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AULA 03 - PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO

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Brenda Amengol 
1 
 
PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO 
* Há uma virtude muito grande de princípios espalhados pelas doutrinas agraristas, alguns 
que aparentemente nem seriam princípios, mas sim regras, e outros que, a despeito das 
diferentes nomenclaturas, significam exatamente a mesma coisa. 
* O princípio basilar do direito agrário é o da FUNÇÃO SOCIAL do imóvel rural, 
em torno do qual gravita toda a legislação, doutrina e os demais princípios agraristas. 
* Em verdade, o princípio da função social é fundamental constitucional básico que 
influencia vários ramos do direito, notadamente do Direito Civil, determinando regras de 
direito empresarial, contratual e real. Por isso, importa compreender o significado 
genérico da expressão função social, que é basicamente aquilo que a sociedade espera 
que seja feito, ou seja, a forma como a sociedade pretende que certo instrumento, 
instituto, direto, seja exercido ou utilizado. 
* O PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL é aplicado, no direito como um todo, de modo 
a limitar a autonomia privada. Objetivamente, o titular de um direito privado não pode 
exercê-lo da forma como bem entender, deve cumprir com alguns requisitos básicos, 
sob pena de perde-lo; sob pena de causar ato ilícito indenizável; perda por usucapião 
caso não tenha função social; entre outros. 
* No Brasil esse princípio é considerado o ponto central do Direito Agrário, notadamente 
em relação às políticas agrícolas e de incentivo à reforma agrária. O objetivo da Reforma 
Agrária é basicamente fazer a redistribuição do elevado índice de terras concentradas 
nas mãos de poucos, sem que estejam cumprindo a sua função social. 
* O instituto da desapropriação para fins de reforma agrária tem no princípio da função 
social a sua principal inspiração. 
* É assegurada a todos a oportunidade de acesso à propriedade da terra, 
condicionada pela função social. A propriedade da terra desempenha integralmente a 
sua função social quando, simultaneamente: favorece o bem-estar dos proprietários e dos 
trabalhadores que nela labutam, assim como de suas famílias; mantém níveis satisfatórios 
de produtividade; assegura a conservação dos recursos naturais; observa as disposições 
legais que regulam as justas relações de trabalho entre os que a possuem e a cultivam. 
Brenda Amengol 
2 
 
* Vale ressaltar que, a função social é cumprida quando a propriedade rural atende, 
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos 
seguintes requisitos: aproveitamento racional e adequado; utilização adequada dos 
recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; observância das 
disposições que regulam as relações de trabalho; exploração que favoreça o bem-estar 
dos proprietários e dos trabalhadores. 
* Considera-se racional e adequado o aproveitamento que atinja os graus de utilização da 
terra e de eficiência na sua exploração. A adequada utilização dos recursos naturais 
disponíveis quando a exploração se faz respeitando a vocação natural da terra, de 
modo a manter o potencial produtivo da propriedade. 
* Considera-se preservação do meio ambiente a manutenção das características próprias 
do meio natural e da qualidade dos recursos ambientais, na medida adequada à 
manutenção do equilíbrio ecológico da propriedade e da saúde e qualidade de vida 
das comunidades vizinhas. 
* Vale ressaltar que, a observância das disposições que regulam as relações de trabalho 
implica tanto o respeito às leis trabalhistas e aos contratos coletivos de trabalho, como às 
disposições que disciplinam os contratos de arrendamento e parceria rurais. Ademais, a 
exploração que favorece o bem-estar dos proprietários e trabalhadores rurais é a que 
objetiva o atendimento das necessidades básicas dos que trabalham a terra, observa as 
normas de segurança do trabalho e não provoca conflitos e tensões sociais no imóvel. 
* Requisitos da Função Social perpassam por três dimensões, (Produtividade e Justiça 
Social com Preservação Ambiental): 
- Econômica: relacionada a produtividade; 
- Social: relacionada ao bem-estar daqueles que desempenham as atividades agrárias e ao 
cumprimento das normas de natureza trabalhista; 
- Ambiental: relacionada à adequada utilização dos recursos naturais disponíveis e à 
preservação do meio ambiente. 
*OBS: Consequência da inobservância da Função Social no imóvel rural, está 
previsto no art. 184, CR/88: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, 
para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, 
mediante prévia e justa indenização em TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA, com 
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do 
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. 
Brenda Amengol 
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* Vale ressaltar que, são insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária a 
pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário 
não possua outra; a propriedade produtiva. 
* As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas 
culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da 
lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, 
sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções. Todo e 
qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e 
reverterá a fundo especial com destinação específica. 
* PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DO INTERESSE COLETIVO: será aplicado sempre 
que for constatada a improdutividade de um imóvel rural, haverá a necessidade de se 
implementar mecanismos de reforma agrária, dentre os quais se destaca a 
desapropriação por interesse social. 
* PRINCÍPIO DO COMBATE ÀS TERRAS IMPRODUTIVAS: além da evidente 
relação com as políticas de reforma agrária, este princípio visa promover a gradativa 
extinção dos latifúndios e minifúndios improdutivos. 
* PRINCÍPIO DA UTILIZAÇÃO DA TERRA SOBREPOSTA À TITULAÇÃO 
DOMINIAL: evitar o fenômeno da chamada “grilagem”, falsificação de títulos 
dominiais, fundamentada na usucapião especial rural. 
* PROGRESSO SOCIOECONÔMICO DO RURÍCOLA: o direito agrário determina 
várias regras que objetivam o desenvolvimento de todos aqueles que desenvolvem 
algum tipo de atividade agrária. 
* PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO DO HIPOSSUFICIENTE: o direito agrário 
determina várias regras que objetivam a proteção daqueles que são mais fracos nas 
relações jurídicas desenvolvidas em razão de atividades agrárias, o que fica muito visível 
nos contratos agrários, de arrendamento e parcerias. 
* PRINCÍPIO AO COOPERATIVISMO: o direito agrário, de forma geral, busca a 
formação de propriedades familiares e, para que isso seja possível, tenta estimular que 
essas famílias se reúnam em cooperativas e associações (não em sociedades empresárias), 
para que consigam atender, inclusive, o progresso socioeconômico do rurícola. 
* PRINCÍPIO DA PRIVATIZAÇÃO DAS TERRAS PÚBLICAS: o Estado, em 
regra, não pode exercer atividades agrárias. Não obstante, existe uma enorme 
quantidade de terras públicas e devolutas, de modo que não é do interesse da sociedade 
Brenda Amengol 
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que tais terras continuem sob o domínio do Estado, à exceção de algumas, por exemplo, 
que são necessárias à proteção do meio ambiente, terras ocupadas por indígenas, etc. 
OBS: Ressalvados os casos previstos na CF/88, a exploração direta de atividade 
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da 
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. 
* O Poder Público poderá explorar direta ou indiretamente, qualquer imóvel rural de sua 
propriedade, unicamente para fins de pesquisa, experimentação, demonstração e fomento, 
visando ao desenvolvimento da agricultura,a programas de colonização ou fins 
educativos de assistência técnica e de readaptação. 
* Os imóveis rurais pertencentes à União, cuja utilização não se enquadre nos termos 
conferidos pelo Estatuto da Terra, art.10, poderão ser transferidos ao Instituto Brasileiro 
de Reforma Agrária, ou com ele permutados por ato do Poder Executivo. 
* SOMENTE A UNIÃO PODE LEGISLAR SOBRE DIREITO AGRÁRIO.

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