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HISTOLOGIASISTEMACARDIOVASCULAR

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tituída por um endotélio
sustentado por uma estreita
camada subjacente de tecido
conjuntivo frouxo contendo
poucos fibroblastos, células
muscu lares lisas e fibras
colágenas. A lâ mina elástica
interna não costuma ser nítida
na túnica íntima das arté rias
elásticas, pois há muitas outras
lâminas elásticas presentes na
túnica média. Há também células
endote liais nessa camada,
unidas por jun ções de oclusão,
compostas de duas proteínas,
claudina e ocludina entre as
camadas mais externas de células
adjacentes, que servem de
barreira à entrada de
macromoléculas (lipídios,
proteínas) nas células. Ainda nas
cé lulas endoteliais, há
corpúsculos de Weibel-Palade,
grânulos revestidos por
membrana, que possuem uma
matriz densa com elementos tubu
lares contendo alguns elementos,
como por exemplo, a
glicoproteína fator de von
Willebrand. Este fator, que
facilita a agregação e a adesão
mútua das plaquetas durante a
for mação do coágulo, é
produzido pela maioria das
células endoteliais, mas é
armazenado somente nas
artérias.
A próxima camada é a túnica mé
dia das artérias elásticas,
composta por muitas lâminas
fenestradas de elastina,
conhecidas como membra nas
fenestradas, que varia com ca
madas circulares de células
muscula res lisas. A matriz
extracelular, que é secretada
pelas células musculares lisas, é
composta principalmente por
condroitino-sulfato colágeno do
tipo III (fibras reticulares) e
elastina. A lâmina limitante
elástica externa tam bém está
presente na túnica média e ela
marca a mudança da túnica
media para a túnica adventícia. A
túnica ad ventícia das artérias
elásticas é fina e é constituída
por tecido conjunti vo frouxo
fibroelástico contendo al guns
fibroblastos. Os vasa vasorum
são abundantes na adventícia,
pois permitem a nutrição do
tecido con juntivo e das células
musculares lisas com nutrientes e
oxigênio. Leitos ca pilares se
originam dos vasa vasorum e se
estendem para os tecidos da tú
nica. Um exemplo de artéria
elástica é a aorta e os ramos que
se origi nam do arco da aorta (a
artéria caró tida comum e a
artéria subclávia), as artérias
ilíacas comuns e o tronco
pulmonar.
NA PRÁTICA! Indivíduos com a
pato logia de von Willebrand, um
distúrbio hereditário que leva a um
defeito nas plaquetas, possuem
um tempo de coa gulação
prolongado e excesso de san
gramento no local de uma lesão.
SISTEMA CARDIOVASCULAR 12
Tal como as artérias grandes
elásti cas, as artérias musculares
médias possuem todas as
camadas com al gumas
particularidades. A caracte rística
mais marcante de uma artéria
muscular média é a espessa
túnica média constituída
principalmente por células
musculares lisas. Um dos
exemplos das artérias
musculares são a maioria dos
vasos originários da aorta,
exceto os grandes troncos que
se originam do arco da aorta e da
bifurcação terminal da aorta
abdomi
nal, pois, como visto
anteriormente, essas são
identificadas como artérias
elásticas. A túnica íntima das
arté rias musculares é mais fina
do que a das artérias elásticas,
contudo, a ca mada
subendotelial contém poucas
células musculares lisas, a lâmina
li mitante elástica interna das
artérias
musculares é notória e apresenta
uma superfície ondulada ao qual
o endotélio se molda. Uma
curiosida de pertinente nesse tipo
de artéria é que a lâmina elástica
interna é du pla, denominado
lâmina limitante elástica interna
bífida. As células endoteliais
dessa camada possuem
comunicação com as células
muscu lares lisas da túnica média
situadas próximo à túnica íntima,
por meio das junções
comunicantes do tipo gap. Já a
túnica média das artérias muscu
lares é composta principalmente
por células musculares lisas. A
maioria das células musculares
lisas da tú nica média tem
orientação circular; entretanto,
no local onde a túnica média faz
interface com as túnicas íntima e
adventícia, alguns feixes de
fibras musculares lisas podem
estar dispostos de modo
longitudinal. As artérias
musculares de pequeno cali bre
possuem três a quatro camadas
de células musculares lisas,
enquan to as artérias musculares
de maior calibre possuem até 40
camadas de células musculares
lisas dispostas circularmente. O
número de cama das celulares
diminui à medida que o diâmetro
da artéria diminui. Além disso, é
pertinente ressaltar que as
túnicas musculares contam com
vá rias fibras musculares que
estão dis postas de forma
concêntrica. Quando estas fibras
estão relaxadas, as arté rias
dilatam-se e, quando se contra
em, o diâmetro arterial diminui.
Este
SISTEMA CARDIOVASCULAR 13
mecanismo possibilita o controle,
pelo sistema nervoso
autónomo, do fluxo de
sanguíneo que pode distribuir-se
de diversos modos às diversas
regi
ões anatômicas, segundo as
neces sidades de cada momento.
A túnica adventícia das artérias
musculares é composta por
fibras elásticas, fi bras colágenas
e substância fun damental
constituída principalmente por
dermatan-sulfato e heparan-
-sulfato. As fibras colágenas e
elás ticas têm uma orientação
longitudinal e fundem-se com o
tecido conjuntivo circundante. Os
vasa vasorum e as terminações
nervosas amielínicas estão
localizados nas regiões mais
externas da adventícia.
NA PRÁTICA! O aneurisma é uma
espécie de dilatação em formato de
saco na parede de uma artéria,
comu mente relacionado à idade.
Possui al guns vasos que são mais
suscetíveis à ocorrência do
aneurisma, como por exemplo, a
aorta abdominal. Quando
descoberta, a área dilatada pode
ser reparada, mas se não for
descoberta e se romper, ocorre
uma rápida perda de sangue,
podendo resultar em morte do
indivíduo.
Arteríolas
As arteríolas são classificadas de
acordo com o diâmetro, artérias
com diâmetro menor que 0,1 mm
são con sideradas arteríolas. Os
vasos em foco são os vasos
terminais que regu lam o fluxo
sanguíneo para os leitos
capilares. A camada
subendotelial é muito fina,
diferente das artérias de grande
calibre. Nas arteríolas muito
pequenas, a lâmina elástica inter
na está ausente e a camada
média geralmente é formada por
uma ou duas camadas de células
muscula res lisas circularmente
organizadas; não apresentam
nenhuma lâmina elástica
externa. O endotélio da tú nica
íntima é apoiado por uma fina
camada de tecido conjuntivo su
bendotelial, composta por
colágeno do tipo III e poucas
fibras elásticas imersas na
substância fundamental. Nas
arteríolas de pequeno calibre, a
túnica média é formada somente
por uma camada de células
muscu lares lisas, que engloba
totalmente as células
endoteliais. Nas arteríolas
maiores, a túnica média possui
duas a três camadas de células
musculares lisas. Com uma
túnica média muito mais
desenvolvida, composta de inú
meras fibras musculares, é
possível contrair ou relaxar, de
modo a re duzir ou dilatar,
respectivamente, a entrada,
podendo fluir uma maior ou
menor quantidade de sangue.
Este mecanismo, igualmente
controlado pelo sistema nervoso
autônomo, é essencial na
modulação da pressão arterial e
na regulação da quantida de de
sangue que passa para os ca
pilares. A túnica adventícia das
arte ríolas é escassa e é
representada por tecido
conjuntivo fibroelástico com
poucos fibroblastos.
SISTEMA CARDIOVASCULAR 14
SE LIGA! As arteríolas terminais
que suprem de sangue os leitos
capilares são denominadas
metarteríolas. Estru turalmente,
elas diferem das arteríolas por sua
camada de músculo liso não ser
contínua.
Figura 7. Túnicas arteríolas. Fonte: JUNQUEIRA,
L. C.; CARNEIRO, J.; ABRAHAMSOHN, P.
Histologia básica: texto e atlas. 13. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
NA PRÁTICA! Quando há algum
pro blema embrionário durante o
processo de desenvolvimento, esse
erro pode, de algum modo,
enfraquecer as paredes dos vasos
sanguíneos. Além disso, es sas
paredes podem ser lesadas por al
guma outra patologia, como por
exem plo, aterosclerose, sífilis ou
distúrbios do tecido conjuntivo, por
exemplo, a síndro me de Marfan e a
síndrome de Ehlers- -Danlos. O
local afetado pode dilatar-se,
formando um aneurisma. Um
enfraque cimento posterior pode
causar a rotura do