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Causas da hepatoesplenomegalia febril

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Causas de 
Hepatoesplenomegalia Febril 
Elucidar as causas da hepatoesplenomegalia febril, bem como sua relação com 
imunodeficiência. 
A hepatoesplenomegalia é frequente em infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), 
resultado da ação direta desse vírus sobre o hepatócito ou de coinfecções, como: histoplasmose, 
leishmaniose visceral, tuberculose disseminada, linfoma e pneumocistose 
TUBERCULOSE 
DEFINIÇÃO 
A tuberculose (TB) é uma doença infecto-contagiosa, crônica, granulomatosa e necrosante 
causada pelo bacilo álcool-ácido-resistente (BAAR) MYCOBACTERIUM TUBERCULOSIS ou por 
qualquer patógeno do complexo: MYCOBACTERIUM BOVIS, MYCOBACTERIUM 
AFRICANUM, MYCOBACTERIUM CANETTI, MYCOBACTERIUM PINNIPEDI, MYCOBAXTERIUM 
MICROTI e MYCOBACTERIUM CAPRAE. No entanto, o patógeno principal é o M. TUCERBULOSIS, 
também chamado de Bacilo de Koch (BK). 
A forma mais comum da doença é a forma pulmonar, mas acometimentos extra-pulmonares 
também são frequentes e dignos de atenção da saúde pública, como as formas pleural, 
ganglionar, miliar, osteomuscular, etc. 
EPIDEMIOLOGIA: 
A tuberculose segue como uma das principais ameaças a saúde pública mundial. Em 2015, cerca 
de 10,4 milhões de pessoas desenvolveram tuberculose, 580 mil delas na sua forma 
multirresistente ou resistente a rifampicina, com 1,4 milhão de mortes. 
O Brasil está entre os 30 países de alta carga para TB e TB-HIV considerados prioritários para o 
controle da tuberculose globalmente. Foram 72 mil casos notificados em 2017, e a incidência 
variou de 10 a 74,7 casos por 100 mil habitantes entre as unidades federais, com um coeficiente 
de mortalidade de 2,2 mortes por 100 mil habitantes. 
Em 2020, o Brasil registrou 66.819 casos novos de TB, com um coeficiente de incidência de 31,6 
casos por 100 mil habitantes. Em 2019, foram notificados cerca de 4,5 mil óbitos pela doença, 
com um coeficiente de mortalidade de 2,2 óbitos por 100 mil habitantes 
Não há uma epidemia de tuberculose no Brasil, mas concentrações dos casos da doença. 
Pessoas vivendo com HIV, em situações de rua e privadas de liberdade, população indígena, 
pessoas vivendo em aglomerados ou em situação de pobreza são as mais acometidas pela 
doença no país. 
APRESENTAÇÃO CLÍNICA 
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Na maioria das pessoas saudáveis, a tuberculose primária é assintomática, apesar de poder 
causar febre e derrame pleural. 
Geralmente, a única evidência da infecção, se alguma permanecer, é um nódulo pulmonar 
fibrocalcificado no local da infecção. Organismos viáveis podem permanecer dormentes por 
décadas em tais lesões. Se as defesas imunes forem diminuídas, a infecção pode ser reativada, 
causando uma doença transmissível e potencialmente com risco de morte. 
Considerando a possibilidade de disseminação linfática e hematogênica e que a doença possa 
ocorrer em outros locais que não o pulmão, a tuberculose pode ser classificada em: Primária 
(pulmonar) e Extrapulmonar. 
TUBERCULOSE PULMONAR 
A apresentação clínica da tuberculose depende do estágio no curso natural da doença (doença 
primária, pós-primária ou miliar), localização e imunidade do hospedeiro. Os sintomas clássicos 
de febre vespertina, tosse, sudorese noturna e emagrecimento podem ocorrer em quaisquer 
das apresentações. 
A TB pulmonar primária ocorre logo em seguida ao contato com o bacilo, sendo portanto mais 
comum em crianças. Febre baixa, sudorese noturna e inapetência são sintomas muito 
frequentes nessa forma. 
Já a TB pulmonar pós-primária são mais 
comuns em adolescentes e jovens adultos. A 
tosse seca ou produtiva é a principal 
característica. Além disso, se a tosse é 
produtiva, a expectoração pode se apresentar 
como mucoide ou purulenta, com ou sem 
sangue. 
Pode haver febre vespertina, que geralmente 
não ultrapassa os 38,5ºC e não é acompanhada 
de calafrios. Além disso, fácies de emagrecimento ou doença crônica podem estar presentes no 
exame físico e, à ausculta respiratória, podemos perceber diminuição do murmúrio vesicular, 
sopro anfórico ou mesmo um exame físico normal. 
A TB miliar, por sua vez, se refere a um padrão específico de acometimento pulmonar, podendo 
ocorrer nas formas primária e secundária, sendo mais comum em pacientes imunossuprimidos. 
A apresentação clínica pode ser aguda ou subadguda, e sintomas como febre, 
astenia, emagrecimento, sudorese norturna e tosse ocorrem em até 80% dos 
casos. 
Ao exame físico, pode aparecer hepatomegalia (30%), acometimento do SNC 
(30%) e alterações cutâneas eritemato-pápulo-máculo-vesiculosas, mas este 
último sintoma é menos comum. Nesses casos, radiografias do tórax mostram 
opacidades bilaterais múltiplas e pequenas, denominadas “infiltrados 
miliares”. 
TUBERCULOSE EXTRA-PULMONAR 
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As principais formas diagnosticadas de tuberculose extrapulmonar no Brasil são pleural e/ou 
empiema pleural tuberculoso, ganglionar periférica, meningoencefálica, miliar, laríngea, 
pericárdica, óssea, renal, ocular e peritoneal. 
▪ Aproximadamente 20% dos casos de tuberculose em paciente HIV-negativo são 
formas extra-pulmonares. 
▪ Em áreas endêmicas, é mais comum ocorrer associadamente com a forma pulmonar e 
progressiva. Em áreas não-endêmicas, ocorre de forma isolada mais comumente, 
afetando mais idosos e representando reativação da doença. 
 Os sinais e sintomas da tuberculose extra-pulmonar dependem do foco, órgão ou sistema 
atingido. 
 As principais formas diagnosticadas em nosso meio são: Tuberculose pleural Forma 
mais comum de tuberculose extra-pulmonar em indivíduos sem 
coinfecção pelo HIV. 
 Cursa frequentemente com dor torácica pleurítica. Astenia, perda 
ponderal e anorexia ocorrem em cerca de 70% dos doentes; febre 
com tosse seca acontecem em 60%. Em pacientes com mais tempo 
de evolução da doença e com derrame pleural mais volumoso, a 
dispneia pode estar presente. 
 Em relação ao exame físico, observam-se macicez à percussão e 
ruídos respiratórios diminuídos. Radiografias de tórax 
frequentemente mostram derrame pleural unilateral. 
Essa forma ocorre por extensão direta de um foco caseoso subpleural que libera secreção para 
o espaço pleural, ou mesmo por via hematogênica. Nesses pacientes, o líquido pleural tem 
características de exsudato, com predomínio de linfócitos e, na maior parte das vezes, 
pesquisa para BAAR e cultura estarão negativas. 
 Níveis elevados de ADA (adenosina deaminase) no líquido pleural são frequentes e 
tem sido usado como critério de diagnóstico da TB pleural. Já a cultura para TB do 
escarro é positiva em 50% dos pacientes. 
➔ Empiema pleural tuberculoso 
Uma cavidade tuberculosa pode se romper e extravasar para o espaço pleural. Logo, teremos 
frequentemente líquido no espaço pleural e pneumotórax. A baciloscopia e a cultura do líquido 
são frequentemente positivas, ao contrário do que ocorre na tuberculose pleural. 
➔ Tuberculose ganglionar periférica 
 É a forma mais frequente de tuberculose extra pulmonar em indivíduos coinfectados com 
HIV. O paciente apresenta com aumento subagudo dos linfonodos, de forma indolor e 
assimétrica, das cadeias cervicais anterior e posterior, bem como supraclavicular. Em 
coinfectados com HIV, há maior tendência a acometimento de linfonodos bilateralmente. 
▪ Ao exame físico, os linfonodos estão endurecidos ou amolecidos, aderentes entre si e 
ao plano profundo, podendo flutuar ou fistulizar espontaneamente, inflamando a pele 
subjacente de MMII, dor em hipocôndrio direito e aumento do volume abdominal - por 
disfunção das câmaras direitas secundária à disfunção. A pericardiocentese e a biópsia 
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são métodos diagnósticos disponíveis. Se houver tamponamento, a pericardiocentese 
constitui também uma abordagem terapêutica. 
➔ Tuberculose óssea 
Mais comum em crianças ou indivíduos entre os 30 e 40