A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
35 pág.
IntroduoaoEstudodosTecidos

Pré-visualização | Página 5 de 6

seguir, fala
remos das células migratórias, que
podem também ser encontradas no
sangue. Todas elas possuem função
de defesa do organismo, fazendo
parte da resposta imunológica.
Os macrófagos são muito comuns
no tecido conjuntivo. Eles são
derivados dos monócitos do
sangue, isto é, são os monócitos
circulantes que saíram da corrente
sanguínea e sofreram di
ferenciações ao adentrar nos
tecidos. A mudança de nome é
devida ao pro cesso de
amadurecimento e aquisi ção de
novas características morfoló gicas
e funcionais.
Os macrófagos podem estar
SE LIGA! As mudanças principais da
transformação de monócitos em macró
fagos são o aumento do tamanho
celular e o aumento da capacidade de
síntese proteica, com desenvolvimento
do com plexo de Golgi, por exemplo.
Além disso, os macrófagos também
apresentam au mento de seus
lisossomos, uma vez que essa é a
organela essencial no processo de
fagocitose, que constitui a principal
função dessas células.
ídos por vários tecidos e receberem
diferentes nomes em cada um deles.
São, contudo, nada mais do que os
monócitos especializados que reali
zam fagocitose nos tecidos, consti
tuindo o sistema fagocitário mono
nuclear. Na tabela abaixo está uma
relação de tecidos onde macrófagos
são encontrados e o nome essas cé
lulas recebem.
TECIDOS E ÓRGÃOS NOME DADO AO MACRÓFAGO
Tecido conjuntivo e órgãos linfoides Macrófago
Fígado Célula de Kupffer
Sistema nervoso Micróglia
Pele Célula de Langerhans
Linfonodos Célula dendrítica
Ossos Osteoclasto
Tabela 1. Relação dos diferentes nomes dados aos macrófagos nos tecidos
Os macrófagos possuem superfície
irregular, núcleo ovoide, retículo en
doplasmático proeminente,
complexo de Golgi bem
desenvolvido e muitos lisossomos.
Têm por principal função fagocitar e
destruir bactérias, restos celulares e
substâncias estranhas. Além disso,
eles apresentam antíge nos em sua
superfície para os linfó citos T CD4,
a fim de deflagar a res posta imune.
Os macrófagos também
secretam enzimas, como
colagenase, elastase e lisozima, que
são úteis na organização da
resposta imune e no
remodelamento dos tecidos, através
da degradação da MEC.
A célula gigante de corpo estranho
é uma aglutinação de macrófagos,
que se unem com o objetivo de fago
citar uma partícula grande.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 36
Fio de algodão
Célula gigante
multinucleada
Figura 30. Corte de pele suturada com fio de algodão. Fonte: Atlas digital de histologia básica – UEL
Os plasmócitos derivam de linfóci
tos B que tiveram contato com um
antígeno. Eles têm a função de pro
duzir anticorpos e, por isso,
possuem abundância de retículo
endoplasmá tico rugoso, o que
causa a basofilia de seu citoplasma.
São células gran des e ovoides. Seu
núcleo é esférico, excêntrico e em
formato de “roda de carroça”,
aspecto esse que é gerado pela
alternância de áreas de eucro
matina e heterocromatina. Eles são
mais numerosos no trato gastrointes
tinal, nos órgãos linfoides e em
áreas de inflamação crônica.
Os mastócitos são células grandes,
ovoides, com núcleo esférico e cen
tral e citoplasma repleto de grânulos
muito basófilos. Esses grânulos con
têm mediadores químicos de reação
alérgica e de processo inflamatório
que são liberação quando há ligação
do mastócito com receptores do tipo
IgE. A deflagração e liberação
desses mediadores gera uma
reação de sen sibilidade imediata ou
anafilaxia. Eles são mais comuns
nos tecidos conjun tivos da pele, do
sistema digestório e do sistema
respiratório.
Por fim, temos os leucócitos. Essas
são células oriundas do sangue e
que circulam pelo tecido conjuntivo.
A migração para esse tecido ocorre
mesmo em condições normais (não
inflamatórias) e se dá por meio de
diapedese. Como possuem função
de defesa do organismo, estão
presen
tes principalmente em situações de
inflamação aguda ou crônica, sendo
recrutados aos tecidos pela
liberação de mediadores
inflamatórios que os atraem. Uma
vez no tecido conjunti
vo, os leucócitos não conseguem re
tornar ao sangue, com exceção dos
linfócitos.
INTRODUÇÃO
Classificação do tecido conjuntivo
De acordo com a composição celular
e de matriz extracelular, os tecidos
conjuntivos podem ser divididos em
três grandes grupos: tecido conjun
tivo propriamente dito ou comum,
tecido conjuntivo de propriedades
especiais e tecido conjuntivo de su
porte. O tecido conjuntivo de suporte
é formado pelos tecidos cartilagi
noso e ósseo, que não serão deta
lhados nesse material. O tecido con
juntivo especial engloba os tecidos
adiposo, elástico, mucoso, reticular e
hemocitopoiético.
O tecido conjuntivo propriamente
dito é subdividido em duas classes:
o frouxo e o denso. O tecido conjun
tivo frouxo suporta as estruturas su
jeitas a pouca pressão e atrito. É um
tipo tecidual muito comum e contém
todos os elementos estruturais
típicos do tecido conjuntivo, sem
predomínio
de qualquer um dos componentes.
Tem consistência delicada, é flexível
e bem vascularizado, não sendo
muito resistente a trações.
Esse tipo tecidual preenche espaços
entre grupos de células musculares,
suporta as células epiteliais e
também forma camadas em torno
dos vasos
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 39
sanguíneos. É encontrado também
nas papilas da derme, na
hipoderme, nas glândulas e nas
membranas se rosas de
revestimento das cavidades
peritoneais e pleurais.
Conjuntivo
frouxo
Conjuntivo
denso
não modelado
Figura 32. Corte histológico de pele de rato em fase
de cicatrização. Fonte: Histologia Básica – Junqueira
& Carneiro
O tecido conjuntivo denso é adap
tado para oferecer resistência e pro
teção aos tecidos. Para tanto,
existem menos células e
predominância das fibras colágenas
da MEC. Ele é menos flexível e mais
resistente à tensão que o tecido
conjuntivo frouxo. Quando as fibras
colágenas não apresentam
orientação definida, sendo assim re
sistente a trações exercidas em qual
quer direção, ele é classificado como
tecido conjuntivo denso não-mode
lado. Já quando as fibras colágenas
se
organizam em feixes paralelos, com
orientação definida, trata-se de um
tecido conjuntivo denso modelado.
Nesse tipo de tecido, as fibras e os fi
broblastos se alinharam, em
resposta à forças de trações
exercidas em um determinado
sentido, de modo a ofe recer o
máximo de resistência a essas
forças. Um exemplo típico desse
tipo tecidual é observado nos
tendões.
Figura 33. Tecido conjuntivo denso modelado em
corte de tendão. Fonte: Atlas digital de histologia
básica – UEL
Dentro dos tecidos conjuntivos de
propriedades especiais, temos o teci
do elástico, que não é muito frequen
te no organismo. Ele é encontrado
nos ligamentos amarelos da coluna
vertebral e no ligamento suspensor
do pênis. É composto por feixes es
pessos e paralelos de fibras
elásticas e o espaço entre eles é
preenchido por delgadas fibras de
colágeno e fi brócitos. As fibras
elásticas conferem coloração
amarelada e grande elasti cidade ao
tecido.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 40
O tecido reticular é muito delicado
e forma uma rede tridimensional
que vai suportar as células de
alguns ór gãos. Ele é formado por
fibras reticu lares intimamente
associadas a célu las reticulares, que
nada mais são do que fibroblastos
especializados na síntese desse
tipo de fibras. O teci do reticular é
organizado na forma de uma
estrutura trabeculada semelhan te a
uma esponja, dentro da qual célu las
e fluidos podem se mover. Dessa
forma, esse tecido cria um ambiente
especial para os órgãos linfoides e
hematopoiéticos. Além das células
reticulares, há também células do sis
tema fagocitário mononuclear disper
sas pelas trabéculas.
O tecido mucoso apresenta consis
tência gelatinosa devido ao predo
mínio de matriz fundamental (com
posta predominantemente por ácido
hialurônico). Ele é o principal compo
nente do cordão umbilical, onde é
chamado de geleia de Wharton.
Figura 34. Tecido conjuntivo mucoso do cordão
umbili cal. Fonte: https://bit.ly/2xUugaE
O tecido adiposo é mais um dos te
cidos conjuntivos de propriedades
especiais. Ele é composto por
células adiposas,