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HEMORRAGIAS DA 1 METADE DA GRAVIDEZ

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Ana Clara Moraes Daleffe 
 
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°
É a interrupção da gravidez antes da viabilidade fetal, 
sendo que fetos inviáveis são aqueles com idade 
gestacional menor que 20 a 22 semanas ou peso menor 
que 500 g ou comprimento menor que 26 cm. 
1. Quanto ao fator causal: 
− Espontâneo: ocorre naturalmente. 
− Provocado: decorre da utilização de meios 
artificiais. 
2. Quanto à idade gestacional: 
− Precoce: até 12 semanas de gestação. 
− Tardio: acima de 12 semanas de gestação. 
Idade materna (principalmente acima de 45 anos), 
tabagismo, álcool, cocaína, radiação ionizante, 
quimioterápicos, obesidade materna, doença celíaca, 
multiparidade com intervalos inferiores a 1 ano entre as 
gravidezes, baixa ingestão de folato, alguns tipos de 
antibióticos. 
A causa mais comum de perda gestacional precoce são as 
anomalias cromossômicas, sendo que as trissomias 
autossômicas são as mais prevalentes (especialmente a 
trissomia do cromossomo 16). 
Fatores maternos: incompetência istmocervical, 
alteração do ambiente uterino (leiomiomas, 
malformações, endometrites, pólipos), infecções 
maternas (rubéola, herpes genital, sífilis, malária, 
brucelose, toxoplasmose), doenças maternas 
descompensadas (diabetes mellitus e alterações 
tireoidianas), doenças imunes subclínicas (lúpus), 
síndrome antifosfolípide. 
É consequente à anomalia decidual e/ou descolamento 
do ovo. Consiste em sangramento vaginal, geralmente de 
pequeno volume, persistindo por dias a semanas. As 
cólicas surgem horas ou dias após o início do 
sangramento. 
Ao exame ginecológico, o útero está aumentado de 
volume, compatível com o esperado para a idade 
gestacional (IG), e o colo uterino encontra-se fechado. A 
terapêutica constitui-se em repouso relativo, evitar 
exercícios físicos exagerados, abstinência sexual, 
analgesia e utilizar imunoglobulina anti-Rh nas pacientes 
com Rh negativo. 
É considerado como uma progressão da ameaça de 
aborto. A gravidez não tem possibilidade de prosseguir. 
Pode manifestar-se de três formas: rotura das 
membranas amnióticas com evidente perda de líquido 
amniótico pela genitália; sangramento volumoso, com 
coágulos e cólicas; infecção intrauterina. Ao exame 
ginecológico, o útero está compatível ou pouco inferior 
com o esperado para a idade gestacional, e observa-se 
dilatação cervical. O tratamento consiste no 
esvaziamento da cavidade uterina. 
Ocorre quando o embrião é expulso, porém partes do 
produto conceptual são retidas. O feto e placenta são 
expelidos juntos até 10a semana. Assim, se o aborto 
incompleto ocorrer após a 10ª semana, as vilosidades 
aderem ao útero, provocando sangramento vaginal 
intermitente, podendo ser volumoso. A história revela 
expulsão de massa carnosa, com sangue e coágulos. O 
útero mostra-se de volume aumentado, entretanto 
menor que o esperado para a idade gestacional, e o colo 
uterino entreaberto. A ultrassonografia pode detectar 
retenção de produtos gestacionais. O tratamento 
consiste no esvaziamento da cavidade uterina. 
Ana Clara Moraes Daleffe 
 
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Consiste na eliminação total de todos os componentes da 
gravidez. É frequente até 8 semanas de gestação. Após 
cólicas intensas e sangramento acentuado, ocorre 
eliminação pelo genital, e então o sangramento cessa ou 
diminui muito. O exame físico mostra involução uterina e, 
ao toque, colo uterino fechado. Na ultrassonografia a 
cavidade uterina está vazia. A conduta é a observação, 
sendo importante alertar a paciente para presença de 
febre ou retorno de sangramento nos próximos dias, o 
que pode denotar a existência de restos que não foram 
visibilizados. 
Pode ocorrer quando o aborto é provocado 
clandestinamente ou em caso de aborto incompleto em 
que a eliminação incompleta do produto conceptual 
determina a manutenção da abertura do canal cervical, 
favorecendo a ascensão de bactérias da flora vaginal e 
intestinal à cavidade uterina. O quadro clínico é de 
toxemia, febre baixa, sangramento escasso e dor no 
hipogástrio. Pode apresentar repercussões sistêmicas 
graves. O tratamento consiste em internação hospitalar, 
antibioticoterapia endovenosa e esvaziamento da 
cavidade uterina. 
Ocorre quando o embrião morre e não é expulso do 
interior do útero, por semanas ou meses. A paciente 
usualmente queixa-se de pequeno episódio de 
sangramento e desaparecimento dos sintomas da 
gravidez. Ao exame o útero está menor que o esperado e 
o colo uterino fechado. Na ultrassonografia observa-se 
ausência de batimentos cardiofetais (BCF). O tratamento 
consiste no esvaziamento da cavidade uterina. 
É definido como perda consecutiva de duas ou mais 
gestações. As causas mais importantes são 
anormalidades cromossômicas no casal (translocações), 
anomalias uterinas e síndrome antifosfolípide. O 
tratamento depende da causa. 
 
 
 
. 
 
 
Consiste na curetagem uterina e na aspiração manual 
intrauterina (AMIU). São recomendados para gestações 
até 12 semanas, porque após o primeiro trimestre de 
gestação a incidência de complicações (perfuração 
uterina, laceração cervical, hemorragia, remoção 
incompleta e infecção) é maior nos procedimentos 
cirúrgicos. A dilatação do colo uterino antes da 
curetagem, se necessária, pode ser feita com laminarias 
ou velas de Hegar. 
A partir de 12 semanas de idade gestacional é necessário 
aguardar a expulsão do feto, que pode ser induzida com 
misoprostol (análogo da prostaglandina E1) ou ocitocina, 
antes da realização dos métodos cirúrgicos. 
 
 
 
 
 
 
: É responsável por aborto de 
repetição no segundo trimestre de gravidez. Caracteriza-se 
por dilatação e apagamento cervical indolores no segundo 
trimestre de gravidez. Não há contrações e sangramentos. 
Decorre de falência do sistema oclusivo da matriz uterina, 
podendo levar a perda gestacional de repetição. A causa pode 
ser congênita ou adquirida. O diagnóstico é realizado durante 
a gravidez pelo rastreamento clínico e ultrassonográfico do 
canal cervical. Fora da gravidez, o teste da vela de Hegar 
auxilia no diagnóstico. O tratamento consiste na cerclagem, 
realizada eletivamente entre 12 e 16 semanas de gestação, ou 
mais tarde, em caráter de urgência 
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Gravidez ectópica acontece quando o ovo se implanta e 
se desenvolve fora da cavidade uterina. Em 98% dos casos 
ocorre nas tubas, podendo ocorrer no abdome, ovários 
ou canal cervical. Exceto nos casos abdominais, não evolui 
até viabilidade fetal. 
É importante causa de mortalidade materna. Traz 
prejuízos para a fertilidade da mãe, reduzindo para 60% 
as taxas de gravidez póstuma bem-sucedida. 
− Doença inflamatória pélvica: provoca alterações na 
luz da tuba, diminuindo a quantidade de cílios e 
levando a obstruções. 
− Acotovelamento tubário: provocado por aderências 
resultantes de infecções, cirurgias prévias em 
trompas, endometriose ou tumores paratubários. 
− Anormalidades no desenvolvimento das tubas: 
trompas longas, calibre reduzido, com divertículos. 
− Contraceptivos à base de progesterona: alteram a 
motilidade tubária. 
− Dispositivo intrauterino (DIU): pode falhar e alterar os 
movimentos peristálticos da tuba, retardando a 
passagem do ovo. 
− Tabagismo. 
− Reprodução assistida. 
− Classe socioeconômica baixa: relacionado a risco 
maior de DSTs. 
− Hipo ou hiperatividade do ovo: um ovo que se 
desenvolve mais rápido tem mais chance de se 
implantar na tuba, enquanto aquele com 
desenvolvimento mais lento tem maior chance de se 
implantar no canal cervical. 
− Endométrio ectópico. 
➢ Evolução: Depende do local de implantação do ovo, 
que é mais frequente na região ampular (local mais 
dilatado). 
• Morte e reabsorção do embrião: pode ocorrer 
em fase precoce da gestação devido ao 
suprimento sanguíneo deficiente para o 
desenvolvimento da gravidez. 
• Abortamento tubário: o ovo é eliminado para a 
cavidade abdominal, principalmente quando a