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Abordagem odontológica de pacientes com comprometimento sistêmico

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do
coágulo e sua retenção;
4. Se o INR estiver maior que 3, interromper o uso da varfarina, de acordo com a recomendação médica.
Conferir o INR diariamente e só realizar a cirurgia no dia em que estiver abaixo de 3;
5. Reiniciar a varfarina no dia da cirurgia.
❖ INSUFICIÊNCIA RENAL
● Cirurgias odontológicas eletivas devem ser realizadas no dia posterior à diálise e em combinação com o
médico.
● Os fármacos nefrotóxicos ou que dependem de metabolização/excreção renal devem ser evitados ou
utilizados em doses reduzidas.
● Fármacos nefrotóxicos: ibuprofeno, AAS, cetoprofeno, diclofenaco, naproxeno, omeprazol, penicilina e
cefalosporinas.
● Protocolo de atendimento:
1. Atenção ao uso de fármacos;
2. Adiar o tratamento odontológico em até 1 dia após a diálise;
3. Consultar o médico sobre o uso de profilaxia antibiótica;
4. Monitorar a pressão sanguínea e frequência cardíaca.
❖ DISTÚRBIOS HEPÁTICOS
● Os pacientes com lesões hepáticas graves (resultantes de doenças infecciosas, abuso de álcool ou
congestão vascular/biliar) necessita de cuidados especiais antes da cirurgia oral.
● Cada paciente deve ser avaliado de forma particular, visto que a gravidade do distúrbio hepático é variável.
● Pode haver necessidade de reduzir a dose ou evitar o uso de fármacos que sofrem metabolização hepática
(nimesulida, amoxicilina + ácido clavulânico, eritromicina, diclofenaco e ibuprofeno.
● Protocolo de atendimento:
1. Dialogar com o médico para descobrir a causa dos problemas hepáticos;
2. Atenção ao uso de fármacos hepatotóxicos;
3. Solicitar exames para investigar distúrbios sanguíneos (contagem de plaquetas, TP, TTPa, INR, vit. K);
4. Evitar situações em que o paciente possa deglutir grandes quantidades de sangue.
❖ PACIENTES TRANSPLANTADOS
● O paciente transplantado geralmente utiliza uma variedade de fármacos para preservar a função do tecido
transplantado, como:
o Corticosteroides – podem precisar de suplementação transoperatória;
o Imunossupressores – podem tornar as infecções mais graves.
● Por isso, normalmente é realizada a hospitalização precoce e uso de antibióticos.
● O médico do paciente deve ser consultado a respeito da profilaxia antibiótica.
● A ciclosporina A, imunossupressor administrado após transplante de órgãos, pode causar hiperplasia
gengival.
● Protocolo de atendimento:
1. Adiar o tratamento até que o médico libere;
2. Evitar o uso de fármacos tóxicos para o órgão transplantado;
3. Considerar o uso de suplementação com corticosteroides, de acordo com a recomendação médica;
4. Atentar para a presença de hiperplasia gengival induzida por ciclosporina A;
5. Considerar a profilaxia antibiótica para pacientes imunossuprimidos.
❖ PACIENTES ONCOLÓGICOS OU QUE FAZEM USO DE MEDICAÇÃO ANTIRREABSORTIVA
✔ Radioterapia
● As complicações bucais da radioterapia podem ser agudas (mucosite e infecções oportunistas, como
candidíase e herpes) ou crônicas (cárie de radiação, osteorradionecrose, trismo e diminuição da atividade
funcional das glândulas – causa xerostomia e dificuldade para deglutir).
● As manifestações bucais da radioterapia ocorrem somente nos casos de tratamento envolvendo cabeça e
pescoço, quando as glândulas salivares e maxilares estão no campo de radiação.
● É importante entrar em contato com a equipe médica.
✔ Quimioterapia
● Como os medicamentos são administrados na circulação sanguínea, seus efeitos colaterais são sistêmicos,
independente da origem primária do câncer.
● Complicações agudas: hemorragia, infecções oportunistas (candidíase e herpes), mucosite, xerostomia e
perda de paladar.
● Complicações crônicas: osteonecrose associada ao uso de medicamentos antirreabsortivos e alterações na
odontogênese.
● Antes de qualquer procedimento, a equipe médica deve ser contatada para discussão e planejamento do
caso.
● Pelas múltiplas complicações que podem acometer a cavidade oral, é essencial realizar uma consulta
odontológica preventiva antes de iniciar o tratamento radioterápico e/ou quimioterápico:
o Exame clínico e radiográfico;
o Avaliar doença periodontal, cáries e mucosas;
o Realizar todos os tratamentos (exodontias, selamento de cavidades, adaptação de próteses...);
o Abordagem preventiva (orientação de higiene oral e aplicação de flúor);
o Exodontias devem ser realizadas o mais rápido possível, possibilitando o reparo tecidual antes do início
da terapia oncológica. Deve ser adotada técnica mais atraumática possível. O tempo mínimo ideal de
intervalo entre a exodontia e o início do tratamento oncológico é de 3 semanas.
● A avaliação odontológica deve ser feita frequentemente durante a terapia oncológica, objetivando o controle
da higiene oral, prevenção de infecções oportunistas e diagnóstico/tratamento precoce das sequelas
bucais.
● O paciente deve ser orientado a realizar escovação com escova macia e pasta suave, bochechos com
clorexidina aquosa 0,12%, uso de nistatina solução oral (3x/dia), manutenção de lubrificação bucal e labial.
● Protocolo de atendimento durante a terapia oncológica:
o Contatar a equipe médica para definir quando realizar a abordagem cirúrgica;
o Realizar profilaxia antibiótica;
o Cuidado impecável com biossegurança durante o procedimento;
o Evitar realizar ostectomia;
o Ao realizar a sutura, sempre tentar realizar fechamento por primeira intenção (união dos bordos
cirúrgicos). Se possível, utilizar fio mononylon 5-0, para evitar acúmulo de biofilme e estimular melhor
cicatrização;
o Dependendo do trauma cirúrgico, realizar antibioticoterapia pós-operatória;
o Prescrição de bochechos de clorexidina aquosa 0,12% de 12 em 12 horas por 14 dias.
o Se disponível, utilizar fotobiomodulação ou oxigenoterapia hiperbárica, para auxiliar a cicatrização.
● Após o térmico da terapia oncológica, as consultas odontológicas deverão ocorrer a cada 3 meses, pelo
menos no 1º ano pós-terapia, para controle de rotina e diagnóstico e tratamento de complicações tardias.
● É comum observar o desenvolvimento de cárie de radiação, podendo ser usados fluoretos e tratamento
restaurador.
● Outra complicação comum é o trismo, sendo recomendado realizar sessões de fisioterapia e exercícios de
abertura bucal.
● A osteonecrose ou osteorradionecrose podem ocorrer durante ou após a terapia oncológica. Clinicamente,
é observada exposição de tecido ósseo avascular, podendo ter secreção purulenta associada. A maior
incidência de necrose óssea em paciente oncológico ocorre em mandíbula após radioterapia.
Recomenda-se o encaminhamento para um cirurgião bucomaxilofacial. Alguns dos tratamentos propostos
são:
o Irrigação com clorexidina aquosa 0,12%;
o Antibioticoterapia;
o Fotobiomodulação;
o Oxigenoterapia hiperbárica;
o Avaliação da necessidade de remoção dos sequestros ósseos.
● Exodontias após tratamento oncológico:
o Pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço deverão aguardar pelo menos 5 anos após o
tratamento oncológico para a realização de cirurgias eletivas.
o Pacientes que realizaram quimioterapia devem aguardar a normalização da contagem celular e dos
demais exames laboratoriais.
o Pacientes que realizaram radioterapia em outra parte do corpo devem aguardar a normalização dos
exames laboratoriais, mas não terão prejuízo na cicatrização.
o Caso seja necessário realizar a exodontia antes do período recomendado, deve-se seguir o protocolo de
atendimento ao paciente oncológico.
✔ Pacientes que fazem uso de medicações antirreabsortivas que podem induzir osteonecrose
● Medicações antirreabsortivas que podem induzir osteonecrose:
o Bisfosfonatos – alendronato, ibandronato, risedronato, pamidronato, zolendronato;
o Anticorpos monoclonais – denosumab;
o Antiangiogênicos – bevacizumab.
● A osteonecrose pode ser causada pela inibição da atividade osteoclástica, inflamação/infecção local e
inibição da angiogênese.
FATORES DE RISCO VARIÁVEIS MAIOR INCIDÊNCIA
Tipo de Medicamento Via oral ou via endovenosa Via endovenosa
Fatores Locais
Tipo de intervenção
Fator econômico
Condição de saúde bucal