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Subjetividade

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Subjetividade 
O aspecto orgânico aponta para algo não orgânico. O funcionamento orgânico é material, mas aponta para algo não material. 
Psicologia Médica: escuta ampla do paciente, além do 
sintoma orgânico. Formação generalista. 
-> Hipócrates: definiu pré-requisitos para o exercício da medicina 
e já é algo que a psicologia médica define (cuidado com o ser 
humano que é além do físico) 
-> Kretshmer: patriarca da psicologia médica. Preenchimento das 
lacunas da medicina que era excessivamente organicista. 
 
Eterno Conflito: abordagem organicista x biopsicossocio-
cultural Para o segundo, o fim não é a intervenção apenas na 
parte biológica. 
Sofrimento 
Físico -> guiado por parâmetros anato e fisiopatológicos 
(procurar a razão fisiopatológica que justifique a causa da queixa 
do paciente). 
Subjetivo -> o corpo (matéria) que produz algo não material; o 
ideal médico da doença orgânica é transposto para o sofrimento 
mental. A forma de sofrer pode ser entendida como a doença 
orgânica? Haveria uma causa subjetiva para os problemas da 
subjetividade? 
Hiória 
Neuroses -> coisas que não tinham explicações orgânicas. 
Pacientes eram asilados -> não havia o que ser feito. 
Compreensão hegemônica séc. XVIII -> se não fosse neurológico, 
orgânico, não havia resposta pra aquilo —> neurose. 
Problema: Histeria de Conversao -> doença que se tornou 
comum neste século. Doença sem explicação orgânica -> 
contraturas, paralisias, convulsões, cegueira, surdez repentinos… 
sem explicação física. Considerado como “piti”. 
1) Jean Martin Charcot: começou a tentar entender a 
histeria por outro prisma. A histeria possuía um aspecto 
erótico e era mais frequente em mulheres. Iniciou pesquisas 
de tratamento com a hipnose (paciente em transe não 
demonstrava os sintomas). Obteve desafios e não avançou 
muito na pesquisa. 
2) Freud: deu continuidade à pesquisa. Propôs ouvir os 
pacientes e entender o que está na base daquilo que o 
paciente demonstra como sintoma. Compreender o 
significado que foi atribuído ao membro, por exemplo, de 
forma subjetiva pela pessoa. 
Matéria x Mente x Corpo (não-matéria) 
Matéria: “bolinho”-> parte material/ bebê que chega ao mundo. 
Com instintos e reflexos básicos. “Não matéria” em potencial. 
Reações por reflexo (exemplo: choro sem raciocínio). 
+ Situação Antropológica Fundamental (cuidado pelo adulto) -> 
permite que o bolinho se torne matéria + não matéria. O adulto 
possibilita que a nomeação dos instintos e permite o surgimento da 
não matéria. É o meio de avançar um ser apenas material para um 
indivíduo subjetivo. 
Mente: não matéria -> resposta reflexiva começa a ser ligada a 
uma experiência pelo bebê. E, assim, pelas respostas que a mãe dá 
ao bebe, pelas experiências físicas, o bebê armazena estas 
sensações, de forma que, após certo tempo, não precise mais da 
sensação física para que vivencie a situação (subjetivamente). -> É 
o protótipo da fantasia. 
A ideia de “eu mesmo” surge a partir das experiências interligadas 
em uma rede integrada. Esta ideia não está presente no bebê 
inicialmente, mas a não matéria, aos poucos, permite o surgimento 
de tal conceito. 
Corpo: não matéria -> começa a se formar junto com a mente, 
no momento em que a mãe interviu. A boca passa a ter um 
significado, é onde se concentra o “eu”, inicialmente. O bebê 
percebe que é pela boca que o mundo é percebido e é onde o “eu" 
se concentra. 
• Uma vez que a matéria é afetada pela não-matéria, ela muda 
para sempre, uma afeta a outra de forma mútua, com grande 
dificuldade de separá-las, para entender onde uma começa e 
onde a outra termina. 
• A subjetividade vai se formando a partir das experiências 
vivenciadas pelo bolinho de carne. Os “buracos”, boca, ânus, 
eram sem sentido, mas passam a possuir outros significados. A 
não matéria é construída de acordo com cada vivência da 
criança e a não-matéria não recobre perfeitamente a matéria, 
pois varia de acordo com as experiências e não é um processo 
uniforme e padronizado. 
• Os problemas subjetivos são reflexos de uma questão material? 
Seriam eles produtos do organismo? OU é o organismo a 
expressão da subjetividade? Se as duas coisas se misturam de 
forma tão profunda, é verdade dizer que há uma implicação 
mútua, que não nos permite dizer onde uma começa e outra 
termina. 
FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL DE 
FREUD: dependem das experiências e da intervenção do outro 
que a criança tem ao longo da vida. Não é algo programado na 
criança. Relacionadas à sensações de prazer provocadas no bebê 
e que vão marcá-lo. 
1. Fase oral: inicia pela intervenção da amamentação. 
2. Fase Anal: controle dos esfíncteres. Valor das fezes. Pode 
ter encoprese (resiste à defecar, por não querer perder as 
fezes). O ânus representa a forma da criança lidar com as 
exigências e com regras. 
3. Fase Fálica: principal foco sobre libido e órgãos genitais. 
4. Latência: libido suprimido. Desenvolvimento de ego e 
superego. 
5. Genital: forte interesse sexual. Início durante a puberdade. 
-> Não são fases sucessivas a serem superadas (uma fase 
predomina sobre a outra, mas não é única). 
Ininto x Prazer 
Instinto de sugar -> sobrevivência; Após intervenção da mãe 
(início do surgimento da subjetividade), o instinto é dominado e 
soterrado, aos poucos, pelo prazer. Exemplo: nós comemos, não 
para sobrevivência, mas sim por gostarmos, pelo prazer. 
Formação Subjetiva das Capacidad 
Acontece nesta ordem: noção do eu -> noção do outro -> noção 
de espaço -> noção de tempo. Ressaltando que este processo de 
constituição subjetiva ele não é linear e padronizado, mas varia de 
acordo com o que é ofertado e com a forma com que cada criança 
reage ao estímulo. E, neste sentido, a perda da orientação é + 
grave no sentido inverso (não saber que dia é hoje é menos grave 
do que esquecer qual a sua profissão, qual sua idade). 
Falhas na formação subjetiva -> exemplo: dor fantasma (a 
matéria perdeu uma perna, mas a não-matéria permanece inteira); 
autismo grave (não sente dor quando se machuca, por exemplo, 
pois há menos não-matéria do que o ideal); anorexia (não-matéria 
percebe a gordura, por mais que o corpo material já esteja magro). 
Influência da Psicanálise na medicina: 
1940-1960 a psicanálise tornou-se integrante da teoria e prática 
médica. Serviu como ferramenta para intervenções em 
interconsultoria psiquiátrica e constituiu o pilar mais forte da 
psicologia média por décadas. 
A psiquiatria, por ser mais subjetiva, era menosprezada pela 
medicina. Com a chegada dos psicofármacos, a psiquiatria foi se 
tornando mais objetiva e deixando de lado a psicanálise. Ocorreu, 
de certa forma, um abandono do valor do subjetivo do paciente, 
tendo como foco a patologia e seus aspectos. 
-> terapia cognitivo-comportamental (TCC): é a utilizada na 
psicologia médica (tem foco na doença e na solução). É hoje 
considerada a melhor contribuição - é mais objetiva.