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CELULA

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Figura 39. Eletromicrografia do retículo endoplasmático liso de uma célula do córtex da glândula suprarrenal
humana. Fonte: GARTNER, Leslie P.; HIATT, James. L.. Tratado de Histologia em Cores. 3. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2007
A CÉLULA 61 O retículo endoplasmático liso contém
enzimas para a síntese de lipídios,
inclusive dos fosfolipídios da mem
brana celular e dos hormônios este
roides, o metabolismo do glicogênio
e a detoxicação de certas drogas e
substâncias nocivas, inclusive álcool.
Ele está ainda envolvido na forma
ção e na reciclagem da membrana e,
em algumas células, no sequestro
de Ca2+.
SE LIGA! Nas células do fígado, o retí
culo endoplasmático liso é abundante,
sendo responsável pelos processos de
conjugação, oxidação e metilação, dos
quais lançam mão para inativar determi
nados hormônios e neutralizar substân
cias nocivas e tóxicas, como os barbitú
ricos e outros fármacos.
Nas células continuamente ativas
para as funções citadas anterior
mente, a abundância dessa organe
la membranosa confere eosinofilia
aos seus citoplasmas, como é o caso
das células da glândula adrenal que
produzem hormônios esteroides.
Por outro lado, as células que não
desem penham essas funções,
apresentam uma escassez do
retículo.
SE LIGA! Nas células musculares, o
REL é altamente especializado no ar
mazenamento de íons cálcio,
essenciais para a contração muscular,
de modo que essa organela recebe o
nome de retículo sarcoplasmático.]
As moléculas de fosfolipídeos produ
zidas no retículo endoplasmático liso
são transferidas para outras
membra nas: (1) por meio de
vesículas que se destacam e são
movidas por proteí nas motoras, ao
longo dos microtúbu los; (2) por
comunicação direta com o retículo
endoplasmático rugoso; e (3) por
meio das proteínas transportado ras
de fosfolipídeos.
A CÉLULA 62
864p.
Complexo de golgi (ou aparelho
de golgi)
O complexo de Golgi, também cha
mado de aparelho de Golgi, é um
conjunto de vesículas achatadas e
empilhadas, com as porções laterais
dilatadas. Na maioria das células, o
complexo de Golgi se localiza em
uma determinada região do citoplas
ma. Em certos tipos celulares,
porém, como nas células nervosas,
pode ser encontrado sob a forma
de peque nos agrupamentos
dispersos pelo citoplasma.
Figura 41. Citoplasma de célula eucariótica apresentando complexo de Golgi. (G) com suas cisternas empilhadas,
vesículas e mitocôndrias. Fonte: BARBOSA, Helene Santos; CÙRTE-REAL, Suzana. Biologia celular e
ultraestrutura: capítulo 1. In: MOLINARO, Etelcia Moraes; CAPUTO, Luzia Fátima Gonçalves; AMENDOEIRA,
Maria Regina Reis. Con ceitos e Métodos para a Formação de Profissionais em Laboratórios de Saúde: volume 2.
Rio de Janeiro: Ioc, 2010.
Essa organela é uma estrutura pola
rizada, apresentando faces diferen
tes. Sua superfície convexa ou face
cis recebe as vesículas que saem do
retículo endoplasmático contendo as
proteínas recém-formadas,
enquanto a superfície côncava ou
face trans ori gina vesículas onde o
material deixa o Golgi. As cisternas
do Golgi apre sentam enzimas
diferentes confor me a posição da
cisterna, segundo
o sentido cis-trans. Essas enzimas
participam da glicosilação, sulfata
ção, fosforilação e hidrólise parcial
de proteínas sintetizadas no retículo
en doplasmático granuloso. Em
seguida, com as mudanças
pós-traducionais completas, as
proteínas são empaco tadas e elas
são encaminhadas para vesículas
de secreção, para lisosso mos ou
para a membrana celular.
A CÉLULA 65
SE LIGA! Além das proteínas, lipídeos
também podem ser glicosilados e sulfa
tados nessa organela.
O complexo de Golgi não se cora nos
cortes histológicos corados com he
matoxilina-eosina, mas apresenta a
capacidade de reduzir os sais de me
tais, como, por exemplo, os sais de
ósmio e de prata.
Lisossomos
Os lisossomos são pequenas orga
nelas membranosas (0,05 a 0,5 µm
de diâmetro) com mais de 40 enzi
mas hidrolíticas, dentre elas, fosfata
ses, proteases, nucleases, glicosida
ses, lipases, fosfolipases e sulfatases
– enzimas com função de digestão
intracitoplasmática. Essas enzimas
são ativas em pH ácido (por vol ta
de pH = 5) e esse pH é mantido por
H+ - ATPases presentes em sua
membrana, que bombeiam íons H+
para o interior dos lisossomos. Essas
organelas coram-se por técnicas ci
toquímicas para a fosfatase ácida e
apresentam aspecto granular nas mi
crografias eletrônicas.
A principal função dos lisossomos é
a digestão intracelular, permitindo,
assim que, a célula seja capaz de de
gradar partículas, macromoléculas,
microrganismos ou outras células
pro venientes da endocitose. Além
disso, os lisossomos agem na
eliminação de organelas ou partes
danificadas da
Essas organelas são encontradas
em todas as células, porém, são
mais abundantes nas fagocitárias,
como os macrófagos e os
leucócitos neutrófi
los, e o conteúdo enzimático varia
de acordo com a célula.
As enzimas dos lisossomos são sin
tetizadas no retículo endoplasmático
rugoso e transportadas para o com
plexo de Golgi, no qual são modifica
das e empacotadas nas vesículas
que constituem os lisossomos
primários. Partículas do meio
extracelular são in troduzidas na
célula por meio dos fa gossomos,
vesículas que se formam pela
fagocitose. A membrana dos
A CÉLULA 70
lisossomos primários funde-se com a
digestão intracelular tem lugar dentro
dos fagossomos, misturando as enzi
desse novo vacúolo, que é chamado
mas com o material a ser digerido. A
de lisossomo secundário.
Figura 46. Eletromicrografia de um macrófago. Observe os prolongamentos citoplasmáticos abundantes (setas)
e, no centro, um centríolo (C), circundado pela cisterna do complexo de Golgi (G). Numerosos lisossomos
secundários (L) dispersos no citoplasma. Fonte: L.C.JUNQUEIRA; CARNEIRO, José. Histologia Básica: Texto e
Atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2013
Em alguns casos podem ficar no li
sossomo restos de material não di
gerido, formando-se assim um cor
po residual, que pode ser eliminado
como os neurônios e as células mus
culares cardíacas, os corpos
residuais se acumulam com o
tempo, formando os grânulos de
lipofuscina.
do citoplasma. Em algumas células,
Nas situações de autofagia, as orga
nelas ou partes danificadas da
célula são envolvidas por
membrana do REL. Os lisossomos
primários fundem-se
com essas estruturas e digerem o
material contido nelas. Forma-se as
sim um lisossomo secundário que re
cebe o nome de autofagossomo.
A CÉLULA 72
SE LIGA! Em certos casos, os lisossomos são eliminados da célula e suas enzimas agem
so bre o meio extracelular. Um exemplo é a destruição da matriz do tecido ósseo pela
colagenase armazenada em lisossomos e secretada pelos osteoclastos durante o
crescimento dos ossos.
NA PRÁTICA!
Na maioria das doenças lisossomais uma enzima está ausente ou inativa e a digestão
de certas moléculas (glicogênio, cerebrosídeos, gangliosídeos, esfingomielina,
glicosamino glicanos) não ocorre. O resultado é que a substância se acumula em
diversas células e interfere no funcionamento normal delas. Um exemplo é a
leucodistrofia metacromática, na qual, ocorre um acúmulo intracelular de
cerebrosídeos sulfatados (um tipo de lipídeo) devido a uma deficiência na enzima
sulfatase.
Proteassomos
São pequenas organelas, presentes
no citoplasma ou no núcleo, compos
tas de complexos de proteases que
digerem as proteínas marcadas com
ubiquitina. Assim, são removidas as
enzimas após sua ação, proteínas
defeituosas, proteínas em excesso e
proteínas codificadas por vírus, que
seriam usadas para produzir novos
vírus.
SE LIGA! A atividade dos
proteassomos se faz sobre moléculas
proteicas indi vidualizadas, enquanto
os lisossomos atuam sobre material
introduzido em quantidade na célula, e
sobre organelas.
O proteassomo tem a forma de bar
ril, sendo constituído por quatro
anéis
sobrepostos. Nas extremidades, há
uma partícula reguladora com ATPa
se, capaz de reconhecer as
proteínas ligadas à ubiquitina; ela
se liga a um resíduo de lisina da
proteína a ser de gradada, e outras