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concluir a remissão de seus pecados. Enfrenta o bando e vence o líder, morrendo em seguida. 
Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto
 João Cabral de Melo Neto: foi poeta, escritor e diplomata brasileiro. Conhecido como “poeta engenheiro”, ele fez parte da terceira geração modernista no Brasil, conhecida como Geração de 45.
Nesse momento, os escritores estavam mais preocupados com a palavra e a forma, sem deixar de lado a sensibilidade poética. De maneira racional e equilibrada, João Cabral se destacou por seu rigor estético.
“Morte e Vida Severina” foi, sem dúvida, a obra que o consagrou. Além disso, seus livros foram traduzidos para diversas línguas (alemão, espanhol, inglês, italiano, francês e holandês) e sua obra é conhecida em diversos países
O pernambucano João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife em 6 de janeiro de 1920. Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo, João era primo de Manuel Bandeira e Gilberto Freyre. Passou parte da infância nas cidades pernambucanas de São Lourenço da Mata e Moreno. Muda-se com a família em 1942 para o Rio de Janeiro, onde publica seu primeiro livro, “Pedra do Sono”. Começa atuar no serviço público em 1945, como funcionário do Dasp (Departamento de Administração do Serviço Público). No mesmo ano, inscreve-se para o concurso do Ministério das Relações Exteriores e passa a integrar em 1946 o quadro de diplomatas brasileiros. Após passar por vários países, assume o posto de cônsul-geral da cidade do Porto, em Portugal em 1984.
Permanece no cargo até 1987, quando volta a viver com a família no Rio de Janeiro. É aposentado da carreira diplomática em 1990. Pouco depois, começou a sofrer com uma cegueira, fato que o leva a depressão. João Cabral morreu em 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, com 79 anos. O escritor foi vítima de um ataque cardíaco.
Morte e Vida Severina: Morte e Vida Severina retrata a trajetória de Severino, que deixa o sertão nordestino em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida. Severino encontra no caminho outros nordestinos que, como ele, passam pelas privações impostas ao sertão. A aridez da terra e as injustiças contra o povo são percebidas em medidas nada sutis do autor. Assim, ele retrata o enterro de um homem assassinado a mando de latifundiários. Assiste a muitas mortes e, de tanto vagar, termina por descobrir que é justamente ela, a morte, a maior empregadora do sertão. É a ela que devem os empregos, do médico ao coveiro, da rezadeira ao farmacêutico.
Nota, ao vagar pela Zona da Mata, onde há muito verde, que a morte a ninguém poupa. Retrata, contudo, que a persistência da vida é a única a maneira de vencer a morte. No poema, Severino pensa em suicídio jogando-se do Rio Capibaribe, mas é contido pelo carpinteiro José, que fala do nascimento do filho. A renovação da vida é uma indicação clara ao nascimento de Jesus, também filho de um carpinteiro e alvo das expectativas para remissão dos pecados.
Morte e Vida Severina é um poema de construção dramática com exaltação à tradição pastoril. Ele foi adaptado para o teatro, a televisão, o cinema e transformado em desenho animado. Por meio da obra, João Cabral de Melo Neto, que também era diplomata, foi consagrado como autor nacional e internacional. Como diplomata, o autor trabalhou em Barcelona, Madri e Sevilha, cidades espanholas que permitiram clara influência sobre sua obra.
João Cabral de Melo Neto foi seduzido pelo realismo espanhol e confessou ter, daquela terra, o reforço ao seu anti idealismo, antiespiritualismo e materialismo. Os instrumentos lhe permitiram escrever com mais clareza sobre o nordeste brasileiro em Morte e Vida Severina e outros poemas. A obra é, acima de tudo, uma ode ao pessimismo, aos dramas humanos e à indiscutível capacidade de adaptação dos retirantes nordestinos. O poema choca pelo realismo demonstrado na universalidade da condição miserável do retirante, desbancando a identidade pessoal.
Nove Noites
Bernardo Carvalho
 Bernardo Carvalho: Nasceu no Rio de Janeiro, em 05/09/1960, e radicou-se em São Paulo, onde se tornou um jornalista conhecido. Romancista e jornalista, foi editor do “Folhetim” e correspondente em Nova York e Londres, da Folha de S.Paulo, onde mantém uma coluna semanal de crítica literária. Segundo José Castelo é o “mais radical dos ficcionistas surgidos nos anos de 1990, o mais corajoso deles... mas quase não tem leitores”. Ele mesmo se conforma com a dificuldade de se vir a ser um best-seller. “Acho difícil. Espero que o editor não saiba, mas acho difícil. Se eu chegar, acho que vai ser por acaso.” Sua estréia se deu em 1993 com o livro de contos Aberração e o primeiro romance se deu em 1995, com Onze, uma História. Tem produzido uma literatura cuja característica marcante é a mistura entre ficção e realidade sem deixar muito claro as diferenças entre ambas. Sua narrativa é composta de fatos reais e históricos misturados com ficção, que sustentam e dão veracidade aos enredos. Em 1996, publicou Os Bêbados e os Sonâmbulos e foi se firmando como escritor no Brasil e na França, onde o livro foi traduzido. O livro seguinte – Teatro (1998) –, um romance (muito bem) narrado na primeira pessoa, coloca-o num plano desvinculado da literatura feita no Brasil: “Sou o que sou, faço o que sou. Não pareço com nada do que está aí”. Em 1999, com o lançamento de As Iniciais, foi reverenciado como um dos mais importantes escritores brasileiros da nova geração. Tal importância tornou-se mais clara em 2002, com a publicação de Nove Noites, que lhe rendeu o prêmio “Portugal Telecom de Literatura Brasileira”. No ano seguinte, nova surpresa com o lançamento de Mongólia, agraciado com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes na categoria romance. A partir daí seus lançamentos não são tão frequentes, mas são constantes: O sol se põe em São Paulo(2007); O filho da mãe (2009) e Reprodução (2013).
 Nove noites: 
Nove noites conta a história do misterioso caso do suicídio de um antropólogo norte-americano em solo brasileiro, chamado Buell Quain. Quain teria se suicidado diante de índios de uma tribo localizada no Tocantins (Krahôs), em 1939. O caso foi rapidamente esquecido, por não ter sido muito difundido ao público pela mídia. Mas o narrador decide investigar as razões de Quain, 62 anos após o ocorrido, ao se deparar com a história intrigante em um artigo de jornal.
Nove noites é baseado em fatos reais: o misterioso caso do suposto suicídio de Buell Quain, um antropólogo norte-americano de 27 anos, em 1939. O fato se tornou um escândalo sem uma resolução certa e que entrou no esquecimento da mídia. Um dos pontos mais intrigantes da história é o fato de Quain ter consumido o ato diante dos índios Krahôs, uma tribo localizada no Tocantins. Nessa obra, Carvalho tenta despertar a curiosidade do leitor, atraindo-o para uma busca incessante pela verdade por trás de um acontecimento incompreensível.
Apesar de trazer personagens fictícios e outros baseados na vida real, há três principais personagens em Nove noites: Buell Quain (protagonista), o antropólogo suicida, Manoel Perna, o engenheiro local, e o jornalista, que não tem a identidade revelada.
A narrativa da obra é feita a partir dos pontos de vista de Manoel Perna e do jornalista. A visão de Perna é importante para a história porque ele teve proximidade com Buell Quain: uma relação amorosa casual que resultou em importantes confidências. Já o jornalista é quem se dedica a uma investigação extraoficial a respeito do misterioso suicídio de Quain. Um fato curioso é que muitos leitores interpretam que o jornalista é o próprio Bernardo Carvalho, contudo essa informação não é oficial. Além dos personagens citados, há uma personagem não fictícia que faz referência à mentora da Antropologia no Brasil: a própria Heloisa Alberto Torres (1895-1977).
Os acontecimentos principais da história se desenrolam por meio de uma narrativa única, que mistura elementos de ficção com a realidade. Carvalho insere, em meio às palavras, fotos e personagens imaginários