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Direito do Consumidor - Leis Especiais para Concursos - Leonardo Garcia (2019)

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especifi-
camente procura o hospital, sem buscar, portanto, individualizadamente, 
determinado médico, e recebe atendimento inadequado por parte do 
profissional disponibilizado entre os integrantes do corpo clínico. O hos-
pital, ademais, não se livra da responsabilidade pelo ato do seu médico, 
no caso de falta de acionamento também do próprio médico - contra o 
qual deve ser demonstrada, pelo lesado, a culpa subjetiva. É que, acionado 
apenas o hospital, deve ele provar tudo o que tenha em seu prol, inclusive 
a falta de responsabilidade do médico, cuja culpa, se comprovada, lhe 
acarreta, objetivamente, a responsabilidade. A responsabilidade objetiva 
do hospital, nesse caso, quer dizer que não poderá ele, o hospital, entrar 
a discutir a existência, ou não, de culpa sua, dele, hospital, na contrata-
ção, admissão, designação ou do quer que seja relativamente ao médico. 
Demonstrada cu lpa do médico, também acionado ou denunciado na lide, 
ou não, é objetiva e automaticamente responsável o hospital.(STJ, REsp 
696284 / RJ, Rei. Min. Sidnei Beneti, DJe 18/12/2009) 
Por sua vez, nas hipóteses de serviços de atribuição do hospital (instru-
mentação cirúrgica, higienização adequada, vigilância, ministração de 
remédios etc.), a responsabilidade será objetiva. 
"O hospital responde objetivamente pela infecção hospita lar, pois esta 
decorre do fato da internação e não da atividade médica em si." (STJ, 
REsp 629212 / RJ, Rei. Min. Cesar Asfor Rocha, DJ 17/09/2007) 
h I>' Aplicação em concurso 
• DPU - CESPE - 2010. 
"Por ser considerada objetiva, a responsabilidade do hospital persiste, 
mesmo quando o insucesso de uma cirurgia não tenha sido decorrente de 
defeito no serviço por ele prestado." 
Gabarito: A afirmativa está errada. Veja julgado acima do STJ. 
A questão ficou bem elucidada com o julgamento do REs'p 1145728/MG, 
Rei. Ministro João Otávio de Noronha, Rei. p/ Acórdão Ministro Luís Felipe 
Salomão, Quarta Turma, DJe 08/09/2011: 
A responsabilidade das sociedades empresárias hospitalares por dano 
causado ao paciente-consumidor pode ser assim sintetizada: 
175 
1 
' @MG• DIREITO DO CONSUMIDOR - Leonardo Garcia 
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(i) as obrigações assumidas diretamente pelo complexo hospitalar 
limitam-se ao fornecimento de recursos materiais e humanos auxi-
liares adequados à prestação dos serviços médicos e à supervisão do 
paciente, hipótese em que a responsabilidade objetiva da instituição 
(por ato próprio) exsurge somente em decorrência de defeito no 
serviço prestado (art. 14, caput, do CDC); 
(ii) os atos técnicos praticados pelos médicos sem vínculo de emprego ou 
subordinação com o hospital são imputados ao profissional pessoal-
mente, eximindo-se a entidade hospitalar de qualquer responsabilidade 
(art. 14, § 4, do CDC), se não concorreu para a ocorrência do dano; 
(iii) quanto aos atos técnicos praticados de forma defeituosa pelos profis-
sionais da saúde vinculados de alguma forma ao hospital, respondem 
solidariamente a instituição hospitalar e o profissional responsável, 
apurada a sua culpa profissional. Nesse caso, o hospital é responsa-
bilizado indiretamente por ato de terceiro, cuja culpa deve ser com-
provada pela vítima de modo a fazer emergir o dever de indenizar da 
instituição, de natureza absoluta (arts. 932 e 933 do CC), sendo cabível 
ao juiz, demonstrada a hipossuficiência do paciente, determinar a 
inversão do ônus da prova (art. 62, VIII, do CDC). 
h 
/Y Aplicação em concurso 
• FCC -TJ-RR - Juiz Substituto - 2015. 
"Camila teve a perna amputada por Marcelo, médico cirurgião empregado 
do Hospital Mais Saúde. Muito abalada, ajuizou ação contra Marcelo e con-
tra o Hospital Mais Saúde. Em contestação, Marcelo sustentou ter realizado 
o procedimento para salvar a vida de Camila, que estava acometida de grave 
infecção. O Hospital Mais Saúde sustentou não ter responsabilidade pela 
conduta de seus empregados. Comprovado o dano, o Hospital Mais Saúde 
será responsabilizado pelo ato de Marcelo 
A) objetivamente, mas apenas se ficar caracterizado que há nexo entre sua conduta 
e a infecção, não respondendo por atos de terceiros, em nenhuma hipótese 
B) subjetivamente, mas apenas se ficar caracterizado que teve culpa direta 
pela infecção e pela contratação de Marcelo 
C) subjetivamente, por culpa presumida, se ficar caracterizado que Marcelo 
agiu com culpa 
D) objetivamente, ainda que Marcelo não tenha agido com culpa 
E) objetivamente, se ficar caracterizado que Marcelo agiu com culpa 
Gabarito: Letra E 
• Defensor Público - ES/ 2012 - CESPE. 
"A responsabilidade dos hospitais, no que tange à atuação técnico-profissio-
nal dos médicos que neles atuam sem vínculo de emprego ou subordinação, 
~ 
~ 
6c. 
~ 
~ 
~ 
~ 
6-í: 
Código de Defesa do Consumidor - Lei nº 8.078 de 1 1.09.1990 IMMCi 
é subjetiva, ou seja, depende da comprovação de culpa dos prepostos, 
conforme a teoria de responsabilidade subjetiva dos profissionais liberais, 
abrigada pelo CDC." 
Gabarito: A afirmativa está errada. Quando não há vinculo de emprego ou 
subordinação, os hospitais não respondem pelos atos do médico. 
• Defensor Público - RR/2013 - CESPE. 
Lúcia submeteu-se a uma cirurgia plástica de implante de silicone nas maçãs 
do rosto, procedimento realizado pelo médico cirurgi:ão Hélio e pelo médico 
anestesista Tiago. Infelizmente, por um erro de Tiago, que não verificou 
se a paciente possuía alguma alergia, a cirurgia pli3stica não alcançou o 
resultado esperado, tendo a paciente ficado com 1um dos lados da face 
paralisado. Assim, ela ajuizou ação buscando indenização pelo dano estético 
que sofrera. Na sentença, o juiz reconheceu a relação de consumo entre as 
partes, inverteu o ônus da prova e julgou procedente o pedido, condenando 
Hélio e Tiago ao pagamento, de forma solidária, do valor de R$ 40.000,00 
a título de danos morais em favor da autora, corrigidos com juros de mora 
desde a citação e correção monetária desde a data do evento danoso. 
À luz do CDC e da jurisprudência pertinente, assinale a opção correta 
relativamente à situação hipotética acima descrita e à responsabilidade 
civil por erro médico. 
A) Na situação hipotética em apreço, o juiz não poderiia ter aplicado a regra 
da inversão do ônus da prova ao caso, pois a relação jurídica travada entre 
médico e paciente não é regida pelo CDC. 
B) Na hipótese considerada, Hélio não poderia responder objetivamente pelos 
danos sofridos pela paciente, na medida em que os profissionais liberais 
respondem de forma subjetiva, não havendo solidariedade entre ele e Tiago 
por erro médico durante a cirurgia. 
C) Ao fixar o cômputo de juros moratórias a partir da citação, o juiz do caso 
em apreço não acompanhou a jurisprudência do STJ, no sentido de que 
os juros referentes à reparação por dano moral devam incidir a partir do 
evento danoso. 
D) Nos termos da jurisprudência do STJ, a correção monetária do valor da 
indenização do dano moral incide desde a data da citação e não desde o 
arbitramento, conforme incorretamente decidiu o magistrado na hipótese 
em pauta . 
E) A relação jurídica entre médico e paciente é contratual e, por isso, encerra 
obrigação de meio, ainda que em casos de cirurgias plásticas de natureza 
exclusivamente estética. 
Gabarito: Letra B. Questão extraída da jurisprudência do STJ: "O Código 
de Defesa do Consumidor, em seu art. 14, caput, prevê a responsabilidade 
objetiva aos fornecedores de serviço pelos danos causados ao consumidor 
em virtude de defeitos na prestação do serviço ou nos informações presta-
das-fato do serviço. Todavia, no§ 4º do mesmo artiao, excepciona a regra, 
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f..J 
; 
MI&• DIREITO DO CONSUMIDOR- Leonardo Garcia 
consagrando a responsabilidade subjetiva dos profissionais liberais. Não há; 
assim, solidariedade decorrente de responsabilidade objetiva, entre o cirur-
gião·chefe e o anestesista, por erro médico deste último durante a cirurgia. 
7. No caso vertente, com base na análise do contexto /ótico-probatório dos