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DECISAO JUDICIAL - LEGITIMA DEFESA

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parte no processo penal, como 
também está investida pelo dever de tutela dos 
interesses sociais e dos direitos, tanto individuais, 
como coletivos (em sentido lato). Logo, ao declinar aval ao 
levantamento das medidas protetivas, sob os critérios da 
necessidade, adequação e estrita proporcionalidade, o 
Ministério Público apenas atua em consonância com uma 
de suas atividades-fim, diversa da acusatória, o que não 
perfaz contradição lógica ou técnica.
Do quanto observado do caso, em 
suma, de rigor o reconhecimento da aptidão condenatória 
do acervo de provas.
Passo às penas.
PODER JUDICIÁRIO
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Apelação Criminal nº 1500581-69.2019.8.26.0326 -Voto nº 20024 22
Recapitulado o dimensionamento das 
penas, traz-se trecho relevante com as vênias de estilo 
(fls. 230/232): “I- Quanto ao delito de Ameaça. Primeira etapa: Ao 
analisar as circunstâncias judiciais do réu verifico que ele ostenta 
condenação criminal anterior com trânsito em julgado (fls. 85/86) a qual 
será sopesada em fase própria, a fim de não se incorrer em bis in idem. 
Fixo, assim, a pena base em 01(um) mês de detenção. Segunda etapa: 
Ausentes circunstâncias atenuantes. Presente a agravante prevista no 
artigo 61, inciso II, alínea "f" e a reincidência (art. 61, inciso I, do CP - 
fls. 85/86), razão pela qual exaspero a pena em 1/5, perfazendo 01 (um) 
mês e 06 (seis) dias de detenção. Terceira etapa: Ausentes causas de 
diminuição da pena. Incide causa de aumento do concurso formal de 
crimes, uma vez que o delito foi praticado contra vítimas distintas. 
Assim, aumento a pena em 1/6, perfazendo a reprimenda em 01 (um) 
mês e 12 (doze) dias de detenção. II- Quanto ao delito de Lesão 
corporal. Primeira etapa: Ao analisar as circunstâncias judiciais, 
verifico que o réu ostenta condenação criminal anterior com trânsito 
em julgado (fls.85/86), a qual será sopesada em fase própria, a fim de 
não se incorrer em bis in idem. Fixo a pena base em 03 (três) meses de 
detenção. Segunda etapa: Presente a atenuante da confissão e 
agravante da reincidência (art. 61, inciso I, do CP - fls. 85/86), razão 
pela qual faço a devida compensação mantendo a pena acima fixada. 
Terceira etapa: Ausentes causas de aumento ou de diminuição da 
pena, razão pelo qual fixo a pena definitiva em 03 (três) meses de 
detenção. III - Em relação ao delito de Descumprimento de Medidas 
Protetivas de Urgência (Art. 24-A da lei nº 11.340/06). Primeira etapa: 
Ao se analisar as circunstâncias judiciais do réu, verifico que ele 
possui condenação criminal anterior com trânsito em julgado (fls. 
85/86), a qual será sopesada em fase própria, a fim de não se incorrer 
em bis in idem. Assim, fixo a pena base em 03 (três) meses de 
detenção. Segunda etapa: Presente a atenuante da confissão e 
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agravante da reincidência (art. 61, inciso I, do CP - fls. 85/86), razão 
pela qual faço a devida compensação mantendo a pena acima fixada. 
Terceira etapa: Ausentes causas de aumento ou de diminuição da 
pena, razão pelo qual fixo a pena definitiva em 03 (três) meses 
detenção. Por ter o réu praticado os crimes em concurso material, na 
forma do artigo 69, caput, do Código Penal, é de rigor a aplicação 
cumulativa das penas acima fixadas, o que resulta na pena de 07 (sete) 
meses e 12 (doze) dias de detenção. Regime inicial de cumprimento: 
considerando o período de prisão preventiva, adequado o regime 
inicial aberto, conforme artigo 33, §2º, do Código Penal. Substituição 
da pena privativa de liberdade por restritivas de direito (artigo 44 do 
Código Penal): Ante a reincidência, incabível a substituição do art. 44 
do CP ou a suspensão condicional da pena (CP, art. 77). Ante o 
exposto, JULGO PROCEDENTE a ação penal e CONDENO FERNANDO 
VINICIUS MARONAI DO NASCIMENTO à pena de 07 (sete) meses e 12 
(doze) dias de detenção, em regime inicial aberto, por ter infringido os 
artigos 129, caput, 147 (por duas vezes), ambos do Código Penal, e 
artigo 24-A da Lei n° 11.340/06, caracterizado o concurso material, nos 
termos do artigo 69 do Código Penal. Concedo ao acusado o direito de 
apelar em liberdade, tendo em vista que não estão presentes os 
requisitos para decretação da prisão preventiva. Comunique-se as 
vítimas na forma preceituada no artigo 201, § 2º, do Código de 
Processo Penal. Condeno o acusado ao pagamento das custas e 
despesas processuais. Observe-se a assistência judiciária gratuita, 
uma vez que lhe foi nomeado Defensor pela Defensoria Pública do 
Estado de São Paulo. Expeçam-se as certidões de honorários 
advocatícios nos termos do Convênio DPE/OAB para essa espécie 
processual. Oportunamente, com o trânsito em julgado, procedam-se 
às comunicações necessárias aos institutos de Identificação Criminal, 
ao Cartório Distribuidor local e ao Tribunal Regional Eleitoral acerca do 
veredicto condenatório. Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se..”.
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Bem fundamentada, a dosimetria das 
penas revelou-se acertada, inexistindo necessidade de 
reparo em qualquer medida.
O dimensionamento punitivo das três 
infrações penais comportou acerto, na primeira fase, 
porquanto não apurados, de fato, elementos específicos 
que ensejassem o incremento. Com efeito, já pesa contra 
o réu condenação definitiva por delitos de resistência e 
desobediência (cf. certidão de fls. 85/86 - Processo n° 
0003932-32.2016.8.0326 trânsito em julgado na data de 30/01/2019), o 
que comprova, de maneira irrefutável a reincidência, 
bem sopesada na fase adequada.
Enquanto, para a lesão corporal e o 
descumprimento de medida protetiva, só se fazia sentir a 
aludida agravante na segunda fase, os demais crimes 
ainda contavam com a igualmente reconhecida agravante 
do artigo 61, II, “f”, do Código Penal, atrelada à opressão 
de gênero, escalonada às vítimas, em vista do móvel de 
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opressão de gênero dirigido contra Luzia. Em relação ao 
delito previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, 
reconheceu-se, ainda, com acerto, a atenuante da 
confissão, eis que preservada ao longo da instrução 
processual e contributiva à formação do convencimento 
judicial (artigo 65, III, “d”, do Código Penal, c/c Súmula nº 545 do C. 
Superior Tribunal de Justiça), o que produziu a compensação 
integral. Quanto à lesão corporal, admitido o fato com 
temperamentos pelo réu, que o negara na etapa policial 
(fls. 06), apenas persiste o reconhecimento da confissão, 
qualificada, à míngua de impugnação recursal pela 
Acusação, ora nada restando a fazer. Mantido, até 
porque não excessivo, logo proporcional, o acréscimo em 
1/5 para o crime de ameaça neste estágio da dosimetria.
Na terceira fase, nada mais havia que 
se considerar quanto aos crimes praticados, à exceção 
do reconhecimento do concurso formal (a despeito da 
pluralidade - duas vítimas) para as ameaças, o que, à falta de 
insurgência recursal, deve ser preservado; CORRETO, 
porém, na ótica da proporcionalidade, o derradeiro 
aumento em 1/6. Uma vez que se mostraram, ainda, 
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corretos os cálculos das reprimendas de cada crime, 
posteriormente somadas no cúmulo material por se 
tratar de delitos de espécies distintas, o “quantum” 
final de pena é insuscetível de modificação.
No que diz respeito ao regime inicial de 
cumprimento de pena, fixou-se, com relativo acerto, o 
regime inicial aberto, em coerência com a natureza e a 
quantidade das penas impostas, individualmente ou na 
soma, a despeito da reincidência