo a superfície interna da
esclera. O componente básico des
sa região é tecido conjuntivo (rico
em fibras elásticas, células
pigmentares e capilares
fenestrados), no interior do qual se
encontra o músculo ci liar. Esse
músculo é constituído por três
feixes de fibras musculares lisas
que se inserem de um lado na escle
ra e, do outro, em diferentes regiões
do corpo ciliar. Um desses feixes
tem
a função de distender a coroide, en
quanto o outro, quando contraído, re
laxa a tensão do cristalino. Essas
con trações musculares são
importantes
no mecanismo de acomodação vi
sual para focalizar objetos situados
em diferentes distâncias.
Os processos ciliares são extensões
de uma das faces do corpo ciliar.
São formados por um eixo
conjuntivo re coberto por camada
dupla de célu las epiteliais. A
camada externa, sem pigmento,
recebe o nome de epitélio ciliar. O
humor aquoso é produzido nos
processos ciliares com a partici
pação do epitélio ciliar. Esse humor
flui para a câmara posterior do olho
em direção ao cristalino, passa entre
o cristalino e a íris e chega à câmara
anterior, onde a direção do seu fluxo
muda de 180°, dirigindo-se ao
ângulo formado pela íris com a zona
de tran sição esclerocorneal ou
limbo. Nesse ângulo, o humor
aquoso penetra os espaços
labirínticos (espaços de Fon tana) e
finalmente alcança um único canal
irregular, o canal de Schlemm
(Figura 4), revestido por células
endo teliais. Este, por sua vez,
comunica-se com pequenas veias
da esclera, para as quais o humor
aquoso é drena do. O processo é
contínuo e explica a renovação
constante do conteúdo aquoso das
câmaras do olho.
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 11
A íris é um prolongamento da coroi
de que cobre parte do cristalino. A íris
tem um orifício circular central, a pu
pila. A face anterior da íris é revesti
da por epitélio pavimentoso simples,
continuação do endotélio da córnea.
Segue-se um tecido conjuntivo pou
co vascularizado, com poucas fibras e
grande quantidade de fibroblastos e
células pigmentares, seguido, por sua
vez, de uma camada rica em vasos
Figura 7. Corte dos processos ciliares, que mostra o
epitélio, com a camada Interna pigmentada e a
externa sem pigmento. A camada epitelial bicelular
se apoia em tecido conjuntivo frouxo. (Pararosanilina
e azul de toluidina. Médio aumento.). Fonte:
JUNQUEIRA &CAR NEIRO (2013, P.451).
NA PRÁTICA: O reflexo de acomoda
ção é uma manobra semiológica muito
utilizada na prática da oftalmologia e
neurologia. Ele é evocado fazendo-se o
paciente relaxar a acomodação
olhando a distância e depois deslocar
o olhar para algum objeto próximo. O
melhor objeto próximo é um dos
dedos ou o polegar do próprio
paciente. A resposta consiste em
espessamento do cristalino (aco
modação), convergência dos olhos e
miose. O principal estímulo a acomoda
ção é turvação da visão. Sem a
resposta de proximidade, a tentativa
de focalizar um objeto próximo
acarretaria visão tur va ou diplopia
franca. Com técnicas es peciais,
pode-se testar separadamente cada
componente da resposta. Testes junto
ao leito rotineiros evocam todos os
três componentes. Acomodação ocorre
porque a contração do músculo ciliar re
laxa as fibras zonulares, permitindo
que o cristalino se torne