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Abelhas nativas sem ferrão - Jerônimo Vilas-Boas

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Enxameagem das 
abelhas sem ferrão
Procura e 
escolha da 
nova moradia
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Manual Tecnológico34
FONTE: Adaptada de Posey & Camargo, 1985.
Célula vazia
Fase larval
Pré-pupa
Pupa
Adulto
Ovo + Alimento
5. A larva constrói um 
casulo – fase chamada 
de pré-pupa – que 
reveste a célula de cria 
internamente. Depois 
de formado, abelhas 
adultas retiram o 
cerume que envolve 
o casulo. Nessa fase 
os favos de cria fi cam 
com um tom mais 
claro e amarelado (ver 
box da página 37);
A atividade de postura da rainha dá vida a todas as abelhas 
existentes em uma colônia. O processo de nascimento de uma 
abelha é iniciado com a construção das células e favos de cria, 
passando, a seguir, pelos seguintes passos:
1. Em cada 
célula a operária 
deposita uma 
porção de 
alimento; 
2. Sobre o 
alimento é 
depositado um 
ovo; a célula é 
fechada;
3. O ovo eclode 
dando origem a uma 
larva;
4. A larva se 
desenvolve, 
alimentando-se do 
pólen e mel estocados;
6. Dentro do casulo a 
pré-pupa se transforma em 
pupa, a qual se desenvolve 
e vira um adulto, que 
depois de certo tempo 
emerge (sai da célula).
O universo das abelhas e das colônias 35
No vocabulário dos meliponicultores, os favos de cria na fase de ovo até pré-
-pupa são chamados de “cria verde” ou “postura”, enquanto os favos na fase de 
pré-pupa até abelha adulta são chamados de “cria madura” ou “cria nascente”.
O tempo de desenvolvimento de uma abelha sem ferrão, desde o ovo até a 
abelha adulta, varia de acordo com as espécies. Entre as espécies da tribo Melipo-
nini o tempo é relativamente equivalente, uma média de 35-45 dias: 5-7 dias para 
eclosão do ovo; 12 à 16 dias de desenvolvimento larval; e 18 à 22 dias de amadu-
recimento da pupa. Nessa média, o período de desenvolvimento costuma ser um 
pouco mais longo para os machos e um pouco mais curto para as rainhas virgens. 
Nos Trigonini a variação entre as espécies é maior. 
Depois de sair das células (emersão), as abelhas sem ferrão vivem em média 
50-55 dias. As rainhas, entretanto, depois de serem fecundadas e tornarem-se 
rainhas poedeiras, vivem em média de 1 à 3 anos.
Divisão de trabalho
Como vimos anteriormente, as abelhas operárias são a grande força de traba-
lho de uma colônia. O tipo de trabalho realizado obedece uma sequência, variando 
de acordo com a idade da abelha ao longo dos seus 50/55 dias de vida. Sendo 
assim, geralmente todos os indivíduos realizam todos os tipos de atividade, orga-
nizadas na seguinte ordem: 
1. Nas primeiras horas após o nascimento as abelhas realizam a limpeza corporal 
e permanecem sobre os favos de cria produzindo cera, secretada por glândulas 
específicas em forma de pequenas placas brancas;
Detalhe das placas de cera branca secretadas pelas abelhas jovens 
no dorso do abdome.
2. Nos primeiros dias cuidam da 
cria manipulando cera: raspam 
as células de pré-pupa, cons-
troem células de cria e auxiliam 
as atividades de postura da rai-
nha;
3. A partir do primeiro terço de 
vida passam a exercer ativida-
des como limpeza e manipula-
ção de alimento, mas não dei-
xam de realizar outras funções 
que vinham exercendo;
4. É somente na segunda metade 
da vida, ou seja, após o 25º dia, 
que passam a exercer ativida-
des no ambiente exterior. Nes-
sa fase as operárias também 
Manual Tecnológico36
Fique atento! 
Reconhecer a diferença entre “cria verde” e “cria madura” é 
fundamental para entender as técnicas de divisão de colônias
A diferença deve ser notada pela cor dos favos. A cria verde geralmente é 
mais escura, brilhante, lembra chocolate, da mesma cor do cerume que re-
veste os favos. A cria madura é mais clara, opaca, bege/amarelada, da cor do 
tecido que forma o casulo. As fotos abaixo ilustram a diferença de favos ver-
des e maduros da abelha Uruçu-Amarela (Melipona mondury). Reconhecer 
essas diferenças é fundamental para entender as técnicas de divisão induzida 
de colônias 
são chamadas de campeiras. Saem para o campo em busca de pólen, 
néctar, barro, resina e água. Geralmente, antes da fase de campeiras, 
alguns indivíduos da mesma idade fazem a guarda da entrada e do tú-
nel de ingresso, defendendo a colônia. Nessa função, são chamadas de 
sentinelas.
Cria verde Cria madura
O universo das abelhas e das colônias 37
Abelha uruçu-amarela (Melipona flavolineata) – Pará
Francisco Melo Medeiros, 
meliponicultor de Jandaíra-RN
Manual de aproveitamento integral dos produtos das abelhas nativas sem ferrão 39
Cerume
Própolis
Pólen
Mel
Colônias
Entretenimento
Educação
Polinização
Produtos
Diretos
Produtos
Indiretos
As perspectivas da meliponicultura
Agora que já conhecemos um pouco do universo das abelhas nativas e de suas 
matérias-primas, passamos a tratar do manejo focado na manutenção de colônias 
e obtenção de produtos. Antes de começarmos a falar das técnicas de criação 
propriamente ditas, vale analisarmos as diversas abordagens aplicadas à meliponi-
cultura e dimensionarmos o potencial de exploração dessa atividade.
O diagrama abaixo indica os principais objetivos com os quais a meliponicultu-
ra tem sido desenvolvida no Brasil, propondo uma separação em duas categorias: 
produtos diretos e produtos indiretos. A seguir, vamos falar um pouco sobre cada 
um deles.
Criação de abelhas nativas 
sem ferrão
Produtos diretos
MEL
Sem sombra de dúvidas o mel é o mais consagrado dos produtos das abelhas. 
Se por um lado não é preciso dizer muito sobre ele, por outro a missão de falar dele 
com plenitude demandaria outro livro. Então vamos simplificar. 
Basicamente, o mel é um alimento viscoso, produzido a partir do néctar das 
flores que as abelhas coletam, transportam para as colônias e processam. Durante 
o transporte das flores para as colônias, o néctar é armazenado em um órgão es-
pecífico das abelhas, a vesícula melífera (ou papo de mel), uma espécie de bolsa 
onde o líquido adocicado colhido nas flores recebe algumas enzimas e começa a 
ser processado. Já na colônia, essa mistura de néctar com enzimas é desidratada 
e armazenada nos potes (ou favos, no caso das Apis). O resultado do processo é 
uma solução concentrada de água e açúcares, especialmente frutose e glicose, 
enriquecida com proteínas, vitaminas, sais minerais e ácidos orgânicos. 
A diversidade de aromas e sabores do mel reside na variedade de flores onde 
as abelhas colhem o néctar. No caso das abelhas sem ferrão, o número de espécies 
produtoras enriquece essa diversidade, já que cada tipo de abelha imprime no mel 
uma característica especial associada às suas enzimas específicas. 
Comparado ao conhecido mel das Apis, o mel de abelhas nativas é menos vis-
coso (ou seja, mais líquido), menos doce (por ter mais água tem menos açúcares) 
e mais ácido. Contém ainda um teor natural de bactérias e leveduras, microrganis-
mos que induzem sua fermentação. Logo, o mel de abelhas nativas não é tão es-
tável quanto o mel de Apis, característica que demanda tratamento diferenciado, 
como veremos mais adiante. 
Traduzindo em doçura a biodiversidade de flores e abelhas das regiões tropi-
cais, o mel de abelhas sem ferrão é um universo a ser explorado e merece mais 
espaço na rotina dos brasileiros. Missão para os meliponicultores que têm nesse 
desafio uma oportunidade de mercado. Sem falar das suas propriedades terapêu-
ticas, tão conhecidas pela medicina popular e gradativamente desvendadas pela 
ciência.
PRODUÇÃO DE COLÔNIAS
Como já comentamos, a meliponicultura é uma atividade que está crescen-
do no Brasil, o que faz com que a demanda por colônias seja cada vez maior. 
Discutiremos mais adiante que a aquisição de enxames depende de meliponários 
autorizados à sua comercialização e que existem técnicas de reprodução induzida 
que viabilizam a multiplicação intensa

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