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Alterações Fisiológicas na Gravidez

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Lílian Brito – Mód. VII 2020
PROBLEMA 2- Intermediária
Alterações Fisiológicas na Gravidez
· Para que essas modificações experimentadas pela gestante sejam mais bem compreendidas, é conveniente distingui-las em sistêmicas e dos órgãos genitais.
· Modificações Sistêmicas
1. Postura e deambulação
· A postura da gestante se altera, precedendo mesmo a expansão de volume do útero gestante.
· A atitude adotada então é, de modo involuntário, a de quem carrega objeto pesado, mantendo-o, com as duas mãos, adiante do abdome.
· A gestante, ao andar, lembra, com seus passos oscílantes e mais curtos, a deambulação dos gansos - marcha anserina. A base de sustentação ampliada e os ângulos que formam os pés com a linha mediana aumentados, principalmente à direita, por conta do dextrodesvio uterino, conferem peculiaridades à sua movimentação.
· As articulações apresentam maior mobilidade durante ages· tação, notadamente as sacroilíacas e a sínfise pubiana. Atribui-se à relaxina, secretada pela placenta, a frouxidão dos ligamentos, especialmente da sínfise pubiana.
· A principal resultante dessas modificações é o aumento da capacidade pélvica, favorecendo a disjunção sinfisária e os movimentos de nutação do sacro.
2. Metabolismo
· Metabolismo glicídico. 
· Na gravidez, as alterações do metabolismo glicídico são notáveis: 
· Em razão de outra estrutura ter sido associada, o concepto, consumidor de glicose, a mãe vê-se submetida à permanente demanda de glicose. Diante de período prolongado de jejum, o feto continua a extrair glicose e aminoácidos da gestante, em taxas idênticas às observadas nos perlodos de alimentação (parasitismo verdadeiro).
· A fim de prover suprimento ininterrupto de glicose e de aminoácidos para o concepto, a gestante faz ajustes importantes: não consome mais indiscriminadamente a glicose como antes, e, à medida que a gravidez se desenvolve, a sua utilização periférica diminui, graças a elaboração de hormônios contrainsulares pela placenta.
· Metabolismo lipídico
· Durante a gestação, a mãe tem de adaptar o seu metabolismo para fazer frente à contínua demanda fetal de nutrientes através da placenta, a fim de suprir o seu desenvolvimento (Herrera & Munilla, 1997). Quantitativamente, a glicose e os amínoácidos são os nutrientes mais abundantes que atravessam a placenta, e a dependência do feto a essas substâncias é bem conhecida. Todavia, a placenta é praticamente impermeável aos lipídios, exceto aos ácidos graxos livres (AGL) e aos corpos cetônicos. Não obstante, alterações marcantes no metabolismo lipídico materno durante a gestação têm importantes implicações no crescimento fetal. Duas alterações consistentes no metabolismo materno durante a gestação são o acúmulo de lipídios nos tecidos da gestante e a hiperlipidemia gestacional. 
· Metabolismo do tecido adiposo materno
· O aumento do peso materno durante a gestação corresponde ao crescimento da unidade fetoplacentária e ao acúmulo dos seus próprios tecidos, especialmente o relacionado com. a elevação de lipídios nos depósitos de gordura.
· Esse aumento nos depósitos de gordura maternos é especialmente decorrente da lipogénese aumentada; ele corresponde à elevação na síntese de ácidos graxos e do glicerídio glicerol, indicando que a formação dos triglicerídios está exaltada.
· Hiperlipidemia materna
· Essa hiperlipidemia corresponde ao enriquecimento proporcional de triglicerídios nas frações lipoproteínas, mesmo naquelas que os transportam em baixas concentrações, tais como a lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a llpoproteína de alta densidade {HDL). O maior acúmulo absoluto nos triglicerldios no plasma, contudo, corresponde ao VLDL.
· Essas lipoproteínas são utilizadas no fígado, e os triglicerídios que elas carregam são derivados do AGL e do glicerol, que também são sintetizados no próprio órgão ou o alcançam a partir da circulação, na qual são liberados pela lipólise do tecido adiposo, que está muito aumentada no final da gestação, conforme descrito. 
· A produção acentuada dos triglicerídios VLDL e sua remoção diminuída da circulação em decorrência da menor atividade da lipoproteína lipase (LPL) no tecido adiposo são os principais fatores responsáveis pelo aumento dos triglicerídios VLDL durante a gestação. 
· A abundância de triglicerídios VLDL no plasma materno, assim como de outros fatores sumarizados na Figura 7.3, contribui para o acúmulo de triglicerídios nas outras lipoproteínas. 
· Um desses fatores é o aumento da atividade da proteína de transferência do éster de colesterol (CETP), que catalisa a transferência de triglicerídios do VLD L para as lipoproteínas pobres nesses lipídios, LDL e HOL, enquanto a de éster de colesterol ocorre no sentido contrário.
· Benefícios da hipertrigliceridemia materna para o feto
· Muito embora os triglicerídios não cruzem a barreira placentária, o feto se beneficia da hipertrigliceridemia materna:
· Sob condições de jejum, o fígado materno mostra aumento da atividade da LPL, tornando-se órgão receptor de triglicerídios circulantes que são usados como substrato para a síntese de corpos cetônicos, e esses compostos rapidamente se, difundem pela placenta e são utilizados pelo feto.
· A atividade da lipase na placenta torna ácidos graxos essenciais provenientes dos triglicerídeos maternos disponíveis para o feto. A lipase da placenta hidrolisa os triglicerídeos maternos, e os AGL liberados podem alcançar o feto para serem reconvertidos em triglicerídeos 
· A indução da LPL nas mamas por volta do parto dirige triglicerídios circulantes para essa glândula, visando à produção de leite. Por esse mecanismo, ácidos graxos essenciais da dieta materna que circulam na forma de triglicerídeos podem se tornar disponíveis para o lactente. 
· Acidos graxos essenciais
· Na gravidez, os ácidos graxos essenciais são necessários para o desenvolvimento da unidade fetoplacentária no início da gestação, e o ácido docosaexanoico (DHA), um tipo de ômega-3 derivado de peixe marinho, é vital para a homeóstase materna, assim como o desenvolvimento do cérebro e da retina fetal durante todo o 3° trimestre.
· Metabolismo proteico
· Este tema é mal estudado; a concentração da maioria dos aminoácidos está reduzida na gravidez. As proteínas totais, embora aumentem em valores absolutos pela hemodiluição plasmática, têm suas concentrações diminuídas. As de albumina sofrem redução nítida, enquanto é menor a queda das gamaglobulinas. Os teores de alfa e de betaglobulinas e os de fibrinogênio, ao contrário, ascendem.
· Metabolismo hidroeletrolítico
· Essa alteração hidroeletrolítica é decisiva para que ocorram outras modificações importantes, tais como o aumento do débito cardíaco e o do fluxo plasmático renal.
· Metabolismo do cálcio
· O nível de cálcio no soro é rigorosamente regulado e mantido nos limites normais pelo hormônio da paratireoide ou paratormónio (PTH) e pela vitamina D.
· Na Gravidez: Grande quantidade de cálcio (e de fósforo) é transferida contra gradiente de concentração da mãe para o feto (transporte ativo), com acúmulo de 25 a 30 g de cálcio no termo. Para isso, a absorção de cálcio no intestino dobra na gravidez, consequência também do nível duplamente elevado de vitamina D 3 de origem placentária e materna renal.
· Lactação: Durante a lactação, a perda diária de cálcio pelo leite é da ordem de 220 a 340 mg. Os níveis de PTHrP de origem mamária estão significativamente elevados na lactante e são responsáveis pela desmineralização do seu esqueleto, por estímulo à reabsorção tubular renal de cálcio e por supressão do PTH.
3. Sistema cardiovascular
· O início da gravidez é caracterizado por vasodilatação periférica, à conta, provavelmente, do aumento do óxido nítrico (NO), fator vasiativo, relaxante, elaborado pelo endotélio vascular.
· Aumento da frequência cardíaca (10 a 20%) 
· Aumento do volume sistólico (10%) 
· Aumento do débito cardíaco (30 a 50%)
· Diminuição da pressão arterial média (10%) 
· Diminuição da resistência periférica (35%).
4. Sistema sanguíneo
· A alteração marcante no volume plasmático observada