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SUPERVISÃO ESCOLAR

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e limitador e não se concretiza como marco de mudança ou melhoria 
ao qual se propõe. Infelizmente, muitos gestores veem o PPP como uma mera 
formalidade a ser cumprida por exigência legal - no caso, pela Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996. Essa é uma das razões pelas 
quais ainda há quem prepare o documento às pressas, sem fazer as pesquisas 
essenciais para retratar as reais necessidades da escola, ou simplesmente copie 
um modelo pronto (LOPES, 2011).
O PPP deve considerar possibilidades atingíveis e não ideais impossíveis. 
Assim, deve considerar o objetivo como algo intencional e construído com tarefas 
diárias. O projeto da escola é uma ação intencional, com um sentido explícito, com 
um	 compromisso	 definido	 coletivamente.	 Planejamos	 o	 que	 temos	 intenção	 de	
fazer, de realizar, de acordo com o que temos, buscando o possível (VEIGA, 1996).
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Supervisão escolar
Existe uma diferença muito grande em escolas onde o PPP está 
funcionando e outras em que o PPP não repercute da maneira que deveria ser 
construído. O PPP tem benefícios para a escola quando aplicado na prática e 
dificuldades	para	o	ensino	e	professores	quando	não	se	aplica.	Construído	de	
maneira ideal, o PPP se torna útil e deve fazer a diferença em benefício dos 
alunos, professores e de toda a escola, mas quando não ativo se torna algo 
engessado e de gabinete, algo inútil. 
Em várias realidades o PPP se torna inútil; quando: é inexplorado, 
pois os envolvidos não aprofundam seus detalhes e a sua importância; 
é pessoal, quando apenas uma pessoa, normalmente o diretor ou o 
supervisor, está envolvida, assim deixando o documento impopular e 
antidemocrático; é inoperante, pois o que foi determinado e incluído 
no PPP não é viável ou não se transforma em ação prática; é de 
gabinete,	pois	fica	engavetado	no	gabinete	do	diretor	ao	invés	de	ser	
um documento que mostra a escola e do qual todos os envolvidos no 
processo da escola, inclusive pais e alunos, tenham conhecimento; é 
repetitivo, uma vez que não sofre alterações, correções e melhorias 
durante os anos; é limitador profissional, pois não possibilita a participação 
dos	 profissionais	 da	 educação	 na	 sua	 elaboração	 e	 aplicação,	 ou	 até	 não	
promove a evolução dos professores com sugestões de melhorias, treinamentos 
e da formação continuada; e é burocrático,	pois,	sendo	um	documento	oficial,	
uma exigência burocrática, torna-se um criador de regras e procedimentos 
desnecessários e inoperantes. 
Por outro lado, o PPP se torna útil quando: é mais bem difundido, 
pois	 toda	 a	 comunidade	 está	 ciente	 da	 missão,	 da	 visão,	 enfim,	 da	
importância da educação para a comunidade e de onde a escola 
pretende chegar, que tipo de educação será utilizado, que tipo de alunos 
quer	 desenvolver,	 respeitando	 uma	 filosofia	 que	 deve	 ser	 aplicada	
diariamente, com o conhecimento de todos; deve ser democrático, 
pois condiciona aos “atores” a participarem de forma atuante na sua 
construção, dar “voz” às suas solicitações e condicioná-los a serem 
responsáveis pelas mudanças; deve ser ativo, pois expressa um 
conjunto de valores que devem respeitar os princípios de ação. Nesse 
contexto,	 a	 práxis	 (ação-reflexão)	 se	 aplica	 de	 maneira	 exemplar,	
uma	vez	que	o	PPP	gera	uma	discussão-reflexão	em	sua	construção,	
para então se transformar em uma prática, em uma ação com o propósito 
transformador para então gerar outra práxis; deve ter a cara da escola, pois 
determina como é a escola exatamente, suas qualidades, seu contexto histórico 
e sua cultura. Aspectos fundamentais para o conhecimento de todos, mostrando 
uma “imagem” verdadeira de onde e como estamos e não uma imagem surreal; 
deve ser autoavaliativo, pois, sendo um documento ativo, deve sofrer constantes 
 PPP se torna 
inútil, quando: 
é inexplorado, 
é pessoal, é 
inoperante, é 
de gabinete, é 
repetitivo,
é limitador 
profissional, é 
burocrático.
O PPP se torna 
útil quando: é mais 
bem difundido, 
democrático, ativo, 
a cara da escola,
autoavaliativo,
valorizador do 
magistério, 
promotor do 
sucesso acadêmico 
e social.
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O Planejamento Escolar e os Desafios da 
Supervisão para uma Escola Atual e IdealCapítulo 2
alterações e melhorias. Deve determinar quem e quando fará a revisão e a 
cobrança dos prazos e ações determinadas anteriormente; deve ser valorizador 
do magistério, pois desde a sua construção o envolvimento dos professores 
deve ser promovido. Deve considerar aspectos em que o professor tenha a 
possibilidade de ter uma condição de trabalho adequada, com material didático, 
laboratórios, tempo da preparação de aulas, planejamento e de atendimento aos 
alunos e pais. Deve aumentar o apreço ao professor, aumentar a sua importância, 
a valorização pelo aluno e pela comunidade, sendo esta também uma das funções 
do PPP; e deve ser o promotor do sucesso acadêmico e social, pois tem como 
objetivo principal a educação de qualidade, a promoção social e a transformação 
dos alunos em alguém crítico e sabedor de suas funções, direitos e deveres na 
sociedade. A função social da escola, traduzida pelo sucesso de seus alunos, 
serve	 também	 como	 a	 gratificação	 e	 a	 certeza	 do	 trabalho	 pedagógico	 bem	
realizado. O bom PPP deve estar condicionado a esse pressuposto maior.
A seguir veremos as realidades do PPP em relação à sua aplicabilidade, ou 
como ele é irrelevante quando é mal entendido e construído em alguns casos e 
extremamente útil quando se percebe sua utilidade, em outros:
COMO NÃO DEVE SER COMO DEVERIA SER
• Inexplorado • Melhor Difundido
• Pessoal • Democrático
• Inoperante • Ativo
• De Gabinete • A Cara da Escola
• Repetitivo • Autoavaliativo
• Limitador Profissional • Valorizador do Magistério
• Burocrático • Promotor do Sucesso Acadêmico e Social
Quadro 3 – A Realidade do Projeto Político Pedagógico
Fonte: O autor.
Para	a	construção	de	um	PPP	eficiente,	precisamos	questionar	e	responder	
a quatro perguntas básicas que dão fundamento e operacionalização a todo 
o processo, desde sua concepção até a sua efetivação. A seguir, estas quatro 
questões estão intercaladas e servem de resumo do que se busca quando se 
propõe a construir um PPP da escola e para a escola.
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Supervisão escolar
ANÁLISE MARCOREFERENCIAL DIAGNÓSTICO PROGRAMAÇÃO 
Quem somos? Onde queremos 
chegar?
Como atingir os 
objetivos?
O que fazer?
Valores da instituição;
Missão: propósito maior;
Pontos fortes e fracos (hoje).
Comunidade.
Indicadores.
Infraestrutura.
Projetos desenvolvidos.
Recursos materiais, financei-
ros e humanos 
Posicionamento:
Político: Visão do 
ideal de sociedade e 
de ser humano 
Pedagógico: Defi-
nição sobre a ação 
educativa e sobre as 
características que 
deve ter a instituição 
que planeja. 
É a busca das 
necessidades, a 
partir da análise da 
realidade e/ou do ju-
ízo sobre a realidade 
da instituição.
É a busca da ação. 
O que é necessário 
e possível para dimi-
nuir a distância entre 
o que vem sendo e o 
que deveria ser.
Quadro 4 – Sequência da Construção de um PPP
Fonte: Adaptado de Veiga (1996).
A escola é responsável pela promoção do desenvolvimento do 
cidadão,	então,	cabe	a	ela	definir-se	pelo	tipo	de	cidadão	que	deseja	
formar, de acordo com a sua visão de sociedade. Cabe-lhe também 
a	 incumbência	 de	 definir	 as	mudanças	 que	 julga	 necessário	 fazer	
nessa sociedade, através das mãos do cidadão que irá formar.
Caro(a)	 pós-graduado(a),	 como	 você	 percebe	 essa	 definição?	
Você concorda, discorda? Como você trabalharia essa competência 
da escola?
Como	Fazer	o	PPP	da	Escola
Ao juntar as três dimensões (Projeto, Político e Pedagógico), o PPP ganha 
a força de um guia - aquele que indica a direção a seguir não apenas para 
gestores e professores mas também funcionários, alunos e famílias. Ele precisa 
ser	 completo	 o	 suficiente	 para	 não	 deixar	 dúvidas	 sobre	 essa	 rota	 e	 flexível	 o	
bastante para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos. Por isso, 
dizem os especialistas,

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