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Psicologia Social I - Aulas EAD

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também como um fator desadaptativo. Nesse caso, pessoas que culpam os outros pelos seus fracassos ou dificuldades sociais são, com frequência, mais infelizes daquelas que conseguem reconhecer seus erros. Além do mais, os reveses personalistas também inflam os julgamentos que as pessoas fazem de seus grupos, achando que seu grupo é melhor que os dos outros.
Administração da Imagem
· Existe assim uma preocupação importante por parte de cada um de nós em relação à autoimagem. Em diversos graus, estamos sempre administrando as impressões que criamos nos outros. Não podemos esquecer que, afinal de contas, somos animais sociais e precisamos do outro para nos reafirmar.
· A autorrepresentação relaciona-se com a nossa necessidade de representar tanto para uma audiência externa, confirmada pelas outras pessoas, como para uma audiência interna, confirmada por nós mesmos, tudo isto com a finalidade de escorar a autoestima e de confirmar a autoimagem.
· A nossa consciência sobre o outro faz com que muitas vezes ajustemos nosso comportamento procurando um acerto social. Isto pode ser visto como uma espécie de automonitoração. Este processo se apresenta em diversos graus em cada um, podendo estar presente em grande extensão em alguns indivíduos que se comportam como camaleões ou em menor extensão em pessoas que se importam menos com o que os outros pensam. O equilíbrio entre estes dois extremos não é fácil. Causar boa impressão como uma pessoa modesta, mas competente, exige uma grande habilidade social. Neste fenômeno a cultura tem um papel importante. Desta forma, a tendência para apresentar modéstia e otimismo contido é especialmente grande em sociedades que valorizam o comedimento como algumas populações orientais.
Desenvolvimento da moralidade
· As pesquisas do desenvolvimento da moralidade interessam a diferentes áreas, tais como, à Pedagogia, à Filosofia e às Ciências Sociais em geral. Este ponto encontra-se relacionado com estudos psicossociológicos referentes a comportamentos pró-sociais e de equidade.
· Para falar do desenvolvimento da moralidade não podemos deixar de citar Kohlberg (1976), que assim como Piaget (1896-1980), estudou a formação de estruturas psíquicas que dependem da interação do sujeito com elementos socioambientais.  Para estes autores, há uma grande importância nas interações sociais que o indivíduo mantém com o que está a sua volta, na busca de um equilíbrio entre o organismo e o meio ambiente.
· O sistema de desenvolvimento da moralidade proposto por Kohlberg compreende três níveis, cada um com dois estágios seguindo uma sequência progressiva, onde a passagem de um para o próximo depende da boa resolução das demandas do estágio prévio. Tais estágios são:
· 
· Punição e obediência
· Realismo instrumental
· Orientação segundo expectativas dos outros
· Lei r ordem
· Contrato social e direto
· Ética universal
· 
· Desta forma, o sujeito vai evoluindo seus princípios morais partindo de uma ética concreta e dependente das figuras parentais até uma ética mais individual e complexa. 
· A partir de testes fundamentados na teoria de Kohlberg observa-se que os dois últimos estágios são muito difíceis de alcançar e que existem diferenças culturais na média atingida por um determinado grupo.
Desenvolvimento da Necessidade de Realização
· A socialização também está relacionada com o surgimento de motivos sociais como, por exemplo, a necessidade de realização.
· A necessidade de realização é uma motivação que também se desenvolve ao longo do processo de socialização e que pode ser qualificada como proativa. Em vez de existir um déficit a ser corrigido na necessidade de realização, destaca-se um fator de motivação e dinamização que orienta o comportamento em direção a alvos ou metas, situados em planos distantes, em relação aos já alcançados pela pessoa. Assim, a necessidade de realização se relaciona com padrões de busca de excelência no desempenho individual em diversos setores, como, por exemplo, no aspecto profissional, acadêmico, artístico, financeiro, entre outros. A partir das pesquisas realizadas observa-se que as principais fontes da necessidade de realização são encontradas no ambiente familiar. É importante a criança vivenciar uma atmosfera que valorize elevados padrões de qualidade na execução de tarefas para promover, inclusive, a independência nas diversas situações da vida. Esta necessidade de realização tem consequências socioculturais importantes. Pessoas com alta necessidade de realização têm uma maior tendência a ser orientar ao trabalho de forma competitiva, sendo autoconfiantes e seguras. Isto pode derivar em efeitos macrossociais de grande relevância para a sociedade. Assim, a necessidade de realização tem consequências tanto no plano individual como no plano macrossocial. Ao lado de fatores socioculturais e históricos, a necessidade de realização pode ser considerada uma importante variável psicológica a influir no desenvolvimento socioeconômico de um grupo cultural.
Aula 4 – Processos Grupais
Introdução
· Não podemos negar que somos seres sociais. Nascemos e crescemos dentro de um grupo que é a nossa família (seja ela natural ou não) e à medida que o tempo passa, entramos e saímos de diferentes grupos nos permitindo ser o que somos. Alguns desses grupos se mantêm ao longo de nossas vidas como família e amigos. Outros fazem parte de momentos específicos do nosso desenvolvimento como nossos amigos da adolescência e os colegas de faculdade. E, ainda, outros cobram força na nossa fase adulta, como, por exemplo, os companheiros de trabalho e os pais dos colegas de escola de nossos filhos.
· Como já ressaltamos nas aulas anteriores, a verdade é que todos nós precisamos das outras pessoas e dos grupos para poder ser o que somos e para poder viver nossa vida como seres sociais. Portanto, os grupos desempenham um importante papel em nossa existência. De tal forma, se faz necessário que entendamos melhor a natureza, a formação, a evolução, a composição e a estrutura deles.
· Na presente aula, explicaremos melhor a dinâmica interna dos grupos e os diversos processos grupais. Com todas estas informações poderemos entender mais por que as pessoas agem de determinadas maneiras, e como podemos auxiliá-las a encontrar condições mais favoráveis em contextos específicos para alcançar padrões de comportamentos que respondam às normas e aos valores predominantes.
Primeiros Estudos
· Na Segunda Guerra Mundial, surgiram os primeiros estudos dos grupos na Psicologia Social evidenciados em experimentos de laboratório, conduzidos por Sherif (1936), Lewin (1939) e Newcomb (1943). Seguidamente, Festinger (1950) e pesquisas sobre conflito, liderança, conformidade e outros processos grupais foram sendo desenvolvidas mostrando o interesse da época pela dinâmica de grupo como Zander (1968) chamou. Não entanto, todo este entusiasmo pela dinâmica de grupo foi minguando nas últimas décadas por diversos motivos. De fato, como Rodrigues, Assmar e Jablonski (2000) assinalam:
· “(...) a Psicologia Social norte-americana passou a se especializar, progressivamente, no estudo de fenômenos intrapsíquicos, interpessoais e microgrupais, inicialmente com a teoria da dissonância cognitiva e, em seguida, com as teorias sobre a atribuição de causalidade e sobre processamento da informação social, constitutivas da cognição social, hoje seu paradigma dominante. (...) Nesse sentido, o estudo dos processos de influência social de minorias, de identidade social e relações intergrupais, bem como de conflito e cooperação entre grupos, continua sendo foco privilegiado de interesse da Psicologia Social europeia” (Rodrigues, Assmar e Jablonski, 2000, p. 346-347).
· Mas como podemos definir grupo social?É difícil encontrar um consenso em relação a este termo. Estudaremos, a seguir, como se dá sua definição.
Definição de Grupo
· Em primeiro lugar, é importante diferenciar o grupo social do grupo não social.
· Grupo Não Social
· Com o termo grupo não social estamos nos referindo a um conjunto de pessoas que se encontram em