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ABCDE do trauma (atendimento ao politraumatizado + choque neurogênico

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Problema 5 
1- Revisar a abordagem inicial geral ao paciente politraumatizado de acordo com as diretrizes do ATLS. 
2- Discutir a fisiopatologia, tipos de lesão e suas apresentações clínicas dos traumas crânio-encefálico e 
raquimedular. 
3- Discutir a abordagem do paciente com trauma neurológico na emergência, com ênfase nas indicações de 
internação para observação e exames complementares. 
4- Conhecer a fisiopatologia do choque neurogênico secundário ao trauma raquimedular. 
5- Discutir o diagnóstico diferencial do choque no paciente politraumatizado. 
6- Discutir as lesões traumáticas produzidas por acidente de trânsito no contexto da saúde pública e suas 
medidas preventivas. 
7- Reconhecer a importância do preparo em comunicações difíceis para tomada de decisão no cuidado crítico. 
 
Referências: 
- ​Choque Neurogênico.​ Acd. Francisco Caubi 
- ​Choque neurogênico: manejo clínico e suas particularidades na sala de emergência.​ Damiani. 
- ​ATLS​, 9 ed 
 
 
 
 
 Abordagem ao politraumatizado 
Antes de iniciar a abordagem XABCDE ao paciente vítima de trauma é necessário atentar-se a itens essenciais 
para salvaguardar a vida da equipe, como: avaliação da segurança da cena segura, uso de EPI’s, sinalização da 
cena (Ex. dispor cones de isolamento na pista). 
 
X) – Exsanguinação 
Contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias 
aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em 
um curto período de tempo, o que mais mata no trauma são as hemorragias graves. 
 
 (A) – Vias aéreas e proteção da coluna vertebral 
No A, deve-se realizar a avaliação das vias aéreas. No atendimento pré-hospitalar, 66-85% das mortes 
evitáveis ocorrem por obstrução de vias aéreas. Para manutenção das vias aéreas utiliza-se das técnicas: “chin 
lift”: elevação do queixo, uso de aspirador de ponta rígida, “jaw thrust”: anteriorização da mandíbula, cânula 
orofaríngea (Guedel). 
No A também, realiza-se a proteção da coluna cervical. Em vítimas conscientes, a equipe de socorro 
deve se aproximar da vítima pela frente, para evitar que mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo 
causar lesões medulares. 
A imobilização deve ser de toda a coluna, não se limitando a coluna cervical. Para isso, uma prancha 
rígida deve ser utilizada. 
 
Considere uma lesão da coluna cervical em todo doente com traumatismos multissistêmicos! 
 
 
(B) – Boa Ventilação e Respiração 
No B, o socorrista deve analisar se a respiração está adequada. A frequência respiratória, inspeção dos 
movimentos torácicos, cianose, desvio de traqueia e observação da musculatura acessória são parâmetros 
analisados nessa fase. 
 Para tal, é necessário expor o tórax do paciente, realizar inspeção, palpação, ausculta e percussão. 
Verificar se a respiração é eficaz e se o paciente está bem oxigenado. 
 
(C) – Circulação com Controle de Hemorragias 
No C, a circulação e a pesquisa por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A maioria das 
hemorragias é estancada pela compressão direta do foco. A Hemorragia é a principal causa de morte no trauma. 
 A diferença entre o “X” e o “C” é que o X se refere a hemorragias externas, grandes hemorragias. Já o 
“C” refere-se a hemorragias internas, onde deve-se investigar perdas de volume sanguíneo não visível, 
analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma (pelve, abdomem e membros inferiores), 
avaliando sinais clínicos de hemorragia como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e 
comprometimento do nível e qualidade de consciência. 
 
 
Classificando o Choque Hipovolêmico 
 
 
 
QUAIS SOLUÇÕES EMPREGAR NA REPOSIÇÃO VOLÊMICA? 
O Soro Ringer com Lactato é a solução isotônica de escolha, contudo, soluções cristaloides não repõem 
hemácias, portanto, não recupera a capacidade de carrear O2 ou as plaquetas necessárias no processo de 
coagulação e controle de hemorragias. 
 
(D) – Disfunção Neurológica 
No D, a análise do nível de consciência, tamanho e reatividade das pupilas, presença de hérnia cerebral, 
sinais de lateralização e o nível de lesão medular são medidas realizadas. 
Nessa fase, o objetivo principal é minimizar as chances de lesão secundária pela manutenção da 
perfusão adequada do tecido cerebral. Importante aplicar a escala de coma de Glasgow atualizada. 
 
(E) – Exposição Total do Paciente 
No E, a análise da extensão das lesões e o controle do ambiente com prevenção da hipotermia são as 
principais medidas realizadas. O socorrista deve analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na pele etc. 
A parte do corpo que não está exposta pode esconder a lesão mais grave que acomete o paciente. 
 
Choque neurogênico- Trauma crânio- encefálico 
Muitos doentes com lesões cerebrais graves morrem antes de chegar ao hospital, e quase 90% das 
mortes pré​ hospitalares relacionadas ao trauma envolvem lesão cerebral. Aproximadamente 75% dos doentes 
com trauma craniencefálico que recebem cuidados médicos podem ser classificados como vítimas de trauma 
leve, 1 5% como vítimas de trauma moderado e 10% como vítimas de trauma grave. 
As vítimas sobreviventes de TCE frequentemente apresentam dano neurofisiológico que resulta em 
invalidez, comprometendo o trabalho e as atividades sociais. 
O objetivo principal do tratamento dos doentes com suspeita de trauma craniencefálico (TCE) grave é 
prevenir a lesão cerebral secundária. Fornecer oxigenação adequada e manutenção de pressão arterial 
suficiente para garantir a perfusão do cérebro são as maneiras mais importantes para limitar dano cerebral 
secundário e assim melhorar o resultado do doente. Após a aplicação dos ABCDE é crucial que se identifiquem 
lesões de massa que necessitam de intervenção cirúrgica. Isso é conseguido da melhor maneira pela realização 
imediata de tomografia computadorizada (TC) do crânio. ​Entretanto, a obtenção de TC não deve retardar a 
transferência do doente para u m centro de trauma capaz de realizar intervenção neurocirúrgica imediata e 
definitiva. 
A triagem do doente portador de trauma craniencefálico depende da gravidade da lesão e dos recursos 
disponíveis na comunidade em 
questão. Para os hospitais sem 
cobertura neurocirúrgica, 
devem estar em vigor acordos 
previamente estabelecidos 
com hospitais mais equipados. 
Recomenda-se enfaticamente 
que se consulte precocemente 
um neurocirurgião (Quadro 6- 
1). 
 
 
Anatomia 
Quais são os aspectos ímpares da anatomia e 
da fisiologia craniencefálica, e como eles 
influenciam os padrões de trauma 
cranioencefálico ? 
Uma revisão da anatomia craniana inclui o couro 
cabeludo, o crânio, as meninges, o encéfalo, o 
sistema ventricular, e os compartimentos 
intracranianos. (FIGURA 6-1 ) 
 
Couro cabeludo:​ Em razão da sua irrigação 
abundante, a laceração do couro cabeludo pode 
levar a perdas sanguíneas sig​nificativas, choque 
hemorrágico e mesmo morte. Isso é 
particularmente verdadeiro em doentes com 
tempo muito longo de transporte. 
 
 
Crânio: ​A base do crânio é irregular, possibilitando a ocorrência de lesões quando o cérebro se desloca e desliza 
no interior do crânio, em decorrência de movimentos de aceleração e desaceleração. A fossa anterior