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FISIOLOGIADOSORGAOSSENSORIAISVISAOEOLFATO-200908-193331-1600195523

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provoca a
ativação de um conjunto de quimior
receptores que, em função da con
centração do odorante, dispara em
direção ao bulbo olfatório uma certa
frequência de potenciais de ação.
As células m/t são ativadas, mesmo
que a concentração de odorante na
cavidade nasal seja mínima, porque
é grande a convergência de fibras ol
fatórias que terminam em cada glo
mérulo (calcula-se uma proporção de
500-1.000 fibras para cada célula
m/t). Não é muito o que se conhece
sobre o processamento da informa
ção olfatória no bulbo, embora os cir
cuitos básicos aí existentes já tenham
sido identificados. No entanto, parece
que é no bulbo que a percepção ol
fatória começa a se tomar mais es
pecífica, ou seja, capaz de identificar
cada cheiro individualmente.
Se pouco se sabe sobre o processa
mento olfatório no bulbo, menos ain
Figura 19. Sequência de etapas da transdução que
ocorre na membrana do quimiorreceptor a partir da
captação do odorante (A}, seguida da síntese de
segun dos mensageiros como o AMPc (8 e C}, e
finalmente a abertura de canais iônicos (O e E) que
resulta no poten cial receptor. Fonte: LENT, R (2010,
p.349).
Embora cada quimiorreceptor
possua apenas uma ou poucas
moléculas receptoras, estas não
apresentam grande especificidade,
ou seja, vários
da se conhece sobre as operações
neurais realizadas nos estágios sub
sequentes. De qualquer modo, duas
hipóteses são consideradas para ex
plicar a nossa capacidade de discri
minar cheiros:
• “Linhas exclusivas”: Cada cheiro
percorreria um caminho neural de
terminado, diferente dos demais
cheiros. Essa hipótese é apoiada
pela existência de uma certa topo
grafia de ativação dos glomérulos
do bulbo olfatório, mas é desau
torizada pela baixa especificidade
de muitos neurónios olfatórios em
todos os níveis
• “Padrões de ativação”: Envolve
diferentes populações de neurô
nios a cada cheiro. A particular
combinação da atividade dos qui
miorreceptores para cada cheiro
seria detectada por neurónios de
ordem superior situados em um
dos estágios da via olfatória. Essa
hipótese não requer
especificidade dos neurónios
olfatórios, porque a identificação
dos cheiros depen deria da
combinação dos neuró nios
ativos, e não de cada neurónio
individualmente.
13. VIAS OLFATÓRIAS
A partir do bulbo olfatório, a informa
ção segue direto para o córtex ce
rebral, inervando uma extensa área
chamada córtex olfatório primário
ou córtex piriforme. Nesse aspecto,
o sistema olfatório é diferente dos
demais sistemas sensoriais, pois a
informação chega ao córtex sem
passar pelo tálamo.
SE LIGA! É verdade que o córtex piri
forme é um tipo mais antigo e simples
de córtex, chamado por isso mesmo,
genericamente, paleocórtex. E é verda
de também que o paleocórtex olfatório
se comunica com o tálamo, e este com
o lobo frontal do neocórtex, restabele
cendo-se então o esquema “normal”
de conectividade sensorial. De
qualquer modo, acredita-se que essa
via indireta ao neocórtex é a
responsável pela per cepção olfatória,
ou seja, pelos aspectos conscientes da
experiência sensorial olfatória.
Os longos axônios das células m/t,
reunidos no trato olfatório lateral,
não projetam apenas para o córtex
piri forme. Muitos terminam em
outras regiões prosencefálicas,
como o nú cleo olfatório anterior, o
tubérculo olfatório, a área
entorrinal e o com plexo
amigdaloide. Esse conjunto de
regiões aloja neurônios de terceira
or dem que projetam para o
hipotálamo e o hipocampo,
conectando o siste ma olfatório com
o chamado sistema límbico.
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relacionadas ao cheiro
SE LIGA! Vias ascendentes do bulbo olfatório também levam à amígdala e ao
hipo campo, partes do sistema límbico envolvidas na emoção e na memória.
Um aspecto surpreendente da olfação é a sua ligação com a memória, a
gustação e a emoção. Um perfume especial ou o aroma de um alimento
pode desencadear memórias e criar uma onda de nostalgia em relação ao
tempo, espaço ou pessoa com quem o aroma está associado. De algum
modo que não compreendemos, o processamento dos odores no sistema
límbico cria memórias olfatórias profundamente escondidas.
33 FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO MAPA MENTAL
- FISIOLOGIA OLFATÓRIA
Fibras de primeira ordem do sistema olfatório
Neurônios bipolares
cujo dendrito aponta em direção à cavidade nasal
Formam
Quimiorreceptores
Olfatórios
Nervo olfatório
Gera impulso nervoso responsável pela
captação do cheiro
Abertura dos
canais de Na+
Formada por células
Epitélio olfatório SISTEMA
Ativação da cascata de
segundo mensageiros Entrada de Ca++ para dentro da célula
quimiorreceptoras
Decifra moléculas químicas dos odores
OLFATÓRIO Fototransdução
Provoca saída de Cl
do interior do neurônio
Potencializa a despolarização e
Cavidades nasais Informação do olfato
aumenta a sensibilidade para o cheiro
Ajuda a filtrar, aquecer e umidificar o ar
Possui muco
Dissolvem as
moléculas odorantes, antes de entrar
em contato com a membrana dos neurônios receptores
Difere dos demais sistemas
sensoriais, pois a informação chega ao córtex sem passar pelo
tálamo.
Axônios vão direto para o córtex olfatório primário ou córtex
piriforme
Outras fibras nervosas fazem sinapses em regiões
prosencefálicas, como como o núcleo olfatório anterior, o
tubérculo olfatório, a área entorrinal e o complexo amigdaloide
Processamento
consciente dos odores
Conectam o sistema olfatório com o
chamado sistema límbico
FISIOLOGIA DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS: VISÃO E OLFATO 34
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CAMPBELL WW. DeJong – O Exame Neurológico. 7ª. Edição, Editora Guanabara
Koogan, 2014.
JUNQUEIRA, LC; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2013.
LENT,R. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de neurociências, 2° edição.
Rio de Janeiro: Atheneu, 2010.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2017.
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