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Processo de Fecundação/ Anticoncepção de Emergência

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violências.
· Notificação dos Casos
· A Portaria GM/MS nº 1.271, de 6 de junho de 2014, define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional. Nesta, a violência sexual e a tentativa de suicídio passam a ter notificação imediata (24 horas) para a Secretaria Municipal de Saúde.
· Recursos Humanos
· A Portaria GM/MS nº 485 de 1º de abril de 2014, que redefine o funcionamento do Serviço de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), em seu art. 7º define a equipe dos Serviços de Referência para Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual, sendo: médico clínico ou médico em especialidades cirúrgicas; enfermeiro; técnico em enfermagem; psicólogo; assistente social; e farmacêutico.
· Materiais e Equipamentos
· São os mesmos utilizados no atendimento ambulatorial em ginecologia e obstetrícia (mesa clínica/ginecológica, biombo, foco de luz, lençol, tubos para coleta de sangue e lâminas, espéculo e pinças), podendo ser incluídos colposcópio e aparelho de ultrassonografia.
· Solicitação e Coleta de Exames
· Conteúdo vaginal: exame bacterioscópico (Clamídia, Gonococo e Trichomonas). Cultura para gonococo e PCR para Clamídia, se possível descrever se tem presença de espermatozóides no material.
· Sangue: Anti HIV; Hepatite B (HbsAG e anti Hbs); Hepatite C (anti HCV); Sífilis; Transaminases; Hemograma e ß HCG (para mulheres em idade fértil). Para os exames de HIV, Hepatite B e Sífilis serão realizados testes rápidos. O teste HIV é confirmatório e os demais – sífilis e hepatite devem ser encaminhadas amostras ao LACEN (Laboratório Central do Estado) para confirmação diagnóstica. O Hospital de Referência deve estar cadastrado no Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) com profissional responsável por receber e anexar o laudo ao prontuário.
· Exames Forenses: Os exames laboratoriais de interesse médico legal são realizados pelo médico perito ad hoc e subsidiam a investigação e identificação do(s) agressor(es), assim como a elaboração de laudos periciais. São eles: 
· Sangue da pessoa agredida (para possível posterior confronto de DNA, para dosagem alcoólica/toxicológica e ß HCG para mulheres em idade fértil). 
· Urina para análise toxicológica. 
· Swabs para pesquisa de sangue, espermatozóide e PSA (antígeno prostático específico), nas seguintes regiões: vagina, boca, vulva, ânus e pênis (esfregaços de regiões excepcionais podem ser realizados, dependendo do histórico da agressão – ex: swab sub-ungueal, região entre seios, interglútea, ou outras superfícies corporais com relato de ejaculação por parte do agressor). 
· Outros Materiais: absorvente, papel higiênico, vestes íntimas (calcinhas, cuecas, soutiens) e roupas em geral.
Panorama do Abuso Sexual
· BRASIL
· No período de 2011 a 2017, foram notificados no Sinan 1.460.326 casos de violência interpessoal ou autoprovocada. Desse total, foram registradas 219.717 (15,0%) notificações contra crianças e 372.014 (25,5%) contra adolescentes, concentrando 40,5% dos casos notificados nesses dois cursos de vida.
· Nesse período, foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes, concentrando 76,5% dos casos notificados nesses dois cursos de vida. Comparando-se os anos de 2011 e 2017, observase um aumento geral de 83,0% nas notificações de violências sexuais e um aumento de 64,6% e 83,2% nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes, respectivamente.
· A avaliação das características sociodemográficas de crianças vítimas de violência sexual mostrou que 43.034 (74,2%) eram do sexo feminino e 14.996 (25,8%) eram do sexo masculino. Do total, 51,2% estavam na faixa etária entre 1 e 5 anos, 45,5% eram da raça/cor da pele negra, e 3,3% possuíam alguma deficiência ou transtorno. As notificações se concentraram nas regiões Sudeste (40,4%), Sul (21,7%) e Norte (15,7%).
· Entre as crianças do sexo feminino com notificação de violência sexual, destaca-se que 51,9% estavam na faixa etária entre 1 e 5 anos e 42,9% entre 6 e 9 anos, 46,0% eram da raça/cor da pele negra, e as notificações se concentraram nas regiões Sudeste (39,9%), Sul (20,7%) e Norte (16,7%).
· Entre as crianças do sexo masculino com notificação de violência sexual, destaca-se que 48,9% estavam na faixa etária entre 1 e 5 anos e 48,3% entre 6 e 9 anos, 44,2% eram da raça/cor da pele negra, e as notificações se concentraram nas regiões Sudeste (41,8%), Sul (24,6%) e Norte (12,7%).
· BAHIA
· De acordo com os dados coletados através do sistema SINAN e analisados no programa EPI INFO, versão 3.5.4, observa-se que os municípios do Estado que mais notificaram casos de violência sexual, foram: Vitória da Conquista (22,3%), Salvador (19,9%) e Feira de Santana (15,1%). No período de 2009 a 2013 há um registro de um total de 2.657 casos. De acordo com o sexo e a faixa etária das vítimas (Fig. 1). a população feminina (87,5%) foi a que mais sofreu casos de violência. Entre essa população, a faixa etária de 10 a 14 anos foi a mais prevalente. Na masculina, a maior frequência ocorreu entre 5 a 9 anos.
· Encontra-se, no registro de dados que, no quesito raça cor, a parda, foi a mais declarada para ambos os sexos. 
· Quanto à escolaridade, predominou o ensino fundamental incompleto (5ª a 8ª série em ambos os sexos). 
· De acordo com a situação conjugal, a maioria afirmou ser solteira (44,5%). 
· Segundo local de ocorrência, a residência (56,1%), seguida por vias públicas (12,6%) apresentaram a maior proporção dos eventos. 
· Os agentes causadores da agressão no sexo feminino foram pessoas desconhecidas (24,2%), e amigas/conhecidas (22,4%). Para o sexo masculino pessoas conhecidas (35,6%) foram os principais perpetradores. 
· O número de agressores foi relatado como um, para a maioria das vítimas (83,1%). 
· De acordo com o tipo de violência sexual, o estupro (65,9%), seguido por assédio (21,1%) e exploração sexual (5,3%) foram os mais informados. 
· Quanto aos procedimentos realizados, à profilaxia contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) foi utilizada em 22,0% das vítimas, seguido de profilaxia HIV (19,5%) e Hepatite B (14,4%). Utilizou-se a contracepção de emergência em 11,4% dos atendimentos. 
· Como consequências da violência foram relatados os seguintes dados em números absolutos: 16 abortos, dentre estes, sete, foram previstos em Lei. 
· Além disso, 105 pessoas engravidaram e 137 foram detectadas com doenças sexualmente transmissíveis. 
· Observou-se 28 casos de tentativas de suicídio e 1038 pessoas que disseram sofrer algum tipo de transtorno comportamental e/ou mental. 
· Segundo local de encaminhamento para outros setores, a maioria dos casos atendidos foi encaminhada para o Conselho Tutelar (33,8%), e para o CREAS (33,2%). 
· A violência por repetição foi constatada em (37,6%) dos atendimentos realizados. 
· Como consequência extrema do evento foi constatado o registro de 12 casos de óbitos relacionados à violência doméstica e/ou sexual.