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Direito Penal II

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privativa de 
liberdade. O mencionado art. 87 também deverá ser analisado justamente cin os arts. 141 e 142 da LEP. 
Na hipótese de revogação facultativa em virtude da prática de infração penal cometida anteriormente à 
vigência do livramento, será computado como tempo de cumprimento da pena o período de prova, sendo 
permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das duas penas (art. 141 LEP). Dessa 
forma, o liberado não perderá o tempo de pena já cumprido em liberdade, uma vez que a infração penal 
pela qual foi condenado foi cometida anteriormente à concessão do benefício. 
Antes de revogar o livramento, pelo fato de não estar o liberado cumprindo as condições impostas na 
sentença, deverá o julgador ouvi-lo em audiência própria, permitindo que se justifique. Ao final, se os 
argumentos do liberado convencerem o juiz da execução, deverá ser mantido o livramento; caso contrário, 
se não houver escusa razoável para o descumprimento das condições impostas, poderá o juiz da execução 
revogar o benefício, sendo que, nesse caso, não se computará na pena o tempo em que esteve solto o 
liberado, tampouco se concederá, em relação à mesma pena, novo livramento (art. 142 LEP). Também no 
caso de ter sido o liberado irrecorrivelmente condenado por crime ou contravenção, a pena que não seja 
privativa de liberdade, praticado durante a vigência do livramento, sendo este revogado, deverá perder todo 
o período em que permaneceu em liberdade, uma vez que, voltando o liberado a praticar nova infração 
penal, deu mostras da sua inaptidão para cumprir o restante da sua pena em liberdade. 
Praticada pelo liberado outra infração penal, o juiz poderá ordenar sua prisão, ouvidos o Conselho 
penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, 
entretanto, ficará dependendo da decisão final (art.145 LEP). 
A revogação será decretada a requerimento do Ministério Público, mediante representação do Conselho 
Penitenciário, ou de ofício, pelo juiz, ouvido o liberado (art. 143 LEP). 
Dos efeitos da condenação 
A finalidade da sentença penal condenatória é aplicar ao agente a pena que, proporcionalmente, 
mais se aproxime do mal por ele praticado, a fim de cumprir as suas metas de reprovação e 
prevenção do crime, tal como determinado na última parte do art. 59 CP. 
Existem, portanto, efeitos secundários gerados pela sentença condenatória transitada em julgado 
que mais se parecem com outra pena, de natureza acessória. Tais efeitos, considerados 
extrapenais, vieram elencados pelos arts.91 e 92 CP, cuja análise a seguir será realizada mais 
detidamente. Tem-se entendido que os efeitos da condenação previstos pelo art. 91 CP são 
genéricos, não havendo necessidade de sua declaração expressa na sentença condenatória e que 
aqueles arrolados pelo art. 92 são específicos, sobre os quais o juiz deverá, motivadamente, 
declará-los na sentença. Tal afirmação não nos parece completamente correta, pois, segundo 
entendemos, existem hipóteses no art. 91 CP nas quais o julgador deverá sobre elas motivar-se 
expressamente, a fim de que produza os seus efeitos legais. 
Efeitos genéricos da condenação 
Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua 
fato ilícito; 
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato 
criminoso. 
§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não 
forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) 
§ 2º Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou 
valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda. 
 
Efeitos específicos da condenação 
Art. 92 - São também efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de 
dever para com a Administração Pública quando a pena aplicada for superior a quatro anos; (Redação dada pela Lei 
nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com 
abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos. (Incluído 
pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) 
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de 
reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de 
reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro 
descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei nº 13.715, de 2018) 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na 
sentença. 
 
Medidas de segurança 
Art. 96. As medidas de segurança são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado; 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - sujeição a tratamento ambulatorial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Imposição da medida de segurança para inimputável 
Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato 
previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Prazo 
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for 
averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) 
anos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Perícia médica 
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a 
qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Desinternação ou liberação condicional 
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação anterior se o 
agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa 
providência for necessária para fins curativos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável 
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia e 
tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento