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HISTOLOGIASISTEMACARDIOVASCULAR

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mais profundas no vaso,
possibilitando a sua nutrição, o
que se configura extremamente
vantajoso do ponto de vista
fisiológico.
HORA DA REVISÃO!
Como já pontuado anteriormente, o
en dotélio é um constituinte da
túnica íntima e a sua presença
confere algumas fun ções para essa
camada. A sua compo sição
histológica é um tecido epitelial do
tipo simples pavimentoso, com
células tão achatadas que só
podem ser reco nhecidas por seus
núcleos, que frequen temente
fazem saliência para a luz do vaso.
Uma das funções das células en
doteliais é a de secreção de
colágeno dos tipos III, IV e V,
lamina, endotelina, óxido nítrico e o
fator de von Willebrand. Pa ralelo a
isso, sob condições patológicas, as
células endoteliais fabricam fatores
trombogênicos, incluindo o fator
tecidu al, o fator de von Willebrand
e o fator ati vador de plaquetas. Tal
fato revela uma extrema
importância clínica, pois o fator de
Von Willebrand ajuda na mediação
da adesão das plaquetas ao
subendoté lio lesado: funciona
como uma ponte en tre receptores
da plaqueta (glicoproteína Ib e
glicoproteína IIb/IIIa) e o subendo
télio lesado. Além disso, a
constituição histológica do
endotélio proporciona a diminuição
da fricção do fluxo sanguí neo,
assim como algumas propriedades
anticoagulantes e
antitrombogênicas - secretando o
fator ativador do plasmi nogênio,
trombomodulina, glicosamino
glicanos, prostaglandinas e óxido
nítrico. Estes dois últimos induzem
uma respos ta das células
musculares lisa, causan do o seu
relaxamento. Outra função de
grande relevância para a clínica é
que o endotélio forma uma espécie
de barrei ra semi-impermeável que
se interpõe ao plasma sanguíneo e
o fluido intersticial. As células
endoteliais contém algumas
enzimas que são ligadas à
membrana, tais como a enzima
conversora da an giotensina (ECA),
que funciona clivando a
angiotensina I gerando a
angiotensina II, assim como
enzimas que inativam a
bradicinina, serotonina,
prostaglandinas,
SISTEMA CARDIOVASCULAR 8
trombina e noradrenalina; ademais,
elas ligam-se à lipase lipoprotéica,
enzima que degrada lipoproteínas.
A túnica média, como o próprio
nome já revela, se encontra entre
as demais túnicas. Possui
constituição histoló gica
camadas de músculo liso com
orientação helicoidal, sendo uma
musculatura lisa ela pode ser
consi derada de contração
involuntária e lenta. A camada
média possui célu las
concêntricas que formam a túnica
média compreendendo
principalmen te células
musculares do tipo lisas, que
estão dispostas helicoidalmente.
Entremeadas com as camadas de
músculo liso, são encontradas
lâmi nas elásticas (nas artérias de
grande calibre), algumas fibras
elásticas (nas artérias e veias de
médio e pequeno
calibre), colágeno do tipo III e
prote oglicanos. É importante
salientar que as lâminas
elásticas são constituídas por
proteína elastina, miofibrilas e
fibrilina que se caracterizam por
se rem separadas umas das
outras, não constituindo feixes,
como é o caso das fibras
colágenas. Além disso, estas
fibras podem ser divididas em
delgadas e longas, possuindo
capa cidade de estiramento até
uma vez e meia o seu
comprimento total. Es tas fibras
são encontradas em locais que
requerem uma maior flexibilida
de para realizar sua função, como
por exemplo, a parede de vasos.
É perti nente ressaltar, ainda, que
os vasos capilares e vênulas
pós-capilares não possuem uma
túnica média, entran do outro tipo
de camada que exercerá uma
função semelhante.
Figura 4. Túnicas. Fonte: JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J.;
ABRAHAMSOHN, P. Histologia básica: texto e atlas. 13.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017
SISTEMA CARDIOVASCULAR 9 A
túnica adventícia, é a
camada
mais externa dos vasos
sanguíneos, justamente por ser a
mais externa, funde-se com o
tecido conjuntivo circundante. A
composição histo
lógica dessa camada é formada
por fibroblastos, fibras de
colágeno do tipo I e fibras
elásticas orientadas
longitudinalmente. É a mais
comum; aparece no tecido
conjuntivo frouxo comum, no
tecido conjuntivo denso
(onde é predominante sobre os
outros tipos), sempre formando
fibras e fei xes. A túnica
adventícia é composta por um
tecido conjuntivo denso não
modelado cujas fibras são
organiza das sem orientação
definida. O tecido é classificado
como conjuntivo den so não
modelado, no qual as fibras
formam uma trama que lhes
confere certa resistência a
trações exercidas em qualquer
direção. Além disso, ele possui
outro tipo de tecido, o tecido
conjuntivo frouxo, que preenche
es paços não ocupados por
outros te cidos. Tem a função de
apoiar e nu trir células epiteliais,
envolve nervos, músculos e
vasos sanguíneos linfá ticos, faz
parte da estrutura de mui tos
órgãos e desempenha importante
papel em processos de
cicatrização. Ainda é pertinente
ressaltar a impor tância de outro
componente dessa túnica, o vaso
vasorum que fornece sangue
para as paredes musculares dos
vasos sangüíneos.
SE LIGA! Os vasos vasorum são
peque nos vasos sanguíneos
encontrados ao redor das paredes
de grandes vasos na camada
adventícia, servindo para sua
nutrição.
A inervação dos vasos sanguíneos
É comum os vasos sanguíneos
que contêm músculo liso em
suas paredes serem providas por
uma rede profusa de fibras não
mielínicas da inervação
simpática (nervos vasomotores),
cujo neurotransmissor é a
norepinefrina, responsável pelo
controle da respira
ção e da regeneração do tecido
epi telial e nervoso, e atua
promovendo a vasodilatação do
vaso sanguíneo. Geralmente as
terminações nervosas eferentes
não penetram a túnica mé dia das
artérias, e os neurotransmis
sores precisam difundir-se por
uma distância para poderem
atingir as cé lulas musculares
lisas da túnica mé dia. Esses
neurotransmissores agem
abrindo espaços entre as junções
intercelulares das células
muscula res lisas e, desse modo,
a resposta ao neurotransmissor
irá se propagar para as células
musculares das ca madas mais
internas dessa túnica. Há um
conjunto de nervos vaso motores
do componente simpático do
sistema nervoso autônomo que
inerva as células musculares lisas
dos vasos sanguíneos. Estes
nervos
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simpáticos pós-ganglionares
amie
línicos são o motivo da
vasoconstri ção das paredes dos
vasos. Como foi pontuado
anteriormente, muito raro os
nervos penetram a túnica média
dos vasos, eles não realizam
sinapse diretamente com as
células muscula res lisas. Em vez
disso, eles liberam o
neurotransmissor noradrenalina,
que se difunde para a túnica
média e age sobre as células
musculares lisas próximas. Para
que esses impulsos sejam
propagados, é imprescindível a
ação das junções comunicantes,
células do tipo gap, que
coordenam contrações de todas
as camadas de células
musculares lisas e reduzem,
assim, o diâmetro do lúmen
vascular.
SE LIGA! As artérias possuem um
maior número de nervos
vasomotores do que as veias, mas
as veias também rece bem
terminações vasomotoras na tú
nica adventícia, além de contarem
com um sistema mais efetivo de
nutrição, o vaso vasorum. As
artérias que irrigam os músculos
esqueléticos também rece bem
nervos colinérgicos (parassimpáti
cos) para que ocorra a
vasodilatação.
Classificação das artérias
As artérias são responsáveis por
car rear o sangue a partir do
coração, elas podem ser
classificadas em 3 ti pos, artérias
elásticas, que são con sideradas
condutoras, artérias mus culares,
que são classificadas como
distribuidoras, e as arteríolas.
Grandes artérias elásticas
Figura 5. Grandes artérias elásticas. Fonte:
BREIJE, T. C.; SORENSON, R. L. Histology
guide: virtual histology labora tory. 2020.
Disponível em:
http://www.histologyguide.com/. Acesso em
04/05/2020.
SISTEMA CARDIOVASCULAR 11
Estes vasos possuem uma
coloração amarelada, devido a
com composição ser
praticamente toda de elastina,
lembrando que a elastina tem
função estrutural que forma
fibras elásti
cas. As artérias elásticas
possuem todas as túnicas com
algumas carac terísticas
particulares, tome-se como
exemplo, a túnica íntima que é
cons