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Abdome inflamatório

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4º período Clínica Cirúrgica Vitória Araújo 
 
 
 
 
 
📌 É o tipo de abdome agudo mais comum. 
Etiologia 
4 causas principais: 
© Apendicite 
© Colescitite 
© Pancreatite 
© Diverticulite 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O líquido da peritonite bacteriana primária pode 
ser coletado pela paracentese, já a da peritonite 
secundária não, pois não tem líquido o suficiente 
para puncionar. 
 
Apendicite 
Etiologia: causa mais comum de abdome agudo 
Obstrução da luz do apêndice. 
Causada por: 
1- Fecalitos (fezes endurecidas) 
 
 
2- Cálculos biliar 
3- Corpo estranho/parasitas 
4- Neoplasias 
 
Fisiopatologia 
➢ Obstrução da luz do apêndice, liberação normal 
da secreção do apêndice – supercrescimento 
bacteriano. 
➢ Como está obstruído e a secreção não para de 
ser liberada, ocorre a distensão do órgão, aumento 
da pressão interna, gerando compressão das 
paredes do apêndice, comprometendo o retorno 
venoso e arterial evoluindo então com isquemia (
↓ oxigenação de um local) 
➢ Evolução: necrose e perfuração 
➢ Perfuração pode ser bloqueada (abcesso 
localizado) ou livre (peritonite difusa). 
 
Exame clínico: sinais semiológicos 
➢ Sinal de psoas 
 
Dor a hiperextensão da coxa 
 
➢ Sinal obturador 
 
Dor a produzida pela rotação interna da coxa 
fletida. 
 
➢ Sinal de Rovsing 
 
 
Palpação da fossa ilíaca esquerda e o paciente 
sente dor na fossa ilíaca direita. 
 
Abdome Inflamatório Abdome Inflamatório 
Peritonite 
É uma inflamação no peritônio. 
O peritônio é uma membrana que reveste a 
cavidade abdominal (paritônio parietal) e 
vísceras (peritônio visceral). 
É um achado e não uma doença em si. 
Pode ter evolução aguda (perfuração de 
órgãos) ou crônica (doença inflamatória 
pélvica). 
Extensão: localizada(bloqueada) ou difusa 
(generalizada). 
Origem: 
Primária – sem foco infeccioso de vísceras 
abdominais. Ex. Cirrose e Sd. Nefrótica. 
Paciente possui ascite (fator predisponente) 
Cirrose- com a descompensação da doença, 
ocorre translocação das bactérias para 
cavidade peritoneal causando a p. primária 
 Secundária – causada por uma víscera com 
foco infeccioso. Ex. apendicite e colescistite. 
 
4º período Clínica Cirúrgica Vitória Araújo 
➢ Sinal de Blumberg 
Pressão progressiva, lenta e continua no ponto 
apendicular, e descomprimir bruscamente a região 
(estiramento rápido do peritônio) causando a dor 
aguda inflamatória. 
 
Sintomas 
➢ É uma dor mal definida (dor visceral) – dor de 
origem embrionária ↓ 
Dor epigástrica ou periumbilical 
 ➢ 4 a 12 horas, náuseas, anorexia e febre baixa 
 ➢ 12 a 24 horas, a dor aumenta e se localiza em 
fossa ilíaca direita (FID) – dor parietal. 
➢Essa migração da dor é conhecida como 
cronologia de Murphy. 
© Vômito 
© Diarreia (após o início da dor) 
© Tensão da parede do abdome 
© Perda do apetite 
© Pode apresentar defesa abdominal 
involuntária e dor a descomprensão brusca 
do ponto de Mcburney. 
 
Diagnóstico 
➢ História e exame físico 
➢ Exame complementares 
 -Hemograma (leucocitose – desvio à esquerda) 
 -PCR (ambos indicam inflamação, mas não o 
local) - alto 
 -Ultrassom e tomografia (localizar inflamação) 
Tc- identifica-se: 
 - Fecalito (fezes calcificadas); 
 - Aumento do diâmetro do apêndice; 
 - Densificação ou borramento da gordura 
periapendicular (gordura ao redor do órgão está 
inflamada) 
 - Líquido periapendicular (líquido inflamatório 
ao redor do apêndice) 
➢ Escore de Alvarado (ajuda na prática a reunir 
todos os achados). 
 
 
 
➢ O que ajuda encontrar o local de infecção é o 
exame físico e os exames de imagem. 
 
Conduta 
➢ Antibioticoterapia 
➢ Cirurgia: apendicectomia convencional ou 
videolaparoscópica. 
 
Diverticulite 
➢ Caracterizada principalmente por bolsas 
pequenas salientes da parede interna do intestino 
(divertículos) que inflama. 
➢ Não é normal ter esses divertículos, e quando 
aparecem se chama doença diverticular. 
➢ É causada pelos fatores de risco (constipação, 
idade, sexo, obesidade). 
➢ Com a fragilidade da parede do intestino 
associada o aumento de pressão dentro do 
intestino (constipação crônica), quando o paciente 
faz força para evacuar ocorre a formção dessas 
saculações. 
 
A inflamação da diverticulite é causada pela 
obstrução dessas saculações. 
 
➢ Nem todo mundo que tem diverticulose, terá 
diverticulite. 
 
Fisiopatologia 
 
Obstrução do divertículo 
↓ 
Hipersecreção de muco 
↓ 
Proliferação bacteriana 
↓ 
Comprometimento vascular 
↓ 
Necrose/ erosões/ perfurações 
 
➢Fisiologicamente o intestino já possui locais 
específicos de fragilidade. 
4º período Clínica Cirúrgica Vitória Araújo 
➢Geralmente é um fecalito que obstrui o 
divertículo. 
Os divertículos surgem em áreas de fragilidade na 
entrada dos vasos sanguíneos. 
 
Complicações 
 ➢ Abcessos volumosos 
➢ Estenoses (área de estreitamento do vaso) 
➢ Obstruções 
➢ Fístulas (comunicação anormal entre dois 
órgãos) 
➢ Sangramentos 
➢ Perfurações 
 
Classificação de Hinchey 
Tipo I e II- considerada diverticulite não 
complicada, tratamento não-cirúrgico de 
emergência, apenas com antibioticoterapia. 
Tipo III e IV- diverticulite complicada, 
necessitando de uma abordagem cirúrgica. 
 
 
 
 
 
 
Sintomas 
➢ É comum apresenta-se com: 
• Dor no abdome quadrante inferior 
esquerdo do abdome (FIE). 
• Febre baixa 
• Alterações na movimentação intestinal 
• Anorexia 
• Leucocitose moderada 
 
Diagnóstico 
➢ Anamnese + exame físico 
➢ Tomografia computadorizada de abdome 
(exame padrão ouro). 
 
Na fase aguda são proibidos pedir os seguintes 
exames: 
- Enema opaco (exame radiológico com aplicação 
de contraste pelo ânus do paciente). 
- Colonoscopia (câmera pelo ânus do paciente). 
Vão prejudicar o paciente, por conta dos 
divertículos estarem inflamados, o aumento da 
pressão pode causar perfuração. 
 
➢ No exame físico, ao palpar a região de fossa 
ilíaca esquerda, paciente sentirá dor e dor a 
descompressão. 
➢ Pode identificar também um plastrão palpável 
no exame físico 
➢ Diminuição dos RHA. 
 
Conduta 
➢ Se não houver sinais de gravidade (sepse, 
choque séptico): 
• Dieta leve e líquido; 
• Prescrição de analgésicos e antibióticos 
(escolher antibióticos para gram-negativas 
entéricas -cefalosporina de 3º geração - e 
bactérias anaeróbicas - metronidazol). 
 
➢ Gravidade: 
• Cirurgia; 
• Drenagem dos abcessos (acima de 4 cm- 
punção). 
 
 
TIPO I TIPO II- abcesso 
volumosa. 
TIPO III 
Disseminação de pus para 
toda cavidade peritoneal 
(peritonite purulenta). 
TIPO IV- perfuração 
com peritonite fecal- 
disseminação de fezes 
para todo lado.