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ORTOPEDIA - Osteomielite e Artrite séptica

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(após 1 a 3 dias do inicio), 
já mudanças no esqueleto, como a reação periosteal (elevação) ou 
destruição óssea não são vistos até 7º-14º dia da infecção 
 
o Ultrassonografia: tem possibilidade de mostrar as infiltrações de partes 
moles e edema. Também é auxiliar no diagnóstico diferencial com artrite 
séptica, celulite, tumores malignos do osso etc. 
 
o Cintilografia: a cintilografia do osso com tecnécio-99 pode confirmar o 
diagnostico de 24-48h após o inicio em 90-95% dos pacientes. É um 
exame que evidencia muito bem a área de hiperemia, onde o contraste 
tem captação maior. Apesar de não ser um exame específico para 
processo infeccioso, é de extrema utilidade também no diagnóstico 
diferencial, pois reflete aumento do fluxo e atividade osteoblástica (lesões 
tumorais ou pós-traumática). Há marcadores ósseos específicos para a 
infecção, como o gadolínio e outros. 
 
o Tomografia computadorizada: tem pouca utilidade nessa fase aguda, é 
mais usada para localizar sequestros ósseos na osteomielite crônica 
 
o Ressonância magnética: pode mostrar mudanças inflamatórias precoces 
na medula óssea e tecido mole e é útil para detectar os abcessos 
intraósseo e subperiosteal. Abcesso subperiosteal aparece como hipossinal 
em T1 e hipersinal em T2 
º Tratamento: 
� Antibiótico venoso de forma empírica no começo 
� Levar em consideração o S. aureus 
� Drenagem cirúrgica - não regressão em 48 horas 
� Fazer coleta para cultura antes de iniciar atb 
� Adequação de antibiótico 
� Administração venosa por 6 semanas 
� Técnica de drenagem: garrote - elevar o periósteo - furos na cortical - 
remover tecido necrótico - fechar a pele frouxamente - deixar dreno 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fatores de risco, agentes etiológicos e antibióticos 
Anemia 
falciforme 
S. aureus; Salmonella; 
S. pneumoniae 
Ceftriaxona 
Ferimento 
puntiforme no pé 
S. aureus; 
Pseudomonas aerug 
Ceftazidima ou piperacilina 
tazobactam; Gentamicina 
º Complicações: 
o Septicemia; 
o Pioartrite (risco de luxação, subluxação, condrólise, destruição de epífise 
e placa epifisária) 
o Cronificação: sequestro, imune aos atb por não ter circulação; picos no 
decorrer da vida 
 
Ä Osteomielite Hematogênica Subguda: 
º Fisiopatologia: 
Acredita-se que o curso indolente da osteomielite subaguda seja o 
resultado do aumento da resistência do hospedeiro, da diminuição da virulência 
bacteriana, ou da inadequada administração de antibióticos antes do inicio 
dos sintomas. 
Especula-se que a combinação de um organismo de baixa virulência com 
uma forte resposta ao hospedeiro pode permitir que a inflamação persista 
no osso sem produzir sinais ou sintomas significativos. No entanto, o 
diagnostico depende da suspeita clinica e dos achados radiográficos. 
º Agentes etiológicos: 
� S. aureus e Staphylococcus epidemidis são os organismos predominantes 
identificados na osteomielite subaguda 
º Clínica e Diagnóstico: 
� Tem um inicio mais insidioso e não tem a gravidade dos sintomas, o que 
torna difícil o diagnóstico (2 a 4 semanas após inicio dos sintomas) 
↪ Quadro clinico atípico e exames laboratoriais inespecíficos 
� Temperatura é apenas ligeiramente elevada e a dor é leve a moderada 
� Contagem de leucócitos geralmente são normais 
� VHS é elevada em apenas 50% dos pacientes e as culturas são positivas 
em apenas 30% 
� VSG, PCR e alfa 1-glicoproteína ácida podem elevar-se nas fases mais 
dolorosas 
� Biopsia e curetagem seguidas pelo tratamento com antibióticos 
apropriados geralmente são recomendadas para todas as lesões que 
parecem ser agressivas. 
� Radiografias simples e cintilografias do osso geralmente são positivas. 
Mikaelle Mendes - Medicina - 7º período 
↪ Radiografia com lesão lítica bem delimitada com borda esclerótica 
(abcesso de Brodie), geralmente na metáfise 
 
N OBS: Abcesso de Brodie: forma localizada 
de OMS que ocorre mais frequentemente 
nos ossos longos das extremidades inferiores 
de jovens adultos. A dor intermitente de 
longa duração é a queixa apresentada, junto 
com sensibilidade local. Em radiografia 
simples, ele aparece como uma lesão lítica 
com uma borda de osso esclerótico. Pode ser 
confundido com uma variedade de neoplasias. 
« Classificação radiográfica: importante para diagnóstico diferencial 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
º Tratamento: 
� Antibioticoterapia empírica para S. aureus por 6 semanas 
� Lesão sem responder ao tto clinico ➛ debridamento cirúrgico 
 
Ä Osteomielite Crônica: 
A osteomielite crônica é difícil de erradicar completamente. Os sintomas 
sistêmicos podem diminuir, mas um ou mais focos no osso podem conter 
material purulento, tecido de granulação infectado ou um sequestro. 
As exacerbações agudas intermitentes podem ocorrer durante anos e 
muitas vezes respondem ao repouso e antibióticos. 
º Fisiopatologia: 
O sinal patognomônico da osteomielite crônica é o osso 
morto infectado dentro do envelope de tecido mole 
comprometido. 
Envoltório avascular: 
o Osso esclerótico 
o Periósteo espessado 
o Músculo e tecido subcutâneo cicatriciais 
Esse envoltório bloqueia a ação sistêmica dos atb, 
tornando-os relativamente ineficazes. Infecções secundarias 
são comuns e não costuma haver relação entre culturas do 
trajeto fistuloso e da Bx óssea. 
º Complicações: 
o Sequestro: é resultante da isquemia medular (pressão) e cortical (levanta-
mento periosteal). Pode de pequeno fragmento ósseo, até toda a diáfise. 
↪ Períodos de reagudização com fístulas; 
↪ Risco: fratura patológica 
º Classificação: 
Sistema de Estadiamento de Cierny e Mader para OMC 
Classe anatômica 
Tipo I Medular Doença endosteal 
Tipo II Superficial Superf. Cortical infectada por defeito de 
cobertura 
Tipo III Localizada Sequestro cortical pode ser retirado sem 
comprometer a estabilidade 
Tipo IV Difusa Características do I, II e III + instab mecânica 
antes ou pós desbridamento 
Classe fisiológica 
Hospedeiro A Normal Imunocompetente com boa vascularização local 
Hospedeiro B Comprometido Fatores locais ou sistêmicos que comprometem 
a imunidade ou a cura 
Hospedeiro C Proibitivo Incapacidade mínima, morbidade proibitiva 
prevista e/ou mau prognóstico p/ cura 
 
º Tratamento: 
Em adição à sensibilidade ao atb, ao 
desbridamento cirúrgico e à reconstrução, as 
morbidades do hospedeiro precisam ser 
consideradas e devem ser tomadas medidas 
para corrigir estas, como a otimização dos 
níveis de açúcar no sangue em pacientes com 
diabetes, cessação do tabagismo, e 
tratamento do fígado ou má função renal. 
 
Artrite Séptica: 
A artrite séptica aguda (pioartrite) resulta da invasão bacteriana no 
espaço da articulação, que pode ocorrer através de disseminação hematogê- 
nica, inoculação direta por trauma ou cirurgia, ou disseminação direta de um 
local adjacente como focos de osteomielite ou celulite. 
º Epidemiologia: 
� 49% em crianças menores que 2 anos 
� Ocorre mais comumente nos extremos de idade 
� Mais frequente em adultos do que em crianças, mas as piores sequelas 
ocorrem em crianças (devido à anatomia e placa de crescimento = destruí-
ção da epífise e osteonecrose) 
� Mortalidade menor que 1% - sequela grave 
� Articulações de membros inferiores que suportam peso são mais afetadas 
(61% a 79%); no entanto, qualquer articulação pode estar envolvida; 
º Fatotes de Risco: 
Artrite reumatoide, artrose, presença de prótese articular, baixo nível 
socioeconômico, abuso de fármacos intravenosos, alcoolismo, diabetes, 
infiltração prévia de corticoide intra-articular e úlceras cutâneas 
 
Ä Manifestações Clínicas: 
o Dor: de início súbito, que perdura de uma a duas semanas 
o Derrame articular: aumento de volume articular 
o Eritema: rubor e calor 
o Restrição dos movimentos da articulação acometida. 
o Surgem também mal-estar e aumento da temperatura corpórea, 
irritabilidade, taquicardia 
o A ausência de febre não exclui o diagnóstico, assim como sua presença 
não o confirma, embora seja sinal de alerta. 
o Atinge mais uma única articulação,