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Abordagem odontológica de pacientes com comprometimento sistêmico

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Edema na tireoide.
● Protocolo de atendimento:
1. Adiar a cirurgia até que a disfunção da tireoide seja controlada;
2. Monitorar sinais vitais;
3. Limitar a quantidade de epinefrina utilizada.
❖ INSUFICIÊNCIA SUPRARRENAL
● As doenças do córtex suprarrenal podem causar insuficiência suprarrenal primária. Os sintomas incluem
fraqueza, perda de peso, fadiga e hiperpigmentação cutânea e das mucosas.
● A causa mais comum de insuficiência suprarrenal é a administração crônica de corticosteroides
(insuficiência renal secundária).
● Sinais e sintomas:
o Faces “em forma de lua”;
o “Giba de búfalo”;
o Pele fina a translúcida;
● Durante cirurgia prolongada, o paciente pode se tornar hipotenso, sujeito à síncope, nauseado e febril. O
médico do paciente deve ser consultado quanto à necessidade de suplementação com esteroides.
● Procedimentos menos invasivos necessitam apenas de um protocolo de redução de ansiedade.
❖ ASMA
● Episódios de estreitamento das vias aéreas menores, o que produz sibilo (ruído semelhante a assobio
agudo) e dispneia (dificuldade de respirar caracterizada por respiração rápida e curta), a partir da
estimulação emocional, imunológica, infecciosa e química.
● Devem ser questionados os fatores desencadeantes, frequência e gravidade dos ataques, medicações
utilizadas e resposta a elas.
● As cirurgias eletivas devem ser adiadas se forem identificados sibilo ou infecção do trato respiratório.
● Quando a cirurgia for realizada, deve ser realizado protocolo de redução de ansiedade, já que pode ser
gatilho para início de uma crise de asma.
● A bomba de inalação pessoal do paciente deve estar disponível, além da disponibilidade de fármacos como
epinefrina no consultório.
● O uso de AINES deve ser evitado, pois frequentemente precipitam ataque de asma em indivíduos
sensíveis.
● Protocolo de atendimento:
1. Adiar o procedimento até que a asma esteja bem controlada ou trato respiratório sem sinais de infecção;
2. Auscultar o tórax bilateralmente com estetoscópio para detectar ruídos;
3. Em casos de uso crônico de corticosteroides, deve-se entrar em contato com o médico para ver a
necessidade de profilaxia antibiótica;
4. Protocolo de redução de ansiedade;
5. Manter inalador com broncodilatador acessível;
6. Evitar o uso de AINES.
❖ DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)
● É a obstrução da passagem de ar pelos pulmões, geralmente causada por uma exposição de longo prazo a
irritantes pulmonares, como a fumaça do cigarro.
● Caracteriza-se por dispneia durante exercícios leves a moderados, tosse crônica e ruídos durante a
respiração.
● Caso o paciente faça uso de corticosteroides, deve-se entrar em contato com o médico e considerar a
suplementação adicional antes da cirurgia.
● Sedativos, hipnóticos e narcóticos que deprimem a respiração devem ser evitados.
● O paciente deve ser mantido sentado em posição ereta durante o procedimento.
● Não se deve utilizar suplementação com oxigênio em pacientes graves durante a cirurgia, exceto com
recomendação médica.
● Protocolo de atendimento:
1. Adiar o tratamento até que haja melhora na função pulmonar;
2. Protocolo de redução de ansiedade, evitando o uso de depressores respiratórios, como o Diazepam;
3. Em caso de uso crônico de corticosteroides, tratar o paciente como se tivesse insuficiência suprarrenal;
4. Evitar colocar o paciente em posição supina;
5. Manter um inalador com broncodilatador acessível;
6. Monitorar de perto as frequências respiratória e cardíaca;
7. Agendar o paciente para o período da tarde, para permitir a eliminação de secreções.
❖ COAGULOPATIAS HEREDITÁRIAS
● História de epistaxe (sangramento nasal), fácil formação de hematomas, sangramento menstrual intenso e
sangramento espontâneo devem alertar o cirurgião-dentista para a possibilidade de investigação
laboratorial da coagulação antes da cirurgia.
● Devemos estar atentos a:
o Tempo de Protrombina (TP) – avalia a via extrínseca da coagulação, determinando a tendência de
coagulação do sangue. 10 e 14 segundos.
o Tempo de Tromboplastina Parcial (TTPa) – avalia a eficiência da via intrínseca para formação do
coágulo de fibrina. 25 a 34 segundos.
o INR – relação entre o tempo de protrombina do paciente e um valor padrão dente tempo → 1.
● Em caso de suspeita de coagulopatia, o médico deverá ser consultado.
● O tratamento odontológico de pacientes com coagulopatias depende da natureza do problema
hematológico:
o Deficiências de fatores específicos (Hemofilia A, B ou C ou Doença de Von Willebrand):
administração perioperatória de um fator de reposição e uso de agentes antifibrinolíticos.
o Deficiência plaquetária quantitativa: pacientes com contagem baixa de plaquetas podem precisar de
transfusões, por isso é recomendado que a anestesia seja feita por infiltração local, em vez de bloqueio
regional, diminuindo a possibilidade de lesão a grandes vasos.
● O uso de substâncias tópicas promotoras da coagulação pode ser considerado.
● O paciente deve ser orientado cautelosamente a respeito do pós-operatório, evitando deslocamento do
coágulo e hemorragia.
● Protocolo de atendimento:
1. Adiar a cirurgia até que o médico seja consultado;
2. Obter testes de coagulação;
3. Entrar em contato com o médico de referência;
4. Utilizar coagulantes tópicos, suturas em massa e curativos compressivos (compressão pós-operatória
com gaze);
5. Monitorar a ferida por 2h, para garantir a formação de um bom coágulo;
6. Instruir o paciente: não realizar exercícios físicos, não se expor ao sol ou calor, repouso absoluto por
48h, alimentação líquida/pastosa nos primeiros dias do pós-operatório, aplicação de gelo;
7. Orientar o paciente sobre o que fazer se o sangramento recomeçar;
8. Evitar a prescrição de anti-inflamatórios.
TERAPÊUTICA ANTICOAGULANTE
● Fármacos utilizados por pacientes com necessidade de anticoagulação, pacientes submetidos à
hemodiálise ou outros motivos e gerarem efeito anticoagulante secundário (AAS – ácido acetilsalicílico).
● Fármacos com AAS geralmente não precisam ser interrompidos.
● Pacientes que usam heparina devem ter a cirurgia adiada até que a heparina circulante esteja inativa (6h
intravenosa e 24h subcutânea). O sulfato de protamina pode ser usado para reverter os efeitos da heparina,
caso seja necessária a realização de cirurgia bucal de emergência.
● Pacientes que usam varfarina deverão ter o uso interrompido de 2 a 5 dias antes da cirurgia, mas isto só
deve ser realizado pelo médico do paciente. Ainda na manhã da cirurgia, o valor do INR deve ser conferido
(pode ser realizada se estiver entre 0 e 3).
● Devem ser colocadas substâncias trombogênicas na ferida cirúrgica e o paciente deve ser bem orientado a
respeito do pós-operatório.
● O tratamento com varfarina pode ser reiniciado um dia após a cirurgia, dependendo do trauma cirúrgico e
da pactuação com o médico do paciente.
● Protocolo de atendimento (AAS ou inibidor plaquetário):
1. Consultar o médico do paciente, para verificar a necessidade de interromper o tratamento;
2. Se necessário, adiar a cirurgia até que haja interrupção da medicação;
3. Tomar medidas extras durante e após a cirurgia, para auxiliar a formação do coágulo e sua retenção;
4. Reiniciar a terapia no dia seguinte, se não houver sangramento.
● Protocolo de atendimento (Heparina):
1. Consultar o médico do paciente para determinar a segurança da interrupção do medicamento pelo
período perioperatório;
2. Se o INR estiver menor que 3, tomar as precauções extras durante e após a cirurgia para formação do
coágulo e reiniciar o uso da heparina assim que um bom coágulo esteja formado.
3. Se o INR estiver maior que 3, interromper a heparina em acordo com o médico e realizar a cirurgia após
6 horas da interrupção da medicação. Conferir o INR e realizar a cirurgia quando estiver menor que 3.
● Protocolo de atendimento (Varfarina):
1. Consultar o médico do paciente;
2. Solicitar exame INR;
3. Se o INR estiver menor que 3, tomar as precauções extras durante e após a cirurgia para formação