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Psicologia Social I - Aulas EAD

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demonstradas. É claro que este estudo não pode ser considerado como perfeito, no entanto revela que nem sempre as atitudes nos permitem predizer com exatidão o comportamento que, por lógica, as seguiria.
· Apesar de não existir uma total correspondência entre atitude e comportamento, é mais do que aceito, na Psicologia Social, que o conhecimento das atitudes de um sujeito nos permite antecipar, com certa margem de erro, os comportamentos que ele pode manifestar em qualquer momento. Desta forma, podemos considerar as atitudes como instigadoras de comportamento mais do que como seus determinantes.
· Segundo alguns psicólogos sociais, um melhor preditor do comportamento é a intenção de comportar-se de uma determinada maneira. Estes autores destacam muito mais do que as normas ou as atitudes. 
· A intenção de comportar-se é o fator que melhor permite predizer os comportamentos que os sujeitos exibem. As atitudes e as normas sociais influenciam a intenção de comportar-se de um jeito ou de outro. Por isso a intenção é o fator mais próximo da expressão do comportamento final e o prediz melhor. Por exemplo, se uma moça tem a intenção de manter relações extraconjugais com um completo estranho, sua finalidade de fazê-lo dependerá em parte, pelo posicionamento (atitudes) pró ou contra tal fato, assim como pela forma como as pessoas mais próximas e significativas para ela pensam sobre isso (normas sociais). Mas na verdade, se conhecermos a intenção desta moça teremos uma perspectiva mais clara de como ela pode agir em último caso.
Natureza e Origem das Atitudes
· Existem diversas explicações para a origem das atitudes. Por exemplo, segundo Tesser (1993) a origem das atitudes seria genética já que elas se relacionam com coisas tais como nosso temperamento e nossa personalidade, e estes últimos se relacionam diretamente com os nossos genes. Mas mesmo que exista um componente genético, a experiência social desempenha um papel importante na modelagem das nossas atitudes. No entanto, nem todas as atitudes são formadas da mesma maneira. Embora todas elas tenham componentes afetivos, cognitivos e comportamentais, uma determinada atitude pode basear-se mais em um tipo de experiência ou componente do que em outro. Vejamos então os diversos tipos de atitudes que podemos identificar e classificar segundo a predominância de um destes três componentes.
· É importante destacar que os nomes da classificação de atitudes usados, a seguir, não dizem respeito à inexistência dos outros componentes, mas sim à preponderância de um deles.
Classificação das Atitudes
· Atitudes de Base Cognitiva
· Na medida em que a avaliação da pessoa se fundamenta em dados relevantes sobre a propriedade do objeto em questão, identificamos tal atitude como sendo de base cognitiva. Nesse caso, a função dessa atitude é a apreciação do objeto, onde a avaliação é feita considerando as vantagens e as desvantagens que tal objeto pode nos trazer. Em outras palavras, o objetivo desse tipo de atitude consiste em classificar e pesar os aspectos positivos e os negativos de um determinado objeto, para que a partir de tal avaliação o sujeito seja capaz de decidir se vale a pena ou não.
· As crenças e os sistemas de crenças são os elementos principais da cognição. Por exemplo, quando queremos comprar um carro ou desejamos fazer uma viagem, na hora de decidir por uma determinada marca ou por certo lugar isto depende da avaliação que realizamos de forma mais ou menos consciente de dados relevantes sobre esses objetos tais como desempenho do motor, os atrativos turísticos do lugar em questão etc.
· Atitudes de Base Afetiva
· Aqui incluímos as atitudes baseadas em emoções. Como exemplo, podemos pensar quando escolhemos um lugar para viajar não pelas informações relevantes sobre tal lugar, mas sim por certo valor afetivo, porque de alguma forma esse lugar representa, para nós, um local relacionado com alegria ou bem-estar, independentemente do que os guias turísticos ou as outras pessoas possam nos informar a respeito. Em geral, estas atitudes não resultam da revisão racional de informações, não se orientam pela lógica, estão fortemente ligadas a valores pessoais e por isso são muito difíceis de serem mudadas.
· As atitudes afetivas parecem estar relacionadas com reações sensoriais ou estéticas (apreciações estéticas ou gustativas em geral). Esse é o caso de quando gostamos de um determinado tempero ou da linha estética da marca de um carro ou de uma determinada cor. Outras atitudes podem ser ainda o resultado de condicionamentos (clássico ou operante). Elas podem assumir uma característica emocional positiva ou negativa tanto por meio do condicionamento clássico quanto do condicionamento operante, como veremos adiante.
· No caso de condicionamento clássico, um estímulo neutro é associado a um estímulo incondicionado que provoca uma resposta emocional e por repetições sucessivas, o estímulo neutro acaba provocando uma resposta semelhante e se torna um estímulo condicionado. Imagine que você associa uma experiência agradável, digamos o carinho da sua mãe ou da sua avó com determinado local, por exemplo, um shopping center, onde costumavam ir quando você era criança, no final você acaba tendo uma postura muito positiva em relação a esse shopping, associando-o com essas boas lembranças.
· Em relação ao condicionamento operante, somos reforçados ou punidos após apresentar um determinado comportamento e, assim passamos a aumentar ou a diminuir a frequência dessa determinada resposta. Desta forma, por exemplo, você pode acabar tendo grande afinidade em relação a um determinado time de futebol porque seus pais sempre reforçaram esse comportamento quando você era criança.
· Atitudes de Base Comportamental
· Segundo a teoria da autopercepção (Daryl Bem, 1972), em certas circunstâncias, as pessoas não sabem como se sentem até conseguirem observar como se comportam. Desta forma, as atitudes de base comportamental têm como fundamento as observações que fazemos sobre como nos comportamos em relação ao objeto da atitude. Neste grupo, onde as atitudes são inferidas a partir do comportamento, temos de destacar que a atitude inicial é, na realidade, um pouco ambigua ou pouco clara para o sujeito, já que ele precisa do comportamento para poder ter certeza. Além do mais, o sujeito não conta com outras explicações para poder entender seu próprio comportamento, ou seja, a única explicação de por que faz o que faz é porque simplesmente gosta.
· Veja um exemplo a seguir: Quando alguém nos pergunta se gostamos de praticar exercício e respondemos que achamos que sim, já que estamos sempre praticando algum tipo de esporte. Neste caso, podemos pensar que a nossa atitude se fundamenta mais no comportamento realizado do que na parte cognitiva ou afetiva.
Funções das Atitudes
· Através das atitudes podemos ter uma postura determinada frente aos objetos sociais que nos rodeiam. Mas as atitudes têm outras funções além da avaliativa. Elas nos permitem organizar o nosso comportamento em diferentes planos, no plano da cognição, no plano dos afetos e no plano da conação. Em outras palavras, conhecendo as atitudes de uma pessoa em relação a determinado objeto, podemos entender porque tal pessoa pensa como pensa, sente o que sente e age como age frente a esse objeto social.
· As atitudes também contribuem na orientação do comportamento, já que elas contêm uma discriminação afetiva de tudo e do todo existente no nosso ambiente psicológico. Por outro lado, as atitudes nos ajudam a formar argumentos e, assim, contribuem nas defesas de nosso eu na medida em que podemos nos justificar ou afastar de objetos ou situações desagradáveis.
· Por último, as atitudes desempenham um papel expressivo em relação aos nossos valores. Na verdade, a principal função das atitudes é a de avaliar.
Mudança de Atitude
· Apesar de serem relativamente estáveis, é possível mudar de atitudes em diferentes momentos e por diversas razões. Vivemos rodeados de contínuas informações que nos instigam continuamente a mudar, a pensar

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