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Psicologia Social I - Aulas EAD

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verbais hostis, condutas agressivas que expressam crenças contra um grupo social, estamos invariavelmente falando de discriminação. Em outras palavras, sentimentos hostis somados a crenças estereotipadas levam a uma atuação que pode variar, segundo diversos níveis de gravidade, de um trato diferenciado até expressões mais agressivas de desprezo ou atos manifestos de agressão física. 
· Para entendermos melhor a relação entre preconceito e discriminação podemos citar os experimentos realizados por Sherif e colaboradores. Sherif, psicólogo turco nascido em 1906, é considerado hoje em dia como um dos maiores pesquisadores que nos permitiu entender as origens e as formas de conflitos intergrupais e suas possíveis soluções. 
· Em relação às pesquisas da década dos 1950 deste autor, Rodrígues, Assmar e Jablonski (2000) relatam: "Em três ocasiões distintas (1949, 1953 e 1954), durante três semanas passadas em um acampamento de férias de verão, um grupo de meninos entre 11 e 12 anos pensou estar se divertindo amenamente em uma colônia de férias. Na verdade participavam, ainda que inadvertidamente, de um experimento em um setting natural acerca da origem da coesão grupai, bem como dos conflitos grupais, e, neste último caso, de sua possível redução" (Rodrigues et ai., 2000, 150). Assim, Sherif dividiu os meninos e formou dois grupos que no começo não se conheciam. A partir das diversas atividades em que participavam, os meninos foram criando laços de amizade e quando, em um segundo momento, os dois grupos eram colocados para competir um contra o outro, diversos comportamentos e sentimentos hostis se evidenciaram.
Formas de Discriminação
· As diversas formas de discriminação são institucionalizadas nas organizações por meio de sistemas de opressão social amplamente conhecidos como, por exemplo, o racismo, o machismo, a homofobia entre outros. Tais práticas, em geral associadas ao assedio moral, podem convergir em qualquer forma de violência. Por exemplo, no caso da homofobia, entendida como o medo ou aversão a pessoas homossexuais, essa discriminação socialmente estabelecido pode desembocar em um crime homofóbico que pode incluir desde uma agressão verbal ou psicológica até mesmo uma agressão física. Infelizmente, as manifestações de discriminações se apresentam em todas as dimensões das relações de exploração, especialmente no mundo laboral. 
· Uma maneira bastante comum de realizar um diagnóstico da discriminação em uma organização é realizar o senso de seus colaboradores. Esse simples levantamento dirá quantas mulheres exercem cargos de chefia, que cargos os deficientes físicos estão ocupando, se pardos e negros estão em outro tipo de função que não seja só operacional, entre outras observações. Muitas vezes, estes dados demonstram a discriminação velada que existe nas organizações.
Causas do Preconceito e da Discriminação
· A principal explicação para a causa do preconceito e da discriminação advém de um legado histórico e de circunstâncias sociais às quais estamos atrelados. Entretanto, a nossa história não pode ser considerada como a única e exclusiva causa das manifestações sociais do preconceito e dos atos discriminatórios que observamos nos jornais. 
· A partir de uma análise histórica sobre a discriminação racial no Brasil alguns autores acreditavam na herança escravocrata de nosso país enquanto outros afirmam que a principal causa destas manifestações racistas é o sistema capitalista que auxiliou na manutenção de uma estrutura social discriminatória. Neste caso, a discriminação está relacionada com os ganhos materiais e simbólicos do grupo discriminador.
· Na sociedade brasileira atual, onde contamos com leis que punem o preconceito, esperaríamos a erradicação da discriminação racial ou de gênero. Entretanto, a resposta é negativa a tal suposição, pelo menos para questões de raça e gênero. Diversos autores apontam para uma mudança na expressão desse preconceito assim como de seu conteúdo.
· Como tentativa de explicar o preconceito e a discriminação surge o estudo da personalidade autoritária, onde o ponto principal consiste em delegar ao sujeito a responsabilidade de comportamentos racistas como o antissemitismo. 
· Autores como Adorno (1950), entre outros, consideravam que o preconceito era um distúrbio da estrutura de personalidade autoritária. Estes autores sustentavam que a hostilidade contra os judeus muitas vezes coexistia com a hostilidade contra outras minorias. Mas estas pesquisas não encontraram suficiente suporte científico. De qualquer forma, parece correto afirmar que o preconceito contém fortes raízes emocionais. Mas especificamente, a frustração gera hostilidade que é redirecionada e descarregada em bodes expiatórios. Esse fenômeno é conhecido como “agressividade transferida”, onde os alvos para essa agressividade étnica representam, muitas vezes, grupos concorrentes percebidos como responsáveis pela frustração pessoal. Por outro lado, o preconceito se compõe também de elementos cognitivos. Myers (2000) afirma: “Compreender a estereotipagem e o preconceito também ajuda a lembrar como a nossa mente funciona. Como as maneiras pelas quais pensamos sobre o mundo – e o simplificamos – influenciam nossos estereótipos? E como os estereótipos afetam os nossos julgamentos? (...) as convicções estereotipadas e as atitudes preconceituosas existem não apenas por causa do condicionamento social e porque permitem às pessoas transferir hostilidades, mas também como subprodutos de processos de pensamentos normais”. (Myers, 2000, p. 197). Em outras palavras, a maioria dos estereótipos não é, na verdade, tanto produto da maldade das pessoas e sim da forma com elas simplificam os seus mundos complexos. Os estereótipos equivalem a ilusões perceptivas que são subprodutos da nossa capacidade de interpretar o mundo que nos rodeia. Assim, os estereótipos agrupam as pessoas em categorias que, por um lado, exageram a uniformidade dentro dos membros de um grupo e, por outro lado, aumentam as diferenças entre grupos. Somado a isto, a nossa percepção de pessoas distintivas e de ocorrências vividas nos levam muitas vezes à distorção de nossos julgamentos. Entendemos que pessoas distintivas são aquelas que se tornam salientes em um grupo por apresentar características totalmente únicas e diferentes do resto das demais.
· Quando alguém se torna saliente em um grupo determinado tende a chamar a nossa atenção e muitas vezes, parece ser mais responsável que o resto pelo que acontece nesse momento. Um indivíduo distintivo, como por exemplo. uma pessoa de alguma minoria possui uma qualidade compulsiva. Tais pessoas nos deixam particularmente conscientes de diferenças que de outra maneira passariam despercebidas. 
· Se um indivíduo de alguma minoria comete algum crime, ajuda a criar uma correlação ilusória entre pessoas e comportamentos. Como consequência, o grupo ao que este indivíduo pertence acaba sendo julgado injustamente como se todos os seus membros fossem iguais e por tanto, capazes de cometer atos criminosos.
Concluindo
· Certamente, os estereótipos existem em quase todos nós e são facilmente ativados podendo levar a manifestações cruéis aos membros de certos grupos. Os estereótipos afloram quase que automaticamente em certas condições, e este processo de ativação é muito difícil de ser controlado pelo indivíduo, especialmente quando não tem consciência dele. Mas, para podermos reduzir o preconceito, os estereótipos e a discriminação, segundo especialistas, a melhor maneira é a do contato. Mais explicitamente, precisamos colocar as pessoas de grupos diferentes colaborando as umas com as outras para poderem alcançar objetivos em comum. Esta seria uma atividade para ser praticada especialmente em escolas e com crianças.
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Aula 7 – Dissonância Cognitiva
Mas O Que É Teoria?
· Na presente aula, você irá estudar, em detalhes, a Dissonância Cognitiva como uma das teorias mais populares da Psicologia

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