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Psicologia Social I - Aulas EAD

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ou aquelas relacionadas com os elementos com os quais nos identificamos? 
· Quantas vezes ao recordarmos de uma conversa, lembramos melhor das partes que dizem sobre nós mesmos? 
· Na verdade, temos a tendência de lembrar melhor dos detalhes e das questões relacionadas com a gente.
O “EU”
· O sentido do Eu se encontra no centro de nossos mundos. Assim, podemos nos ver como atores principais das nossas vidas e tendemos a nos ver como o palco central, como os protagonistas, e superestimamos o grau em que o comportamento dos outros está relacionado com nós mesmos. Este fenômeno passa a ser mais evidente em crianças as quais reconhecemos como egocêntricas. Mas, o egocentrismo é uma característica presente em maior ou menor extensão, em todos nós. Na verdade, os autoconceitos incluem não somente os autoesquemas em relação a nossa identidade atual. 
· No autoconceito podemos incluir também os “eus possíveis”, ou seja, o que gostaríamos ou desejamos ser no futuro. Além do mais, os autoconceitos englobam diversas características em diversos contextos, e assim, o conjunto como um todo determina como nos sentimos com nós mesmos.
Desenvolvimento do Eu social
· A socialização é um processo de preparação das pessoas para o desempenho de papéis sociais, e para isto elas devem desenvolver habilidades psicológicas e físicas de maneira a serem capazes de preencher expectativas comportamentais do grupo ao qual pertencem.
Origem do Autoconceito
· Diversos estudos apontam para vários fatores, entre eles os genéticos e os sociais. Na compreensão deste processo, Myers (2000) destaca diversas experiências, tais como, os papéis que desempenhamos as comparações sociais, as experiências de sucesso e o fracasso, os julgamentos das outras pessoas e as relações do indivíduo com a sua cultura, como veremos a seguir.
Papeis Sociais
· No caso dos papéis que desempenhamos dentro de nosso grupo social, podemos entender como progressivamente aprendemos e desenvolvemos aspectos de nós mesmos. Isto pode ser observado especialmente ao assumirmos um novo rol. No começo, podemos nos sentir um pouco constrangidos, mas progressivamente incorporamos esse papel no nosso Eu.
· Os papéis sociais são sistemas de prescrições comportamentais objetivos com conteúdo socialmente definido. 
· O aprendizado destes papéis sociais confirma o processo de socialização que acontece de maneira contínua, ao longo da existência de cada indivíduo no seu grupo social.
· Em toda sociedade, estes papéis são diferenciados segundo sexo, idade, gênero, parentesco, diversas atividades de subsistência e convivência, e nas relações de poder. Além do mais, os indivíduos experimentam vários ritos de passagem quando transitam de um papel social para outro. Este processo de socialização acontece através da intervenção de pais, companheiros e adultos de uma forma geral. Estes agentes de socialização influenciam as crianças e os adolescentes durante o desenvolvimento de papéis sociais básicos.
Comparações Sociais
· Sobre as comparações sociais, Myers (2000) ressalta como elas moldam a nossa identidade. Na verdade, o autoconceito não se compõe unicamente pela identidade pessoal, mas também pela nossa identidade social. E assim, a identidade social de quem somos implica, de alguma forma, uma definição de quem não somos. Ainda quando nos sentimos parte de um grupo, temos consciência de nossa particularidade. Assim, sempre estamos nos comparando com as outras pessoas ao nosso redor e isto, por sua vez, nos permite entender melhor como diferimos deles. Como Myers observa: “num lago pequeno, um peixe sente-se maior”
Experiências
· Em relação às experiências de sucesso e de fracasso podemos entender que as mesmas alimentam o autoconceito. Estas experiências cotidianas permitem que os indivíduos se autoavaliem. Assim, ao assumir tarefas desafiadoras e ter sucesso possibilita nos sentir mais competentes. Este é o princípio de que o sucesso alimenta a autoestima. Em contraparte, problemas e fracassos parecem causar baixa autoestima. E, segundo diversas pesquisas, esta baixa autoestima pode causar problemas. Podemos pensar então que os sentimentos seguem, até certo ponto, a realidade. Como Myers destaca: “A autoestima vem não apenas de dizer às crianças como elas são maravilhosas, mas também das realizações conquistadas com esforço” (Myers, 2000, p. 24).
Autocontrole Percebido
· O autoconceito influencia o comportamento. Desta forma, o autocontrole percebido é muito importante na forma como enfrentamos as coisas. 
· O autocontrole percebido difere da noção de autocontrole em si. De fato, o autocontrole exercido com esforço pode esgotar as reservas de resistência que um indivíduo tem frente a uma determinada situação. Quando tentamos nos autocontrolar para resistir a uma determinada tentação ou a uma determinada condição, os esforços realizados são muitas das vezes ineficazes e acabamos nos dando por vencidos.
· O autocontrole percebido é mais do que o esforço realizado para lutar contra, ele representa a nossa percepção do quão forte podemos ser. Este conceito está relacionado com a teoria da autoeficácia de Bandura (1997). Para este autor, uma convicção positiva das nossas possibilidades é altamente benéfica, pois permite que o indivíduo seja mais persistente e mais centrado nos seus objetivos. O grau de autoeficácia é a medida de quão competente nos sentimos para fazer alguma coisa. Mas os sentimentos de competência e de eficácia dependem da maneira como explicamos os nossos reveses. 
· As pessoas bem sucedidas têm maior probabilidade de encarar os reveses com otimismo se sentindo capazes de reverter a situação.
· De acordo com o que você viu anteriormente, podemos dividir as pessoas em dois grandes grupos:
· 
· Aqueles que apresentam um desamparo adquirido - No primeiro grupo temos as pessoas deprimidas que se tornam passivas porque acreditam que seus esforços não têm qualquer efeito. Nestas pessoas predomina um sentimento de perda de controle sobre o que fazem e como consequência os eventos desagradáveis se tornam profundamente estressantes.
· Aqueles que se apresentam com determinação - No segundo grupo temos pessoas que assumem o comando da própria vida para procurar realizar todo o seu potencial. Estes sentimentos estão demonstrados que aumentam a saúde e a sobrevivência. Pessoas deste grupo são bem menos ansiosas e menos deprimidas, se adaptam com maior facilidade e superam expectativas no desempenho das tarefas que realizam.
Tendenciosidade Personalista
· A tendenciosidade personalista é o viés que adotamos quando justificamos nossos atos ou quando nos comparamos aos outros. Com muita frequência aceitamos créditos quando nos informam de nossos sucessos, mas somos altamente resistentes a aceitar os nossos fracassos. 
· Quando fracassamos colocamos a culpa fora de nós. Em relação a comparações é interessante observar que a maioria das pessoas se considera melhor do que a média. Também apoiamos a autoimagem atribuindo importância às coisas em que somos bons. Mais ainda, temos uma particular tendência em aumentar a autoimagem distorcendo a extensão em que os outros pensam sobre nós. É por isto que em questões de opinião encontramos apoio para nossos pensamentos superestimando o grau em que os outros concordam conosco.
· Myers (2000, p. 35) reúne algumas das explicações para estas diversas tendenciosidades personalistas: “(...) o indicador de autoestima nos alerta para a ameaça de rejeição social, motivando-nos a agir com maior sensibilidade  
· Estudos confirmam que a rejeição social baixa nossa autoestima, o que reforça nossa ansiedade por aprovação. Rejeitados ou desprezados, sentimo-nos sem atrativos ou inadequados. Essa dor pode motivar esforços para melhorar e uma busca por aceitação em outro lugar”.  Desta forma, podemos entender que a tendenciosidade personalista pode ser vista como um importante fator adaptativo das pessoas, permitindo que as mesmas se protejam da depressão e da rejeição social. Mas, por outro lado, a tendenciosidade personalista pode ser vista