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CELULA

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CÉLULA
1. HISTÓRICO
A invenção de lentes de aumento e
a sua combinação no microscópio
foi o diferencial para uma maior
compre ensão dos constituintes dos
organis mos. Em 1590, os irmãos
Jansen in ventaram o microscópio e
em 1611, Kepler apresentou o
projeto de um microscópio
composto.
Por volta de 1665, o cientista inglês
Robert Hooke, dedicou-se à observa
ção da estrutura da cortiça, para ten
tar descobrir o que fazia dela um ma
terial tão leve e flutuante. Então,
teve a ideia de cortá -la em fatias
finas o bastante para que
pudessem ser ob servadas ao
microscópio. Através das lentes de
aumento, ele constatou que a
cortiça era formada por muitas cavi
dades preenchidas com ar. Dois
anos depois, Hooke publicou a obra
Micro graphia, onde denominou as
estrutu ras ocas de “células”.
Na mesma época em que Hooke pu
blicou a Micrographia, começaram a
surgir outras obras sobre a observa
ção microscópica, principalmente
dos vegetais. Os cientistas usavam
o ter mo célula para muitas outras
estru turas, além usarem expressões
como “poros microscópicos”,
“bolhas”, “sá culos” e “utrículos”.
Em 1673, o microscopista holandês
Leeuwenhoeck observou as primei
ras células animais: os glóbulos ver
melhos de sangue. Por serem
células animais muito menores,
pensava-se
na época que apenas o sangue era
formado por estruturas microscó
picas. Inicialmente, os glóbulos não
foram considerados células, pois os
cientistas não esperavam encontrar
estruturas básicas em comum para
animais e vegetais. Por algum
tempo, os glóbulos continuaram a
ser obser vados em várias partes
dos animais, como nervos,
músculos e pele, mas não se
suspeitava que os tecidos fos sem
formados totalmente por essas
estruturas.
Em 1674, Leeuwenhoeck relatou a
descoberta do protozoário; em
1677, do espermatozoide humano e
de ou tras diversas espécies; e em
1683 da bactéria, ao estudar o
tártaro dentário.
A partir de 1744, os cientistas come
çaram a pesquisar uma substância
viscosa encontrada no interior de vá
rias microestruturas animais. Quator
ze anos depois, a mesma substância
foi reconhecida nas microestruturas
vegetais, reafirmando a similaridade
entre as células animais e vegetais.
Em 1860, a substância recebeu o
nome oficial de protoplasma, e pas
sou a suspeitar-se que ela estaria
presente em todos os seres vivos.
Com a melhoria dos microscópios
compostos, Robert Brown, em
1833, descobriu um elemento
esférico no centro de uma célula,
denominando-
-o núcleo (do latim nuculeus,
semen te de uma noz pequena, a
núcula).
A CÉLULA 4
Em 1838, Schleiden formulou o prin
cípio de que todos os vegetais são
constituídos de células. Em 1839, o
zóologo alemão Theodor Schwann
publicou a obra Investigações
Micros cópicas sobre a Estrutura e
Cresci mento dos Animais e das
Plantas que passou a ser conhecida
como a Teoria Celular. Na obra,
Schwann afirma que não apenas os
tecidos vegetais, mas também
todos os tecidos animais são
formados por células. Ele se baseou
no fato da presença do núcleo em
todos os tipos de células, e na
obediência a
um processo básico comum de for
mação comandado pelo núcleo.
Schwann identificou a célula como a
base das funções vitais dos organis
mos. Para ele, as células tinham dois
tipos de atividades: uma plástica, res
ponsável pelo crescimento, e outra
metabólica, responsável pela trans
formação das substâncias intercelu
lares em elementos das células. Sua
teoria foi bastante modificada pelas
descobertas do século XX, mas seu
trabalho foi marcante para a ciência
ao provar que há uma unidade no
mundo vivo e que ela reside na
célula.
SAIBA MAIS!
O grande avanço no conhecimento da biologia celular foi a invenção dos microscópios ele
trônicos em 1931, por dois engenheiros alemães – Ernst e Max Knoll -, o que possibilitou
a visualização das organelas celulares em grandes detalhes.
1590 Invenção do microscópio
(Irmãos Jansen)
1665 Análise da fatias de cortiça � Células
(Robert Hooke)
Descoberta do protozoário
1674
Descoberta do espermatozoide
1677
humano
1683
Descoberta da bactéria
(Antoni van Leeuwenhoek)
1833 Descoberta do núcleo
(Robert Brown)
“Todos os vegetais são
constituídos de células”
(Matthias Schleiden)
1839
1838
“Todos os animais também
são constituídos de células
(Theodor Schwann)
Figura 1. Histórico da teoria celular.
A CÉLULA 5
2. INTRODUÇÃO
As células constituem as unidades
estruturais e funcionais básicas de
todos os organismos multicelula res,
além de compor os organismos
unicelulares.
As células que estão relacionadas
en tre si, ou que são semelhantes
umas às outras, assim como as
células que funcionam de um
determinado modo ou servem a um
propósito comum, agrupam-se
formando tecidos. Esses tecidos se
agrupam formando os ór gãos que,
por sua vez, estão unidos em
sistemas de órgãos.
Durante a evolução dos metazoá
rios, as células foram, aos poucos,
modificando-se e especializando-se,
e passaram a exercer determinadas
funções com maior rendimento. O
processo de especialização deno
mina-se diferenciação celular. Nele,
observa-se uma sequência de modi
ficações bioquímicas, morfológicas e
funcionais que transformam uma cé
lula primitiva indiferenciada, que exe
cuta apenas as funções celulares bá
sicas, essenciais para a
sobrevivência da própria célula, em
uma célula ca paz de realizar
determinadas funções com grande
eficiência.
SAIBA MAIS!
Em todos os tecidos, algumas células permanecem com grande potencial para se
diferencia rem em células especializadas do tecido em que estão localizadas. Essas
células não diferen ciadas, ou incompletamente diferenciadas, são denominadas
células-tronco e sua principal função é se multiplicar por mitoses para substituir as
células do tecido que morrem por enve lhecimento normal ou são destruídas por
processos patológicos. Quando cultivadas in vitro no laboratório, as células-tronco
podem ser induzidas a se diferenciar em tipos celulares de outros tecidos. Por isso, os
pesquisadores estão tentando usar células-tronco de um tecido para corrigir lesões de
outros.
Embora o corpo humano seja com
posto por mais de 200 diferentes ti
pos de células, cada uma realizando
uma função diferente, todas as cé
lulas possuem certas características
comuns e assim podem ser
descritas em termos gerais. Cada
célula está envolvida por uma
membrana plas mática, possui
organelas que permi tem exercer
suas funções, sintetiza
macromoléculas para o seu próprio
uso ou para exportação, produz
energia e é capaz de se comunicar
com outras células.
3. CLASSIFICAÇÃO
Apesar da grande variedade de ani
mais, plantas, fungos, protistas e
bactérias, existem somente dois
tipos básicos de células: as
procariontes e as eucariontes.
A CÉLULA 6
Os procariontes (ou procariotos) sur
giram muito antes dos eucariontes,
há aproximadamente três bilhões de
anos e constituem células que não
apresentam envoltório nuclear deli
mitando o material genético.
Também não possuem organelas
membrano sas e citoesqueleto, de
modo que não ocorre o transporte
de vesículas en volvida na entrada
(endocitose) e na saída (exocitose)
de substâncias. É o caso das
bactérias e das algas azuis.
Os procariontes são tipicamente es
féricos, semelhantes a um bastão ou
em forma de um saca-rolha e peque
nos – apenas uns poucos
micrômetros de comprimento,
embora existam al gumas espécies
gigantes, 100 vezes maiores do que
isso. Elas frequente mente têm uma
cobertura protetora resistente,
chamada de parede celu lar,
envolvendo a membrana plasmá
tica, que envolve um único compar
timento contendo o citoplasma e o
DNA. Conforme a bactéria, a espes
sura dessa parede é muito variável.
Ela é constituída por um complexo
de proteínas e glicosaminoglicanos.
Além da parede celular, os procario
tos podem apresentar também uma
cápsula que permite a célula aderir a
superfícies no ambiente.
Algumas bactérias também têm es
truturas especializadas encontradas
na superfície da célula, que podem
ajudá-las a se mover, aderir a
superfí cies ou ainda trocar material
genético com outras bactérias. São
elas: