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Direito Penal II

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Livramento Condicional 
É um benefício que permite ao condenado a pena privativa de liberdade superior a 2 anos de 
liberdade antes do cumprimento integral da pena. É direito público subjetivo do réu. O livramento 
condicional permite que o condenado abrevie sua reinserção no convívio social, cumprindo parte 
da pena em liberdade, desde que presentes os requisitos de ordem subjetiva e objetiva, mediante 
o cumprimento de determinadas condições. O livramento condicional assume, portanto, papel de 
grande importância na ressocialização do condenado, fazendo com que tenha esperança de um 
retorno mais abreviado à sociedade, evitando sua prolongada permanência no cárcere. O pedido 
de livramento condicional deverá ser dirigido ao juiz da execução, que, depois de ouvidos o 
Ministério Público e o Conselho Penitenciário, deverá concedê-lo, se presentes os requisitos do 
art. 83, incisos e parágrafo único do CP, pois trata-se de direito subjetivo do condenado, e não 
uma faculdade do julgador, como induz a redação contida no caput do art. 83. O § 2º do art. 112 
da LEP determina, ainda, que a decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do 
Ministério Público e do defensor. 
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho 
que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto; 
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, 
a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam 
presumir que o liberado não voltará a delinquir. 
Requisitos objetivos- art. 83, I,II,IV,V, CP 
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual 
ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; (Redação dada pela Lei 
nº 7.209, de 11.7.1984) 
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em 
crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) 
 
a) Qualidade da pena – privativa de liberdade 
b) Quantidade da pena igual ou superior a 2 anos 
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do livramento. 
c) Parcela de pena já cumprida: para o não reincidente em crime doloso e de bons 
antecedentes, basta cumprir 1/3 da pena (simples). No tocante ao reincidente em culposo 
há suas correntes: para uns, deve receber o tratamento do simples 1/3, para outros, 
reincidente em crime culposo não é bom antecedente. 
No caso do reincidente em doloso, cumprimento de mais da metade da pena (art. 83, II 
CP) 
Condições para o cumprimento do livramento 
Ao analisar o pedido de livramento condicional, se o condenado preencher os requisitos objetivos 
e subjetivos previstos pelo art. 83 CP, o juiz da execução deverá concedê-lo, pois trata-se de 
direito subjetivo do condenado, mediante o cumprimento de determinadas condições, a serem 
especificadas na sentença (art. 85 CP). 
Nos termos do §1º do art. 132 da LEP, serão sempre impostas ao liberado condicional as seguintes 
obrigações: a) obter ocupação lícita, no prazo razoável, se for apto para o trabalho; b) comunicar 
periodicamente ao juiz sua ocupação; c) não mudar do território da comarca do juízo da execução, 
sem prévia autorização deste. Além dessas, o §2° do art. 132 da LEP diz ainda ser facultado ao 
juiz de execução impor ao liberado as obrigações de: a) não mudar de residência sem comunicação 
ao juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção; b) recolher-se à habitação 
em hora fixada; c) não frequentar determinados lugares. 
O juiz de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou mediante 
representação do Conselho Penitenciário e ouvido o liberado, poderá modificar as condições 
especificadas na sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por uma das 
autoridades ou funcionários indicados no inciso I do caput do art. 137 da LEP, observado o 
disposto nos incisos II e III e §§ 1º e 2, de acordo com a nova redação dada ao seu art. 144 pela 
lei 13.313/2010. 
Necessidade de ser ouvido o conselho penitenciário para a concessão do livramento 
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para 
regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto 
da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do 
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 
2003) 
§ 1o A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor. (Redação 
dada pela Lei nº 10.792, de 2003) 
§ 2o Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, 
respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. 
Revogação do livramento condicional 
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em 
sentença irrecorrível: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - por crime cometido durante a vigência do benefício; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. 
Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das 
obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena 
que não seja privativa de liberdade 
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação 
resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em que 
esteve solto o condenado. 
A primeira hipótese de revogação, tida como obrigatória, ocorre em virtude de ter o agente cometido novo 
crime após ter sido colocado em liberdade, quando já havia iniciado o cumprimento das condições aplicadas 
ao livramento condicional. A prática de novo crime demonstra a sua inaptidão para cumprir o restante da 
pena anterior em liberdade, devendo, pois, ser revogado o benefício, somando-se as penas, anterior e 
posterior, para efeitos de novo cumprimento. Como penalidade por ter praticado o crime após o início do 
livramento condicional, o liberado perderá todo o período em que permaneceu livre. Assim, se o condenado, 
após dois anos de efetivo cumprimento de sua pena, restando ainda 4 anos a cumprir, decorrido 1 ano de 
livramento condicional vier a praticar novo crime, esse tempo que permaneceu em liberdade, cumprindo 
determinadas condições, será perdido. O tempo total de pena anterior – 4 anos – será somado com a 
condenação posterior, para efeitos de cumprimento da pena privativa de liberdade. 
No caso do inciso II do art. 86 CP, se o liberado vier a ser condenado por crime anterior, se a soma do 
tempo que resta a cumprir com a nova condenação não permitir sua permanência em liberdade, deverá ser 
revogado o benefício. 
O art. 87 CP, a seu turno, prevê a revogação facultativa do livramento condicional, dizendo: o juiz poderá, 
também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da 
sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja