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Direito Penal II

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ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representa-lo. Ela se denomina 
ação privada, porque seu titular é um particular.” 
Privada propriamente dita 
As ações de iniciativa privada propriamente ditas são aquelas promovidas mediante queixa 
do ofendido ou de quem tenha qualidade para representa-lo. 
Privada subsidiária da pública 
Encontra respaldo na CF (art. 5º, LIX), que diz que será admitida ação privada nos crimes de 
ação pública, se esta não for intentada no prazo legal. Com essa disposição, quis o legislador 
constituinte, a exemplo do que fazem o CP e o CPP, permitir ao particular, vítima de 
determinada infração penal, que acompanhasse as investigações, bem como o trabalho do 
órgão oficial encarregado da persecução penal. Em razão desses dispositivos legais, se o 
Ministério Público, por desídia sua, deixar de oferecer denúncia no prazo legal, abre-se ao 
particular a possibilidade de, substituindo-o, oferecer sua queixa-crime, dando-se, assim, 
início a ação penal. 
Merece ser ressaltado que somente caberá ao particular intentar a ação penal de iniciativa 
privada subsidiária da pública quando o Ministério Público, deixando decorrer in albis o prazo 
legal para o oferecimento da denúncia, não der início à ação penal. Isso quer dizer que o 
direito de dar início à ação penal que, originalmente, é de iniciativa pública, somente se 
transfere ao particular se houver desídia, inércia do Ministério Público. 
Privada personalíssima 
As ações penais de iniciativa privada tidas como personalíssimas são aquelas em que somente 
o ofendido, e mais ninguém, pode propô-las. Em virtude da natureza da infração penal 
praticada, entendeu por bem a lei penal que tal infração atinge a vítima de forma tão pessoal, 
tão íntima, que somente a ela caberá emitir o seu juízo de pertinência a respeito da propositura 
ou não dessa ação penal. 
Princípios informadores da ação penal de iniciativa privada 
a) Oportunidade 
Confere ao titular da ação penal o direito de julgar da conveniência ou inconveniência quanto 
à propositura da ação penal. Se quiser promove-la, poderá fazê-lo, se não o quiser, não o fará. 
b) Disponibilidade 
Outra característica marcante das ações penais de iniciativa privada é, justamente, a sua 
disponibilidade. Mesmo depois da sua propositura, o particular pode, valendo-se de 
determinados institutos jurídicos, dispor da ação penal por ele proposta inicialmente, a 
exemplo do que ocorre com a perempção, na qual o querelante poderá deixar de promove o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos, fazendo com que a ação penal seja 
considerada perempta, extinguindo-se, assim, a punibilidade, nos termos do art. 60, I, CPP, 
c/c o art. 107, IV, última figura, do CP. 
c) Indivisibilidade 
Comum às duas espécies de ação penal, encontra-se consubstanciado no art. 48 CPP que diz 
que a queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o 
Ministério Público velará pela sua indivisibilidade. A ação penal deve ser um instrumento de 
justiça, e não de simples vingança. Se o fato foi cometido por várias pessoas, todas elas 
devem, assim, por ele responder. Não poderá a vítima, por exemplo, escolher a quem 
processar, devendo a sua ação penal ser dirigida a todos os autores da infração penal. Nesse 
sentido decidiu o STJ: “queixa-crime – calúnia e injúria – renúncia – perempção. 
Extinção da punibilidade 
A punibilidade é uma consequência natural da prática de uma conduta típica, ilícita e culpável 
levada a efeito pelo agente, toda vez que o agente pratica uma infração penal, isto é, toda vez 
que infringe o nosso direito penal objetivo, abre-se a possibilidade para o Estado de fazer 
valer o seu ius puniendi. 
Mesmo que, em tese, tenha ocorrido uma infração penal, por questões de política criminal, o 
Estado pode, em algumas situações por ele previstas expressamente, entender por bem em 
não fazer valer o seu ius puniendi, razão pela qual haverá aquilo que o CP denominou de 
extinção da punibilidade. 
Morte do agente 
O art. 62 CPP determina: no caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de 
óbito, e depois de ouvido o Ministério Público, declarará a extinção da punibilidade. 
Anistia, graça e indulto 
Anistia – é de competência da União, conforme preceitua o art. 2, XVII, da CF, e se encontra 
no rol das atribuições do Congresso Nacional, sendo prevista pelo art. 48, VIII, de nossa Lei 
Maior. Pode ser concedida antes ou depois da sentença penal condenatória, sempre 
retroagindo a fim de beneficiar os agentes. 
Graça – graça e o indulto são da competência do Presidente da República, embora o art. 84, 
XII, CF semente faça menção a este último, subentendendo-se ser a graça o indulto individual. 
A diferença entre os dois institutos é que a graça é concedida individualmente a uma pessoa 
específica, sendo que o indulto é concedido de maneira coletiva a fatos determinados pelo 
Chefe do Poder Executivo. 
Prescrição, decadência e perempção 
A decadência é o instituto jurídico mediante o qual a vítima, ou quem tenha qualidade para 
representa-la, perde o seu direito de queixa ou de representação em virtude do decurso de um 
certo espaço de tempo. O art. 103 CP, cria uma regra geral relativa ao prazo para o exercício 
do direito de queixa e de representação: 
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de 
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o 
prazo para oferecimento da denúncia. 
No crime de lesão corporal de natureza culposa, cuja ação penal é de iniciativa pública 
condicionada à representação do ofendido, o prazo decadencial tem início a partir do 
momento em que o ofendido toma conhecimento de que foi vítima dessa infração penal, a 
exemplo doo que ocorre nos casos do chamado “erro médico”. Pode acontecer que a vítima 
tenha sofrido uma lesão corporal de natureza culposa, após ter-se submetido a uma 
intervenção médica qualquer, produzida em razão da imperícia do profissional, que, a todo 
custo, tentou ocultá-la. Mais tarde, mesmo depois de decorridos 6 meses da 1º intervenção na 
qual ocorreram as lesões, a vítima descobriu o suposto erro médico. A partir desse instante é 
que se tem por iniciado o prazo decadencial. 
A perempção é instituto jurídico aplicável às ações penais de iniciativa privada propriamente 
ditas ou personalíssimas, não se destinando, contudo, àquela considerada como privada 
subsidiária da ública. Não tem aplicação, portanto, nas ações penais de iniciativa pública 
incondicionada ou condicionada à representação do ofendido, uma vez que o art. 60 CPP 
determina: 
Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no 
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no 
art. 36; 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar 
presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; 
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. 
Renúncia ao direito de queixa ou perdão aceito nos crimes de ação privada 
Renúncia ao direito de queixa 
A renúncia ao direito de queixa pode ser expressa ou tácita. Diz-se expressa a renúncia quando 
formalizada por meio de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou 
procurador com poderes especiais (art. 50 CPP). Renúncia tácita ao direito de queixa é aquela 
na qual, nos termos do parágrafo único do art.