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Direito Penal II

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disser respeito à prescrição da pretensão punitiva. 
Momento para o reconhecimento da prescrição 
Imagina-se, por exemplo, o fato de que alguém, juntando aos autos de inquérito policial 
certidão falsa de nascimento, consiga ver as investigações arquivadas, uma vez que com esse 
artifício o cálculo do prazo prescricional foi reduzido da metade, nos termos do art. 115 CP, 
o suficiente para ver reconhecida, em seu favor, a prescrição. Se o juiz declarar s extinção da 
punibilidade, o inquérito policial não mais poderá ser reaberto com fundamento em novas 
provas; entretanto, se somente tiver sido determinado o seu arquivamento, sem extinguir-se 
a punibilidade, o fato de ser descoberto o falso documental, comprovando-se a idade real do 
agente, permitirá o reinício das investigações, pois o prazo normal previsto pelo art. 109 CP 
ainda não se havia exaurido. 
Prescrição retroativa e superveniente 
O primeiro marco de contagem da prescrição retroativa era a chamada data do fato, ou seja, 
a data em que o crime havia sido praticado (nos termos do art. 111 CP) 
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final 
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se 
tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em legislação 
especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação 
penal. 
A data anterior ao recebimento da denúncia, de que trata o §1º do art. 110 CP, pode dizer respeito 
ao dia em que o crime se consumou. Em muitas infrações penais, a consumação ocorre com a prática 
da conduta do agente. Em outras, como no caso do homicídio, pode ser que a data da consumação não 
se confunda com a data da prática da conduta. Assim, o inciso I do art. 111 CP determina que a 
prescrição pode ter como marco inicial o dia em que o crime se consumou, não sendo necessariamente 
a data em que foi realizada a ação. O CP, em seu art. 4º, adota como regra a teoria da atividade, dizendo 
considerar-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão, ainda que outro seja o momento 
do resultado. O art.111, I, CP, ao contrário, excepcionado a regra, adotou a teoria do resultado. 
Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível 
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: 
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão 
condicional da pena ou o livramento condicional; 
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena. 
‘O termo inicial da contagem do prazo prescricional da pretensão executória é o trânsito em 
julgado para ambas as partes, porquanto somente neste momento é que surge o título penal 
passível de ser executado pelo Estado. Desta forma, não há como se falar em início da 
prescrição a partir do trânsito em julgado para a acusação, tendo em vista a impossibilidade 
de se dar início à execução da pena, já que ainda não haveria uma condenação definitiva, em 
respeito ao disposto no art. 5º, LVII, CF” 
O inciso II cuida da hipótese em que a execução é interrompida seja, por exemplo, pela fuga 
do condenado, seja pelo fato de ter ele sido internado em razão de doença mental. Segundo 
José Vargas “o dia da fuga é o termo inicial. Na segunda parte do inciso, dá-se diferente: 
sobrevindo doença mental ou internação do sentenciado (arts. 41 e 42 CP), o termo de 
interrupção da execução será contado como de cumprimento de pena, não se podendo, por 
isso, correr o prazo de prescrição de maneira simultânea”. 
Havendo a fuga do condenado, a prescrição será contada pelo tempo restante de pena a 
cumprir, de acordo com o art. 113 CP. 
Redução dos prazos prescricionais 
O art. 115 CP, por razões de política criminal, determina a redução pela metade dos prazos 
prescricionais quando o agente era, ao tempo do crime, ou seja, no momento da ação ou 
omissão, menor de 21 anos, ou, na data da sentença, maior de 70 anos. 
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, 
menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. 
Causas suspensivas da prescrição 
São aquelas que suspendem o curso do prazo prescricional, que começa a correr pelo tempo restante, 
após cessadas as causas que a determinaram. Dessa forma, o tempo anterior é somado ao tempo posterior 
à cessação da causa que determinou a suspensão do curso do prazo prescricional. 
 Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: 
 I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento 
da existência do crime; 
 II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro. 
 Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição 
não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. 
Causas interruptivas da prescrição 
Tem o condão de fazer com que o prazo, a partir delas, seja novamente 
reiniciado, ou seja, após cada causa interruptiva da prescrição, deve ser 
procedida nova contagem do prazo, desprezando-se, para esse fim, o tempo 
anterior ao marco interruptivo. 
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
IV - pela sentença condenatória recorrível; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; (Redação dada pela Lei nº 11.596, de 2007). 
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) 
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) 
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a 
todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a 
interrupção relativa a qualquer deles. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, novamente, 
do dia da interrupção. 
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência.