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FISIOLOGIADOSORGAOSSENSORIAISVISAOEOLFATO-200908-193331-1600195523

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muda sua
confor mação para uma nova
configuração. Este ativado não mais
se liga à opsina e, então, é liberado
do pigmento em um processo
denominado descoramento.
Os sinais elétricos nas células ocor
rem como resultado do movimento
de íons entre os compartimentos
intra celular e extracelular. Os
bastonetes possuem três tipos
principais de ca nais catiônicos:
canais dependentes de
nucleotídeo cíclico (CNG), que
permitem que e entrem no
bastonete; canais de , que
permitem que o saia do bastonete;
e canais de depen dentes de
voltagem no terminal si náptico,
que participam na regulação da
exocitose do neurotransmissor.
Quando um bastonete está no escu
ro e a rodopsina não está ativa, a
con centração de GMP cíclico
(GMPc) no bastonete é alta e
ambos os canais CNG e de estão
abertos. O influxo de íons sódio e
de é maior do que o efluxo de , de
modo que o bastonete
permanece despolarizado com uma
média de potencial de membrana
de – 40mV (em vez do mais frequen
te − 70mV). Neste potencial de mem
brana levemente despolarizado, os
canais de dependentes de voltagem
estão abertos e há liberação tônica
(contínua) do neurotransmissor glu
tamato da porção sináptica do basto
nete para a célula bipolar vizinha.
Quando a luz ativa a rodopsina, uma
cascata de segundo mensageiro é
iniciada a partir da proteína G trans
ducina. A cascata de segundo men
sageiro da transducina diminui a
concentração de GMPc, o que fecha
os canais CNG. Consequentemente,
o influxo de cátions diminui ou
cessa.
Com o menor influxo de cátions e o
efluxo sustentado de , o interior do
bastonete se hiperpolariza, e a libe
ração de glutamato para os
neurônios bipolares diminui. A luz
intensa fecha todos os canais CNG
e bloqueia a libe ração de
neurotransmissor. A luz fraca
provoca uma resposta graduada pro
porcional à intensidade da luz. Após
a ativação, o retinal difunde-se para
fora do bastonete e é transportado
para o epitélio pigmentado. Neste
local, ele é convertido a sua forma
inativa antes de voltar para o
bastonete e se recom binar à opsina.
A recuperação da ro dopsina do
descoramento pode levar algum
tempo, sendo o principal motivo da
adaptação lenta dos olhos quan do
saímos de um ambiente com luz
intensa para o escuro.
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 19
Vários neurônios bipolares, por sua
vez, inervam uma única célula gan
glionar, de modo que a informação
de centenas de milhões de
fotorrecepto res da retina é
condensada em apenas um milhão
de axônios que deixam o olho em
cada nervo óptico. A conver gência
é mínima na fóvea, onde al guns
fotorreceptores têm uma relação
1:1 com os neurônios bipolares, e
má xima nas porções externas da
retina.
Quando a luz provoca o descoramen
to da rodopsina, o retinal é liberado
e
a transducina inicia a cascata de se
gundo mensageiro, que hiperpolari
za o bastonete, o qual libera menos
glutamato nos neurônios bipolares.
As células bipolares fazem sinapse
com as células ganglionares, os
próximos neurônios na via. Cada
célula ganglio nar recebe informação
de uma área particular da retina.
Essas áreas, deno minadas campos
visuais, são simila res aos campos
receptivos do sistema
somatossensorial.
Figura 13. Fototransdução em bastonetes. Os bastonetes possuem o pigmento visual rodopsina. Quando ativada
pela luz, a rodopsina se separa em opsina e retinal. Fonte: SILVERTHORN (2017, p.350).
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 20 MAPA – MECANISMO DE
FOTOTRANSDUÇÃO
Escuro
RODOPSINA
Luz
Opsina + Retinal ligadas GMPc elevado
Canais CNG e K^+ abertos
Potencial de membrana em repouso = -40mV
Liberação contínua
de Glutamato
Opsina Retinal Proteína G (transducina)
Diminui influxo de cátions
Hiperpolariza membrana
mV= -70
Liberação de glutamato diminui
10. PROCESSAMENTO PÓS
RETINA
Assim que os potenciais de ação
emergem do corpo das células gan
glionares, eles percorrem os
nervos ópticos até o SNC, onde
são pro cessados. O nervo óptico
penetra no encéfalo no quiasma
óptico e, nes te ponto, algumas
fibras nervosas
Células bipolares fazem sinapse
com as células ganglionares
provenientes de cada olho cruzam
para o outro lado para serem pro
cessadas no encéfalo.
A porção central do campo visu al,
onde os lados esquerdo e direi to
do campo visual de cada olho se
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 21
sobrepõem, é
a zona
binocular. Os
dois olhos
têm visões
ligeiramente
diferentes dos
objetos nessa
região,
e o cérebro processa e integra estas
duas visões para criar representações
tridimensionais dos objetos. Nossa
percepção de profundidade – isto
é, se um objeto está na frente ou
atrás de outro – depende da
visão binocular. Os objetos
situados no campo visual
de apenas um olho estão
na zona monocular e
são vistos em duas
dimensões.
Assim que os axô
nios deixam o
quiasma óptico, al
gumas fibras pro
jetam-se para o
mesencéfalo, onde
elas participam do
controle do movi
mento dos olhos ou,
juntamente com informações soma
tossensoriais e auditivas, da coorde
nação do equilíbrio e do
movimento.
Contudo, a maioria dos axônios se
projeta para o corpo geniculado la
teral do tálamo, onde as fibras vi
suais fazem sinapses com neurônios
que vão para o córtex visual no
lobo occipital. O corpo (núcleo)
geniculado lateral é organizado em
camadas que correspondem às
diferentes partes do campo visual,
de modo que as in formações de
objetos adjacentes são processadas
juntas. Esta organização
Figura 14. Vias da visão e o reflexo pupilar.
Fonte: SILVERTHORN (2017, p.342)
topográfica é mantida no córtex visu
al, com as seis camadas de
neurônios agrupadas em colunas
verticais. Den tro de cada porção do
campo visual, a informação é
classificada adicional mente por cor,
forma e movimento.
As informações monoculares dos
dois olhos se juntam no córtex para
nos dar uma visão binocular do meio
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 22
que nos cerca. As
informações
das combinações de
células
ganglionares on/off são
tradu
zidas em sensibilidade à
orien
tação de barras nas vias
mais
simples, ou em cor,
movimento
e estrutura detalhada
nas vias
mais complexas. Cada
um des
ses atributos do estímulo
visual
é processado em uma via
se
parada, criando uma
rede cuja
complexidade se está
apenas
começando a esclarecer.
NA PRÁTICA: O Acidente Vascular Cerebral pode se manifestar com al
terações do campo visual muitas vezes. Por isso, a observação do campo
visual é de extrema importância na prática clínica e torna possível loca
lizar o nível da lesão da via óptica e ajudar na investigação topográfica
da lesão cerebral. A representação esquemática a seguir demonstra os
locais mais comumente afetados e suas respectivas alterações no campo
visual.
11. SISTEMA OLFATÓRIO
Stephen D., 22 anos, estudante de
medicina, sob efeito de drogas (co
caína, cloridrato de fenociclidina
[PCP], principalmente anfetaminas).
Sonho vivido uma noite, sonhou que
era cachorro, em um mundo de odo
res inimaginavelmente rico e signi
ficativo. (”O cheiro alegre da água...
o cheiro desafiador de uma rocha”.)
Ao acordar, ele se viu em um mun
do exatamente como aquele. (...) foi
a hipertrofia do olfato que verdadei
ramente transformou seu mundo:
“Sonhei que era cachorro — foi um
sonho olfativo — e acordei para um
mundo infinitamente aromático, um
mundo no qual todas as outras sen
sações, intensificadas como esta
vam, empalideciam diante dos chei
ros”. E tudo isso veio acompanhado
de uma espécie de emoção vibrante,
ansiosa, e uma estranha nostalgia,
como que por um mundo perdido,
meio esquecido, meio lembrado.
“Entrei numa loja de perfumes”, con
tinuou ele. “Eu nunca tinha sido mui
to bom para distinguir cheiros antes,
mas dessa vez diferenciei cada um
instantaneamente — e para mim
cada um era único, evocativo, todo
um mundo.” Ele descobriu que podia
distinguir todos os seus amigos — e
pacientes — pelo cheiro. Sacks, O.
O homem que confundiu sua mulher
com um chapéu. 1ª Ed SP Cia das Le
tras, 1997.
Imagine acordar uma manhã e des
cobrir um novo mundo ao seu redor,