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Direito Penal II

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104 CP, o ofendido pratica atos incompatíveis 
com a vontade de exercê-lo, como nas hipóteses daquele que convida o autor do crime para 
ser seu padrinho de casamento ou para com ele constituir uma sociedade. 
Perdão do ofendido 
a) Processual 
Diz-se processual o perdão do ofendido quando levado a efeito intra-autos, após ter sido 
iniciada a ação penal de iniciativa privada; 
b) extraprocessual quando procedido fora dos autos da ação penal de iniciativa privada; 
c) expresso, quando constar de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante 
legal ou procurador com poderes especiais (art. 56 CPP); 
d) tácito, quando o ofendido pratica ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação 
penal por ele iniciada (art. 106, §1º, do CP) 
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
III - se o querelado o recusa, não produz efeito. 
Assim, de acordo com o inciso I do art. 106 CP, o perdão do ofendido deverá ser dirigido a todos 
aqueles que, em tese, praticaram a infração penal, não podendo o querelante, portanto, escolher 
contra quem deverá prosseguir a ação penal por ele intentada. Caso seja da vontade dos demais 
querelados, o perdão do ofendido concedido a um deles, deverá ser estendido a todos. 
Retratação do agente nos casos em que a lei admite 
“é o ato pelo qual o agente reconhece o erro que cometeu e o denuncia à autoridade, retirando o 
que anteriormente havia dito”. Pela retratação, o agente volta atrás naquilo que disse, fazendo 
com que a verdade dos fatos seja, efetivamente, trazida à luz. 
Prescrição 
Ao estudarmos as demais causas extintivas da punibilidade, dissemos que em algumas situações 
o Estado pode abrir mão do seu direito de punir e, em outras hipóteses, pode vir a pede-lo. A 
prescrição é uma das situações em que o Estado, em virtude do decurso de certo espaço de tempo, 
perde seu ius puniendi. 
Dessa forma, poderíamos conceituar a prescrição como o instituto jurídico mediante o qual o 
Estado, por não ter tido capacidade de fazer valer o seu direito de punir em determinado espaço 
de tempo previsto pela lei, faz com que ocorra a extinção da punibilidade. 
Espécies de prescrição 
Por intermédio do reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, o Estado perde a 
possibilidade de formar o seu título executivo de natureza judicial. Embora, em algumas 
situações, conforme veremos mais adiante, o Estado chegue até a proferir um decreto 
condenatório, tal decisão não terá a força de título executivo, em virtude da ocorrência da 
prescrição da pretensão punitiva. 
Contudo, se a prescrição disser respeito à pretensão executória, o Estado, em razão do decurso do 
tempo, somente terá perdido o direito de executar sua decisão. O título executório foi formado 
com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, mas não poderá ser executado. O 
condenado, se vier a praticar novo crime, poderá ser considerado reincidente; caso a condenação 
anterior não sirva para efeitos de reincidência, como na hipótese do art. 64, I, CP, ainda assim 
importará em maus antecedentes. A vítima do delito terá à sua disposição o título executivo 
judicial criado pela sentença penal condenatória transitada em julgado, nos termos do art. 457-N 
CPC. 
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 
deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: 
(Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). 
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; 
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; 
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; 
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; 
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; 
VI - em dois anos, se o máximo da pena é inferior a um ano. 
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. 
Prescrição depois de transitar em julgado a sentença penal condenatória 
O caput do art. 110 CP determina que a prescrição depois de transitada em julgado a sentença 
penal condenatória regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, 
os quais se aumentam de um 1/3, se o condenado é reincidente. Vimos pelo art. 109 CP, que a 
prescrição, antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, é regulada pela pena 
máxima cominada a cada infração penal. Agora, o art. 110 assevera que o cálculo seja realizado 
sobre a pena concretizada na sentença. Contudo, o caput do art. 110 deverá ser conjugado como 
seu §1º, com a nova redação que lhe foi conferida pela Lei nº 12.234/2010, que diz que a prescrição, 
depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu 
recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por tempo inicial data 
anterior à da denúncia ou queixa. Isso porque caso ambas as partes tenham recorrido, ou seja, 
Ministério Público, por exemplo, e sentenciado, não havendo, ainda, o trânsito em julgado para o 
Ministério Público, tal sentença ainda poderá sofrer modificações, elevando-se, a pena aplicada, razão 
pela qual a contagem do prazo prescricional, nessa hipótese, deverá ser ainda realizada levando-se em 
consideração a pena máxima cominada à infração penal. 
Contudo, caso não tenha havido recurso do Ministério Público, ou depois de ter sido ele improvido, 
como a pena aplicada não poderá ser elevada em face do princípio que impede sua reforma para pior 
9non reformatio in pejus), a contagem do prazo prescricional já poderá ser levada a efeito com base 
na pena concretizada na sentença. 
Assim, suponhamos que a prescrição somente tenha ocorrido depois da sentença penal condenatória 
que já havia transitado em julgado para o Ministério Público, imagina-se que não tenha havido entre 
os marcos interruptivos da prescrição, anteriores à sentença penal condenatória, lapso de tempo que 
pudesse conduzir ao reconhecimento da prescrição, sendo que tal fato ocorreu depois do recurso 
interposto pela defesa, antes mesmo do julgamento pelo Tribunal competente. O fato de ter o decisum 
transitado em julgado para o Ministério Público não faz com que a prescrição ocorrida posteriormente 
à sentença penal condenatória seja considerada como da pretensão executória, pois, aqui, como se 
percebe, o Estado não poderia executar a sua decisão, razão pela qual a natureza de tal prescrição 
deverá ser considerada como da pretensão punitiva. 
Não podemos nos esquecer dos efeitos correspondentes às nossas conclusões. Se for reconhecida a 
prescrição da pretensão punitiva, o Estado não poderá impingir qualquer sequela ao agente pela prática 
da infração penal; se considerada como prescrição da pretensão executória, todos os efeitos da 
sentença penal condenatória estarão mantidos. 
Portanto, o trânsito em julgado da sentença penal condenatória é um dos requisitos para que se possa 
concluir pela prescrição da pretensão executória, mas não o único. Depois de muito se discutir se o 
aumento previsto para os referidos prazos seria aplicado quando da análise da prescrição da pretensão 
punitiva ou da pretensão executória, o STJ editou a Súmula nº 220, que diz que a reincidência não 
influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva. Isso quer dizer que somente no que diz 
respeito à execução do julgado é eu haverá ao um aumento de 1/3 para o reincidente, não se 
falando em tal aumento quando o cálculo