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Como funcionam os herbicidas

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COMO FUNCIONAM
OS HERBICIDAS
DA BIOLOGIA À APLICAÇÃO
Autores:
Erivelton Scherer Roman
Embrapa
Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - CNPT
Passo Fundo-RS-Brasil
Leandro Vargas
Embrapa
Centro Nacional de Pesquisa de Trigo -CNPT
Passo Fundo-RS-Brasil
Mauro Antonio Rizzardi
Universidade de Passo Fundo-UPF
Passo Fundo-RS-Brasil
Linda Hall
Plant Industry Division
Alberta Agriculture, Food and Rural Development
Hugh Beckie
Saskatoon Research Centre
Agriculture and Agri-Food Canada
Thomas M. Wolf
Saskatoon Research Centre
Agriculture and Agri-Food Canada
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Como funcionam os herbicidas : da biologia à aplicação / Editado por Erivelton Scherer
Roman, Leandro Vargas. Passo Fundo : Gráfica Editora Berthier, 2005.
152p. : il.
ISBN xxxxxxxx
1. Planta daninha. 2. Manejo. 3. Controle químico. 4. Resistência. I.Roman, Erivelton
Scherer II. Vargas, Leandro.
CDD 632.5 (21. ed.)
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou
forma, sem a expressa autorização dos respectivos autores (Lei no. 9.610).
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Este livro fornece a base para o entendimento da ação de herbicidas e discute aspectos
importantes para sua aplicação. Nele, as informações específicas sobre biologia, bioquímica,
grupos e moléculas herbicidas fornecem uma base sólida sobre a ação e as relações entre
herbicidas e plantas daninhas.
A discussão sobre o mecanismo de ação dos grupos de herbicidas fornece subsídios que
podem auxiliar na escolha e na rotação do uso dos mesmos com vistas à prevenção do desen-
volvimento e ao manejo da resistência.
A discussão sobre os processos de transferência de dose, deriva e adjuvantes confere à
obra um foco na aplicação prática de herbicidas.
Como os herbicidas funcionam – da biologia à aplicação, pode ser de valor especial como
uma literatura prática e como referência para especialistas e também como texto para cursos
avançados na área de Ciência das Plantas Daninhas, assim como fonte de informação para
pessoas engajadas na aplicação de herbicidas para o manejo das espécies nocivas.
Os Editores
PREFÁCIO
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Os herbicidas são agentes biológicos ou substâncias químicas capazes de matar ou
suprimir o crescimento de espécies específicas. Entre os agentes biológicos estão os fungos e
outros microorganismos. Existem muitos trabalhos sendo realizados no Brasil, envolvendo
fungos patogênicos as espécies daninhas, com resultados promissores. Já as substâncias quí-
micas se dividem em orgânicas, que envolvem a maioria dos herbicidas utilizados atualmente,
ou inorgânicas, que compreendem produtos utilizados para controle de plantas daninhas no
passado, como o NaCl e o H
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S0
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.
Para ser eficaz, o herbicida aplicado às folhas de plantas daninhas deve:
– ser retido pela folhagem;
– penetrar/ultrapassar a cutícula;
– mover-se nos espaços com água ao redor da célula;
– entrar na célula, passando através da membrana celular;
– atingir o local de ação, geralmente uma enzima;
– ligar-se à enzima-alvo e inibi-la.
O que são proteínas?
Proteínas são polipeptídios, ou seja, são seqüências específicas de aminoácidos,
que constituem as estruturas primárias das proteínas, determinadas pela seqüência de
DNA de seu gen. A estrutura primária da proteína permite que a cadeia polipeptídica se
dobre em estrutura tridimensional, conferindo à proteína propriedades químicas e fisio-
lógicas específicas (Figura 1).
O que são enzimas?
Enzimas são proteínas compostas por uma cadeia de aminoácidos, em blocos do-
brados em formato tridimensional complexo (Figura 1). São catalisadoras de reações
biológicas, acelerando essas reações e reduzindo a quantidade de energia requerida para
que estas se completem. Dessa forma, permitem que milhares de reações ocorram em
baixas temperaturas.
As enzimas possuem sítios ativos onde o substrato se liga e é modificado para
formar os produtos da reação. As moléculas herbicidas podem se ligar aos sítios ativos
das enzimas, impedindo que o substrato se ligue a estes, impossibilitando, dessa maneira,
a ocorrência da reação entre o substrato e a enzima. Algumas moléculas herbicidas po-
dem se ligar a sítios ativos da enzima diferentes daqueles aos quais o substrato se liga,
alterando, possivelmente, a forma da enzima e do sítio ao qual o substrato se ligaria, o
que impede a ligação enzima-substrato e, conseqüentemente, a reação. Dessa forma, os
herbicidas matam as plantas.
COMO FUNCIONAM OS HERBICIDAS
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Para ser seletivo, o herbicida deve:
– afetar o local de ação na planta daninha, mas não na cultura;
– ser metabolizado ou degradado pela cultura e não o ser pela planta daninha;
– atingir somente a planta-alvo.
Figura 1. Enzimas são proteínas com formato tridimensional complexo.
Classificação dos herbicidas
Os herbicidas são classificados por grupos químicos e de acordo com o seu mecanismo
de ação (Tabela 1). O mecanismo de ação deve ser considerado principalmente em situações
como no manejo da resistência de plantas daninhas a herbicidas. Os herbicidas que possuem
o mesmo mecanismo de ação geralmente causam os mesmos sintomas nas plantas, são apli-
cados com mesmo método e têm, em geral, limitações e toxicologia semelhantes. Alguns
grupos herbicidas, como sulfoniluréias, apresentam grande variação em termos de compor-
tamento ambiental e com relação ao espectro de espécies controladas.
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Tabela 1 – Classificação dos herbicidas.
Grupo Mecanismo de Ação Grupo químico Ingrediente Nome Comum
WSSA Ativo
Cyalofop Clincher
Fluazifop-p Fusilade
Ariloxifenoxi- Haloxyfop-r Verdict R, Gallant R
propionatos Propaquizafop Shogun, Acert
(fop’s) Quizalofop Targa, Truco, Panther
Grupo 1 Inibidores de ACCase Fenoxaprop Furore, Podium, Starice
Diclofop Iloxan
Butroxydim Falcon
Ciclohexano- Clethodim Select
dionas Profoxydim Aura
(dim’s) Sethoxydim Poast
Tepraloxydim Aramo
Azinsulfuron Gulliver
Chlorimuron Classic, Smart
Ciclosulfamuron Invest
Etoxisulfuron Gladium
Flazasulfuron Katana
Sulfoniluréias Halossulfuron Sempra
Iodosulfuron Hussar
Metsulfuron Ally
Nicosulfuron Sanson, Nicosulfuron
Oxasulfuron Chart
Grupo 2 Inibidores de ALS Pyrazosulfuron Sirius
Trifloxissulfuron Envoke
Triazolpirimidinas
Cloransulam Pacto
(sulfoanilidas)
Flumetsulan Scorpion
Diclosulan Spider
Imazamox Sweeper, Raptor
Imazapic Plateau
Imidazolinonas Imazapyr Arsenal, Chopper, Contain
Imazaquin Scepter, Topgan
Imazethapyr Pivot, Vezir, Dinamaz
Pyrimidil-benzoatos
Bispyribac Nominee
Pyritiobac Staple
Oryzalin Surflan
Herbiflan, Premerlin,
Grupo 3 Inibidores de Dinitroanilinas Treflan, Trifluralina Agrevo,
polimerização da tubulina Trifluralin Trifluralina Defensa,
 Trifluralina Nortox, Tritac
Pendimethalin Herbadox
Ácido benzóico Dicamba Banvel
Ácidos fenoxi-
Aminol, Capri, Deferon,
carboxílicos
2,4-D DMA 806 BR, Esteron,
Herbi D, U-46 D-Fluid, Tento
Grupo 4 Mimetizadores de auxinas
Ácidos piridin-
Picloran Padron
carboxílicos
Triclopyr Garlon
Fluroxipir Starane
Ácidos quinolin- Quinclorac Facet
carboxílicos
Ametryne Ametrina Agripec, Amitrex,
Gesapax, Herbipak, Metrimex
Grupo 5 Inibidores de FS II Triazinas Atrazine Atranex, Atrazina, Nortox,
 Atrazinax, Coyote, Gesaprim,
Herbitrin, Primóleo, Proof,
Posmil, Siptran, Stauzina
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Grupo Mecanismo de Ação Grupo Ingrediente Nome Comum
WSSA químico Ativo
Cianazine Bladex
Prometryne Gesagard
Simazine Gesatop, Herbazin,
Simanex, Sipazina
Triazinona Metribuzin Lexone, Sencor
Grupo 6 Inibidores de FS II Benzotiadizol Bentazon Banir, Basagran
Cention, Diuron, Diurex,
Diuron Dioromex, Herburon,
Karmex, Neturn
Grupo 7 Inibidores de FS II Uréias Isouron Isouron
Linuron Afalon, Linuron
Tebuthiuron Perflan, Combine, Graslan
Inibidores da síntese Butylate Sutan
Grupo 8 de ácidos graxos Thiocarbamatos EPTC Eptam,