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Psicologia Social I - Aulas EAD

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as consequências deste processo de interação social dentro de uma sociedade com uma cultura, uma história e uma economia própria.
· Dito isto podemos resumir como Rodrigues, Assmar e Jablonski afirmam: “Psicologia Social é o estudo científico da influência recíproca entre as pessoas (interação social) e do processo cognitivo gerado por esta interação (pensamento social).” (Rodrigues, 2000, p. 13)
Interações Humanas
· É importante ressaltar o que destaca os estudos das interações humanas realizados pela Psicologia Social, das afirmações sobre o comportamento social, feitas por filósofos, poetas e qualquer conhecimento proveniente do sentido comum, é que a Psicologia Social se fundamenta principalmente no método científico e não em meras impressões ou intuições.
· As afirmações provenientes do sentido comum, embora possam ser verdadeiras, carecem de comprovação sistemática e não podem ser consideradas como conhecimento sólido e confiável.
· “Método científico é toda atividade condicente à descoberta de um fato novo orientado pelo paradigma.
· Teoria -> levantamento de hipóteses  -> teste empírico das hipóteses levantadas  -> análise de dados colhidos  ->  confirmação ou rejeição das hipóteses  ->  generalização” (Rodrigues et al., 2000, p.14)”
Método Experimental
· O psicólogo social, ao utilizar o método experimental, cria situações sociais para observar seus efeitos no comportamento do indivíduo. De tal forma, o conhecimento derivado da pesquisa científica, em Psicologia Social, pode ser aplicado no entendimento e na solução de problemas sociais específicos. No entanto, é uma importante perspectiva da qual podemos fundamentar diversas compreensões, mas sempre considerando  não ser a única forma existente para explicar os fenômenos psicológicos e sociais.
Passos para Psicologia Social
· A Psicologia Social tem uma longa história, pois os seus interesses e fundamentos epistemológicos remetem a filósofos das civilizações clássicas que alimentaram as raízes da cultura ocidental. No entanto, considerando a Psicologia Social a partir da implementação de métodos e técnicas de pesquisa, entendemos esta área como caracteristicamente contemporânea. Vejamos:
· 
· 1989 – Os primeiros experimentos foram relatados.
· 1924 – Publicação do primeiro texto.
· 1930 – A Psicologia Social assumiu a forma que conhecemos hoje.
· Pós 2ª Guerra Mundial – A Psicologia Social começou a se destacar como o campo significativo que é hoje, com a divulgação de um vasto volume de pesquisas.
Características da Psicologia Social
· Para entendermos melhor esse campo de conhecimento, vejamos as principais características da Psicologia Social, que destacam seu caráter científico e prático. Assim,  teremos uma visão mais clara do seu objeto de estudo e como o mesmo é abordado.
· Segundo Helmuth Krüger (1986), os aspectos mais característicos da Psicologia Social são sete: individualismo, experimentalismo, microteorização, etnocentrismo, pragmatismo (ou utilitarismo), cognitivismo e a-historicismo.
Individualismo
· O termo individualismo refere-se à orientação utilizada pelos psicólogos sociais ao determinar o objeto de pesquisa. Esta orientação dominante se evidencia no estudo de processos psicológicos individuais, relacionados com estímulos e situações sociais. 
· Aqui, se destaca não somente o fato de que cada caso é um caso, como entendemos também que o sujeito particular representa o seu principal objeto e fonte de estudo.
· A Psicologia Social procura explicar porque, depois de anos de prisão política, uma pessoa exala amargura enquanto outra, como Nelson Mandela, da África do Sul, trata de seguir em frente e luta pela união de seu país.
Experimentalismo
· Em relação ao experimentalismo, podemos dizer que o uso da metodologia experimental permite confiar mais nos resultados obtidos, através de pesquisas em Psicologia Social. É, especialmente, desta forma, que a Psicologia Social se destaca principalmente do senso comum. Na verdade, as teorias não descrevem apenas o óbvio, elas muitas vezes oferecem uma nova percepção da condição humana. 
· Alguns autores como D. Myers (2000) afirmam que a Psicologia Social enfrenta duas críticas contraditórias: por um lado é considerada como trivial porque muitas vezes documenta o que parece ser óbvio; por outro lado, ela é vista como uma ciência perigosa porque o conhecimento que dela se deriva, pode ser usado para manipular as pessoas.
· “Uma teoria de primeira classe prevê; uma teoria de segunda classe proíbe; e uma teoria de terceira classe explica depois do evento” (Aleksander I. Kitaigorodskii apud Myers, 2000, p. 8).  Com esta citação queremos enfatizar que a Psicologia Social procura, na verdade, a construção de conhecimento sólido que nos permita estabelecer soluções confiáveis para situações reais e a possibilidade de realizar predições sobre as mesmas. Na verdade, o conhecido fenômeno do ‘eu sempre soube disso’ cria problemas para muitos psicólogos e estudantes de psicologia. Esse fenômeno consiste na falsa impressão de que as descobertas da psicologia, e especificamente de Psicologia Social, parecem uma simples questão do senso comum. Contudo, temos que entender que precisamos da ciência para nos auxiliar a diferenciar a realidade da ilusão, as previsões genuínas da fácil visão posterior, já que, como dizia Sherlock Holmes, “É fácil ser sábio depois do fato”.
Microteorização
· A microteorização é um outro aspecto importante da Psicologia Social contemporânea. Nesta ciência, como Krüger (1986) destaca, não é comum encontrar teorias abrangentes. Esta característica tal vez seja consequência de uma série de fatores, tais como, a falta de consenso entre especialistas em relação à imagem básica do homem; a particular dispersão temática da Psicologia Social; a infeliz falta de continuidade em muitos dos programas de pesquisa ou o abandono prematuro dos mesmos.
· Os psicólogos sociais propõem teorias que organizam suas observações e indicam previsões práticas e hipóteses que podem ser testadas. Assim, ao estudarmos a natureza humana para descobrir os seus segredos, organizamos nossas ideias e descobertas em teorias. Por outro lado, as declarações feitas e aceitas sobre a realidade constituem os fatos. Portanto, as teorias são ideias que resumem e explicam os fatos. Desta forma, a ciência é feita de fatos que são organizados de forma sistemática e consistente para poder representar adequadamente a realidade. Mas as teorias não apenas resumem a realidade, elas também indicam previsões que podem e devem ser testadas, conhecidas como hipóteses. Então, estas hipóteses são a forma de testar as teorias nas quais são baseadas e dão direção à metodologia utilizada. Com esta característica, pretendemos ressaltar a orientação, predominantemente americana, imprimida nesta ciência. 
· O epicentro da Psicologia Social, segundo Michael Bond (1988) encontra-se nos Estados Unidos. Este caráter ocidental se evidencia no desenvolvimento de conceitos a partir de uma determinada tradição cultural e no estudo de temas que são particulares da dita sociedade. Desta característica derivam-se duas dificuldades. Em primeiro lugar, o etnocentrismo na Psicologia Social afeta a validade externa da sua produção científica, impedindo a derivação de hipóteses e teorias generalizáveis ao menos no plano transcultural. Em segundo lugar, o etnocentrismo leva à falta de entendimento, em outras sociedades fora, principalmente, dos Estados Unidos, dos conceitos, derivações teóricas, esclarecimentos e derivações práticas relacionados com processos psicossociais. 
· Já que as pesquisas básicas e aplicadas produzem o duplo resultado do esclarecimento e da tecnologia, os psicólogos sociais devem procurar sempre ser mobilizados pelas expectativas dos membros da sua sociedade. 
· Segundo Krüger, o ideal seria que:  “(...) houvesse uma orientação que contemplasse o interesse científico pela obtenção de hipóteses e teorias psicossociológicas de aplicação transcultural, ao mesmo tempo que os recursos intelectuais e técnicos de que