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CELULA

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além do dióxido de carbono
(CO2), grandes quantidades de
nicotinamida- -adenina-dinucleotídeo
(NADH) e de flavina
adeninadinucleotídeo (FADH2), que
são cofatores reduzidos. Os elé trons
captados por esses cofatores são
transportados pela cadeia transporta
dora de elétrons, presente na
membrana mitocondrial interna, e
reduzem a oxigê nio (O2) para formar
água. A passagem desses elétrons
pela cadeia transporta dora gera um
diferencial de energia que é
armazenado na forma de ATP.
A matriz também contém DNA mito
condrial, ribossomo e RNA (ribosso
mal, mensageiro e transportador). O
DNA das mitocôndrias se apresenta
como filamentos duplos e circulares,
semelhantes aos cromossomos das
bactérias. Esses filamentos sintetiza
dos na mitocôndria, e sua
duplicação é independente do DNA
do núcleo celular. Seus ribossomos
são meno res do que os do citosol e
semelhan tes aos das bactérias. As
mitocôndrias sintetizam proteínas,
porém, devido à pequena
quantidade de DNA mito condrial,
apenas algumas proteínas são
produzidas localmente. A maio ria
delas é sintetizada em polirribos
somos livres no citosol e depois são
transferidas para as mitocôndrias.
A CÉLULA 50
Figura 32. Estrutura das mitocôndrias demonstrada pela microscopia eletrônica. C, cristas; M, matriz. Fonte:
L.C.JUN QUEIRA; CARNEIRO, José. Histologia Básica: Texto e Atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan
Ltda, 2013
A CÉLULA 51
As mitocôndrias apresentam algu
mas características em comum com
as bactérias e, por isso, muitos pes
quisadores admitem que elas se ori
ginaram de uma bactéria ancestral
aeróbia que se adaptou a uma vida
endossimbiótica em uma célula eu
cariótica. Essa hipótese, conhecida
como Hipótese de Margulis, recebeu
apoio com a demonstração de que
as mitocôndrias contêm o seu
próprio genoma, são capazes de
aumentar em número por divisão
binária, sin tetizam algumas de suas
proteínas estruturais e apresentam
duas mem branas, o que sugerem
que foram
“engolfadas” pelas células eucarióti
cas primitivas com as quais viveram
inicialmente em simbiose.
SAIBA MAIS! Da mesma forma que as
mitocôndrias, acredita-se que os cloro
plastos, organelas características das
células vegetais, formaram-se a partir
de um procarioto fotossintetizante que
foi engolfado por uma célula
eucariótica aeróbia.
Ribossomos
Os ribossomos são pequenas partí
culas elétron-densas, medindo 20 a
30 nm de comprimento, compostas
de quatro tipos de RNA ribossomal
(rRNA) e cerca de 80 proteínas dife
rentes. Há dois tipos de ribossomos:
um tipo é encontrado nas células
procariontes, cloroplastos e mitocôn
drias; o outro tipo ocorre em todas
as células eucariontes. Ambos os ti
pos de ribossomos são constituídos
por duas subunidades de tamanhos
diferentes – uma subunidade maior
e uma subunidade menor, ambas
produzidas no nucléolo, e liberadas
como entidades separadas no
citosol, se unindo apenas quando a
síntese proteica começa. A
subunidade me
nor tem um valor de sedimentação
de 40S e é composta de 33
proteínas e um RNAr de 18S. O
valor de sedi mentação da
subunidade maior é de 60S, e ela
consiste em 49 proteínas e três
RNAr. As proteínas são todas
sintetizadas no citoplasma, migram
para o núcleo através dos poros nu
cleares e se associam aos rRNA.
Aminoácido
Subunidade
maior
ribossomal
RNAt
Figura 34. Estrutura dos ribossomos. Fonte: Biology OpenStax
A CÉLULA 54
Em razão dos numerosos grupamen
tos fosfato do rRNA, os ribossomos
são basófilos. Por isso, os locais do
citoplasma que são ricos em ribos
somos se coram intensamente pelos
corantes básicos como a hematoxi
lina, o azul de metileno e o azul de
toluidina.
SAIBA MAIS! Nas células nervosas, há
grandes corpúsculos basófilos conheci
dos como corpúsculos de Nissl que con
sistem tanto em retículo
endoplasmático rugoso quanto em
grande número de ribossomos livre.
Os ribossomos funcionam como
local para a síntese de proteínas; a
subuni dade menor tem um sítio de
ligação para o RNAm, um sítio para
a ligação do RNAt com o peptídeo
em cres cimento, um sítio para a
ligação do RNAt trazendo o
aminoácido a ser acrescentado no
polipeptídeo e um
sítio onde o RNAt impede que seus
aminoácidos saiam do ribossomos.
Assim, o ribossomo contribui para a
tradução das proteínas,
decodificando o código contido no
mRNA, indican
do a sequência de aminoácidos que
compõe a proteína a ser sintetizada.
Os ribossomos podem ser encontra
dos livres no citoplasma, onde sinte
tizam proteínas do citosol, do
núcleo, das mitocôndrias e dos
perixossomos. Quando as proteínas
são destinadas para as demais
organelas, para o en voltório nuclear,
a membrana celular ou o exterior,
os ribossomos estão as sociados ao
retículo endoplasmático.
SE LIGA! Polirribossomos são grupos
de ribossomos unidos por uma molécu
la de RNA mensageiro, possibilitando a
produção simultânea de muitas cópias
de uma proteína específica.
A CÉLULA 55
Retículo endoplasmático
O retículo endoplasmático (RE) é o
maior sistema de membranas da cé
lula, compreendendo aproximada
mente metade do volume total das
membranas de uma célula. É for
mado por uma rede de membranas
interconectadas na forma de vesícu
las e túbulos, cujo lúmem é
conhecido como cisterna. Dois tipos
de retículo endoplasmático são
observados: liso (ou agranular) e
rugoso (ou granular), os quais
apresentam características
morfológicas e funcionais distintas.
Retículo endoplasmático rugoso
(RER)
O retículo endoplasmático rugoso
está presente em praticamente to
das as células do corpo, sendo mais
abundante nas células
especializadas na secreção de
proteínas, como as células acinosas
do pâncreas (enzi mas digestivas),
fibroblastos (coláge no) e
plasmócitos (imunoglobulinas).
As cisternas saculares ou achatadas
do RER são limitadas por uma mem
brana que é contínua com a mem
brana externa do envelope nuclear.
A designação retículo endoplasmáti
co “rugoso” decorre da presença de
polirribossomos aderidos à
superfície citosólica da membrana
da organela, os quais também
conferem basofilia ao RER, ao
microscópio óptico.
as proteínas integrais da membrana,
SE LIGA! A porção do citoplasma que
se cora com o corante básico, devi do à
presença do RER, é denominada
ergastoplasma.
O retículo endoplasmático rugoso,
em parceria com os
polirribossomos, tem um
importante papel na síntese e ex
portação de proteínas, sintetizando
montando moléculas proteicas com
múltiplas cadeias polipeptídicas e
separando do citosol proteínas des
tinadas à exportação das de uso in
tracelular. Outras funções são a glico
silação inicial das glicoproteínas e a
síntese de fosfolipídeos.
A CÉLULA 59
SE LIGA! Toda a síntese de proteínas inicia-se em polirribossomos localizados no citosol
e, depois, uma partícula específica inibe a continuação do alongamento da cadeia
proteica até que o polirribossomo ligue-se a um receptor da membrana do RER. Em
seguida, já com o polirribossomo associado à membrana do retículo, a síntese proteica
continua.
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As proteínas sintetizadas podem ter
dois destinos: como proteínas trans
membranares ou proteínas hidrosso
lúveis. As proteínas transmembrana
res podem permanecer na
membrana do retículo ou serem
destinadas à membrana plasmática
e à membrana de outras organelas.
Por outro lado, proteínas
hidrossolúveis, quando sin tetizadas,
podem ser direcionadas para o
complexo de Golgi ou encami
nhadas ao lúmen de alguma
organela e secretadas no meio
extracelular. No
lúmen do RER, podem ocorrer modi
ficações pós-traducionais nas proteí
nas sintetizadas, incluindo
sulfatação, dobramento,
hidroxilação, fosforila ção e
glicosilação.
A CÉLULA 60
Retículo endoplasmático liso
(REL)
O retículo endoplasmático liso, ou
agranular, é caracterizado pela au
sência de ribossomos aderidos à
sua membrana e apresenta-se como
uma rede de delgados túbulos que
se anastomosam entre si. A
membra na do retículo
endoplasmático liso é contínua com
a do retículo granulo so, embora
existam diferenças entre as
moléculas que constituem essas
duas variedades de membrana.