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Psicologia Social I - Aulas EAD

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de perspectivas e percepção situacional.
· Existe uma perspectiva diferente quando analisamos o nosso comportamento e de quando analisamos o comportamento dos outros. Ao agirmos, o ambiente exige a nossa atenção. Já quando observamos o que outra pessoa faz, é ela quem ocupa nosso centro de atenção e por este motivo, ela parece responsável por tudo o que acontece. Adicionalmente, o tempo pode alterar nossas perspectivas sobre a explicação de nosso comportamento ou do comportamento dos outros. Com o passar do tempo, consideramos que os determinantes do comportamento são mais relativos a fatores externos, às circunstâncias. 
· Outro fator que contribui no erro de atribuição é a cultura. Em uma visão do mundo ocidental é mais frequente considerar que os determinantes do comportamento são pessoais mais do que circunstanciais. Segundo Myers (2000, p. 47): “Na cultura ocidental, à medida que as crianças crescem, tendem cada vez mais a explicar o comportamento a partir das características pessoais dos outros”.
Teoria da Inferência Correspondente 
· O pai da teoria da atribuição, Fritz Heider (1958), destacou assim, que as atribuições internas são particularmente atraentes para os observadores. Este fato constitui o ponto de partida da teoria da inferência correspondente, formulada por Edward Jones e Keith Davis (1965).
· Teoria que descreve o processo pelo qual chegamos a uma atribuição interna. Em outras palavras, estuda como inferimos disposições ou características internas de personalidade.
· Muitas das vezes, frente a uma história ou relato de alguém, costumamos inferir aquilo que desconhecemos, como os motivos internos ou as características de personalidade dos envolvidos. Assim, consideramos que as verdadeiras causas por trás do acontecido estão relacionadas com fatores pessoais e passamos a explicar os atos através de disposições internas.
· Exemplo: Imagine você no supermercado fazendo as compras da semana, quando encontra uma senhora de aproximadamente 35 anos, brigando com uma criança de mais ou menos 4 e que aparenta ser sua filha. O que você pensa a respeito dessa suposta mãe? Na maioria das vezes, quando não presenciamos o acontecimento anterior, consideramos a mulher pouco paciente ou muito estressada e que briga com o filho por todas estas condições internas.
Modelos de Covariação
· Conceito - Outra teoria que tenta explicar este processo de atribuição causal é o modelo de covariação, proposto por Harold Kelley (1967) que se preocupou em explicar como decidimos em fazer uma atribuição interna ou externa. Esse pensamento coincide com o do Heider ao supor que no processo de atribuição, reunimos informações que nos facilitam poder chegar a uma conclusão. Estes dados são variações do comportamento do sujeito avaliado ao longo de certo tempo. Ou seja, para poder explicar porque alguém fez o que fez, podemos usar informações relativas à maneira como o sujeito vem agindo.
· Tipos - Para Kelley (1967), existem três tipos de informações que podemos usar. São eles:
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· Consenso - A informação distintiva refere-se como o sujeito avaliado reage frente outros estímulos.
· Distintividade – A informação distintiva refere-se como o sujeito avaliado reage frente outros estímulos.
· Consistência - Descreve a frequência com a qual o comportamento observado frente ao estímulo específico se apresenta em tempo e em situações diferentes.
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· No exemplo visto da mãe no supermercado, se fosse o caso de conhecer essa mulher antes, poderíamos contar com estes três tipos de informação. A informação de consenso seria, por exemplo, como esta mãe interage com a criança normalmente quando está no supermercado. O segundo tipo de informação seria como essa mulher interage com adultos, se ela é simpática ou calma ou pelo contrário, estressada e pouco paciente. O terceiro tipo seria como esta mãe interage com o menino em outros locais, como por exemplo, em casa. Para Kelley, quando combinamos estes três tipos de informação, estamos mais capacitados a realizar inferências mais claras e precisas. Porém, as pesquisas feitas parecem apontar ao fato de que as informações de consenso não são usadas como os outros dois tipos, as informações de consistência e distintividade.
Comparando as Teorias
· Para as duas teorias apresentadas, a da inferência e a de covariação, as atribuições causais são feitas de forma racional e lógica. Mas porque nos parece que nossas impressões são corretas quando na maioria das vezes elas acabam sendo erradas? Segundo Aronson, Wilson e Akert (2002, p. 84) este fato pode ter várias razões. Destacamos algumas:
· Em primeiro lugar, vemos as pessoas em um número limitado de situações e, por tanto, nunca temos a oportunidade de verificar que as nossas impressões estão erradas.
· Em segundo lugar, muitas vezes não percebemos que nossas atribuições são erradas porque, sem notar, fazemos com que elas se transformem em realidade. Este fenômeno é conhecido como profecias autorrealizadoras. Isto acontece quando interagimos de tal forma com as pessoas que elas acabam reagindo a nós da maneira que esperamos. Por exemplo, podemos cumprimentar secamente a alguém que consideramos antipático e esta pessoa acaba cumprindo com as nossas expectativas, sendo antipático conosco pelo jeito pouco sociável com o qual nos aproximamos.
· Em terceiro lugar, talvez deixemos de compreender que estamos enganados se várias outras pessoas concordem a respeito do que outra é (ainda que estejamos errados).
· Para podermos melhorar a precisão de nossas atribuições e impressões, não podemos esquecer a existência do erro fundamental de atribuição e das profecias autorrealizadoras. Na medida em que somos mais conscientes das nossas tendenciosidades, poderemos ser mais justos ao julgar aos outros. Não entanto, segundo Myers, o erro de atribuição é, na verdade, fundamental, já que nos permite entender porque explicamos da nossa forma os outros, e desta maneira podemos estudar com mais clareza as atribuições que fazemos e suas consequências. De fato, as atribuições podem estar relacionadas a diversos fatores importantes dos comportamentos interpessoais.
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Aula 3 – A Formação do Ser Social
Refletindo
· Quando nos apresentamos, de que forma nos caracterizamos? Como finalizamos a frase: "eu sou..."? Às vezes, fazemos isto sem pensar e, na verdade, através da informação que compartilhamos sobre nós mesmos existem diferentes significados relacionados com a forma como nos autopercebemos. Em outras palavras, no conteúdo da frase "eu sou isto ou aquilo", podemos visualizar em parte o autoconceito.
O Autoconceito
· O autoconceito representa as crenças específicas pelas quais definimos quem somos. Representa nossos autoesquemas, ou seja, os modelos mentais que utilizamos para representar o que somos para nós mesmos. Estes autoesquemas afetam de forma significativa a maneira como processamos as informações sociais. Assim, a forma como percebemos, lembramos e julgamos os outros e a nós mesmos, depende desses autoesquemas. Por exemplo, se me considero muito capaz intelectualmente, terei uma grande tendência a avaliar aos outros em termos de capacidade intelectual. Terei uma forte inclinação em lembrar eventos relativos à atividade intelectual e me apresentarei como mais disponível a informações coerentes e relativas a este autoesquema.
· De acordo com o que vimos anteriormente, os autoesquemas constituem o autoconceito e facilitam a recuperação e a classificação das informações que chegam até nós. Assim, as nossas experiências são, em parte, determinadas pelo autoconceito. Um exemplo claro deste fenômeno está representado pelo efeito de autorreferência onde o nosso Eu acaba influenciando a nossa memória. A maioria das nossas memórias se formam em torno do interesse primário que somos nós mesmos. Vejamos, a seguir, alguns exemplos disto.
· Quantas vezes nós lembramos melhor das partes de uma história que estão diretamente associadas a nós,