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Psicologia Social I - Aulas EAD

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passa desapercebido e com pouca frequência paramos para refletir a respeito. Desta forma, o preconceito é expressado continuamente não apenas pelas atitudes e práticas cotidianas das diversas comunidades, mas principalmente por meio da estrutura social que efetivamente exclui as populações sócio-historicamente discriminadas, estratificando de maneira desigual as classes, os grupos, as pessoas.
· A verdade é que o preconceito, como Aronson (2002) e seus colaboradores destacam, deve ser considerado onipresente. Estes mesmos autores afirmam que além de ser um fenômeno generalizado, o preconceito deve ser considerado também como perigoso. Ele pode levar ao ódio extremo e até o genocídio. Em casos menos radicais, o preconceito traz como consequência quase inevitável a redução da autoestima dos indivíduos alvo. As pessoas que pertencem a grupos sujeitos ao preconceito são vítimas, desde muito cedo, de ataques mais ou menos francos a sua autoestima.
· Segundo Aronson (2002) o preconceito pode ser entendido como uma atitude. “Especificamente, preconceito é definido como uma atitude negativa ou hostil contra pessoas de um grupo identificável, baseada exclusivamente na sua condição de membro do grupo. Por exemplo, quando dizemos que uma pessoa tem preconceito contra os negros queremos dizer que ela está preparada para comportar-se fria ou hostilmente na relação aos negros e que ela acha que todos os negros são mais ou menos a mesma coisa. Assim, as características que esse individuo atribui aos negros são negativas e fanaticamente aplicadas ao grupo como um todo – os traços ou o comportamento do indivíduo alvo do preconceito não são percebidos ou são desconsiderados”. Desta forma, o preconceito é, em sua essência, uma atitude. Em outras palavras, uma pessoa preconceituosa pode desgostar de pessoas de certo grupo e comportar-se de maneira ofensiva para com elas devido à crença de que tal grupo possui características negativas. 
· No caso do preconceito, estamos enfatizando o aspecto afetivo dos três componentes vistos, na aula anterior, sobre atitudes (componente afetivo, cognitivo e comportamental). Na verdade, o preconceito pode ser positivo ou negativo. Uma pessoa pode ser a favor ou contra um determinado grupo. No entanto, na Psicologia Social o termo é usado especificamente nas atitudes negativas. Sendo assim, o preconceito nos leva necessariamente à realização de comportamentos discriminatórios.  
Diferença Entre Preconceito, Estereótipos e Discriminação
· No linguajar comum, esses três termos se equivalem, mas em termos acadêmicos não.  Há um encadeamento lógico que precisa ficar claro. Cognitivamente, os seres humanos processam aproximadamente da seguinte maneira:
· Estereótipo - Juntamos pessoas em grupos para poder interagir com elas. Isto nos permite tomar decisões certas em diversos momentos como, por exemplo, o que fazer com as pessoas novas que aparecem na nossa frente.  De tal forma, sabemos que nosso comportamento frente a pessoas mais velhas ou vestidas com terno e gravata é diferente do que com pessoas mais novas ou vestidas de short e chinelo.
· Preconceito - A partir desse agrupamento fazemos julgamentos sobre esses grupos. Inclusive, nós mesmos nos identificamos como sendo parte desses agrupamentos.
· Discriminação - Nos comportamos segundo esse julgamento quando estamos frente alguém que forma parte do grupo em questão.
Estereótipos
· Podemos entender estereótipo como as crenças e os atributos compartilhados sobre um grupo.
· Nós, seres humanos, temos uma tendência de generalizar a partir de similaridades percebidas e dificilmente nos focamos no que é diferente, já que ao nos basearmos no que é comum conseguimos tomar decisões mais rapidamente para poder atuar sem demora.
· Durante o processo de socialização, somos levados a entender e categorizar o mundo que nos rodeia e formamos as ideias de quem somos e os papéis a desempenhar. Assim descobrimos a que grupo pertencemos e através desta diferenciação o indivíduo recolhe informações generalizadas sobre os diversos grupos. Podemos considerar, então, a socialização como uma das origens dos estereótipos. Na verdade, entramos em contato com determinados estereótipos desde o nascimento e passamos a aceita-los sem grandes questionamentos até a adolescência, época em que apresentamos fortes dúvidas em relação a crenças e valores em geral, especialmente aqueles que associamos aos nossos pais.
· Com a adolescência o jovem assimila outros estereótipos. Até então o processo de aquisição e formação dos estereótipos era feito principalmente por inculcamento dos pais, professores e outras figuras significativas do processo de socialização. Já na adolescência, outros agentes de socialização com quem o jovem interage reconstroem outra realidade da vida comunitária. Assim, é pela experiência vivida no processo de socialização que os estereótipos são aprendidos, acomodados e assimilados e depois integrados em um determinado contexto cultural e sócio-histórico.
· Considerando que o estereótipo é uma crença compartilhada, e a crença é uma cognição relacionada a um objeto, podemos considerar o estereótipo como sendo o componente cognitivo do preconceito. Podemos considerar também o estereótipo como um componente pré-atitudinal. De tal forma, o estereótipo permite conviver e interagir na sociedade já que ele facilita a organização de informações sobre pessoas e instituições de nosso ambiente social com os quais precisamos interagir. Mas, como estas cognições refletem, na verdade, generalizações bastante superficiais, os estereótipos não podem ser utilizados pelas pessoas de uma forma rígida, pois isto impossibilitaria enxergar as diferenças individuais e as particularidades de cada caso.
· Aronson e colaboradores (2002) concordam com Allport ao afirmar: “... o mundo é simplesmente complicado demais para que tenhamos uma atitude altamente diferenciada a respeito de cada coisa. Em vez disso, maximizamos nosso tempo e energia cognitivos desenvolvendo atitudes elegantes, exatas, em relação a alguns tópicos, enquanto confiamos em crenças simples e esquemáticas em relação a outros. (...) Dada a nossa limitada capacidade de processamento de informações, é razoável que os seres humanos se comportem como “avaros cognitivos” – que tomem atalhos e adotem certas regras empíricas na tentativa de compreender outras pessoas” (Aronson, et al, 2002, p. 295)
O Estereótipo e a Formação da Autoimagem
· Os estereótipos também participam na formação da autoimagem de cada indivíduo. Em outras palavras, os estereótipos grupais com os quais nos identificamos orientam, em parte, a forma como atuamos e as expectativas que temos sobre nós mesmos. Para entender melhor esta função dos estereótipos é interessante assinalar como eles se manifestam na percepção das diferenças segundo o gênero. Assim, por exemplo, uma mulher que comparte o estereótipo de que o sexo feminino é o sexo frágil, agirá de forma coerente ao mesmo, se colocando em posições onde precise ser cuidada e protegida por algum homem na vida dela.
· É desnecessário dizer que o fenômeno da estereotipagem dos gêneros distancia-se de fato da realidade, com grande frequência. Por exemplo, em algumas profissões muitas pessoas, da nossa cultura, consideram as profissionais do sexo feminino como menos competentes (como no caso de médicas, engenheiras etc.) somente pelo fato de serem mulheres, independentemente da capacidade real das mesmas.
Discriminação
· Segundo Campos (2000) se o preconceito é uma atitude negativa, podemos considerar a discriminação como um comportamento negativo. E assim, crenças estereotipadas resultam, muitas vezes, mas nem sempre, em tratamentos injustos entre as pessoas. E desta forma, chamamos de discriminação àquela ação negativa injustificada ou até prejudicial que é exercida contra os membros de um grupo vítima do preconceito. 
· É importante entender que nem todo preconceito se deriva, invariavelmente, em um ato discriminatório. Mas quando fazemos referência à esfera do comportamento, expressões

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