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Como funcionam os herbicidas

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do herbicida pela chuva ou por
meios mecânicos.
Figura 12. A incorporação do herbicida pela chuva ou com métodos mecânicos reduz a
volatilização dos herbicidas aplicados ao solo (Ritter, 1989).
INCORPORAÇÃO PELA CHUVA INCORPORAÇÃO MECÂNICA
CHUVA
HERBICIDA
APLICADO NA
SUPERFÍCIE
DO SOLO
HERBICIDA
APLICADO NA
SUPERFÍCIE
DO SOLO
SEMENTE
DE PLANTA
DANINHA
SEMENTE
DE PLANTA
DANINHA
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Adsorção
O solo é composto por diferentes quantidades de areia, silte e argila, além de ar, água
e matéria orgânica. A argila e a matéria orgânica formam a fração coloidal do solo, que age
como magneto (imã), aos quais as moléculas herbicidas se ligam (adsorção). Os solos com
altos teores de matéria orgânica e/ou argila têm alta capacidade adsortiva. Após o esgotamen-
to da capacidade adsortiva do solo, as moléculas herbicidas tornam-se disponíveis para a
absorção pelas plantas.
Os teores de argila e matéria orgânica devem ser observados na determinação da dose a
ser utilizada. Em geral, quanto maiores os teores de matéria orgânica e/ou argila, maiores
serão as doses herbicidas requeridas. Assim, pode ocorrer controle insuficiente de plantas
daninhas quando são utilizadas doses herbicidas inadequadas aos teores de matéria orgânica
e/ou argila.
Na Figura 13 os pontos coloridos representam um herbicida que foi lixiviado no solo
pela água da chuva. A partícula de solo representa uma partícula de argila ou de matéria
orgânica. Se um herbicida se liga fortemente a essa partícula, torna-se indisponível à absorção
pela planta. Após a capacidade adsortiva das partículas do solo estar esgotada, as demais
moléculas do herbicida estarão potencialmente disponíveis na solução do solo para a absor-
ção pela planta.
Figura 13. Algumas moléculas do herbicida se ligam a argila e a matéria orgânica, ficando
indisponíveis para absorção pelas plantas (Ritter, 1989).
MOLÉCULA
HERBICIDA
MOLÉCULA
HERBICIDA
RAIZ
ABSORÇÃO PELA
RAIZPARTÍCULA
DE SOLO
SOLUÇÃO
DO SOLO
(Água contendo
moléculas do herbicida)
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Lixiviação
O movimento do herbicida, tanto ascendente como descendente, juntamente com a
água, no perfil do solo é chamado de “lixiviação”. O controle de plantas daninhas é grandemente
afetado e pode estar em função desse processo. A lixiviação é altamente benéfica e necessária
em aplicações de herbicidas pré-emergentes à superfície do solo, que necessitem de chuva ou
irrigação para incorporá-los no perfil, movendo-os alguns centímetros até as camadas onde
estão as sementes das plantas daninhas. Assim, a lixiviação auxilia na incorporação do herbicida,
sem o que este permaneceria na superfície do solo, permitindo que as sementes de plantas
daninhas germinassem abaixo da camada tratada.
No sistema plantio direto, alguns herbicidas podem ficar retidos na palhada e, dessa
forma, as sementes das plantas daninhas podem germinar abaixo deles. Por outro lado, mui-
tos herbicidas podem ser lavados da palhada e lixiviados e diluídos na solução do solo, pro-
piciando o controle dessas espécies.
Entretanto, em algumas situações, as moléculas do herbicida lixiviam demasiadamen-
te e podem atingir as raízes das culturas, resultando em falhas no controle das plantas dani-
nhas e em fitotoxicidade à cultura. Esses processos são ilustrados na Figura 14, onde, no lado
esquerdo, está representado o desenvolvimento das plantas daninhas juntamente com a cul-
tura devido à localização excessivamente superficial do herbicida, que pode ter ocorrido em
razão da falta de chuva para incorporá-lo adequadamente. Já, no lado direito, a cultura apre-
senta-se afetada pelo herbicida e as plantas daninhas não apresentam efeito. Isso acontece por
causa da localização excessivamente profunda do produto em decorrência de excesso de chu-
va, que provoca deslocamento (lixiviação) do herbicida para camadas do solo relativamente
profundas, fora da camada onde crescem as raízes superficiais das plantas daninhas, mas den-
tro da camada de raízes mais profundas da cultura. O resultado disso é um controle deficien-
te de plantas daninhas e danos à cultura.
Figura 14. A falta (esquerda) ou o excesso (direita) de chuva podem lixiviar o herbicida para fora
das áreas onde estão as sementes das plantas daninhas (Ritter, 1989).
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Fatores que afetam o controle de plantas daninhas
Os herbicidas são, em geral, desenvolvidos com objetivos específicos de controlar plantas
daninhas em determinadas culturas. A atrazine, por exemplo, é seletivo para uso em milho;
entretanto, se for aplicado na soja, as plantas dessa cultura morreriam juntamente com as
plantas daninhas suscetíveis ao produto.
O herbicida seletivo elimina as espécies daninhas enquanto a cultura permanece vege-
tando, tolerando o tratamento. A seletividade não é um processo simples, visto que muitos
fatores de planta e de ambiente estão envolvidos.
O estádio de desenvolvimento e suas características são fatores importantes na seletividade
dos herbicidas e no controle de plantas daninhas. Em geral, as plantas daninhas são mais
fáceis de controlar nos estádios iniciais de desenvolvimento (Figura 15).
Figura 15. O melhor controle de espécies daninhas anuais é obtido em estádios iniciais de
desenvolvimento, tanto para herbicidas de solo quanto para os pós-emergentes (Ritter,
1989).
100
50
0
MATURAÇÃO
FLORAÇÃO
PÓS-TARDIO
PÓS-INICIAL
CONTROLE (%)
ESTÁDIO DE
 APLICAÇÃO
 DO HERBICI
DA
26
100
50
0
No caso de herbicidas aplicados ao solo, uma plântula que tenha recentemente emer-
gido pode absorver quantidade suficiente de herbicida da solução do solo para ser contro-
lada. Já, quando a planta expande o seu sistema radicular e a sua parte aérea, é requerida
maior quantidade de herbicida para o seu controle, uma vez que, neste estádio, a planta é
maior (maior quantidade de matéria seca) e mais forte, estando com seus mecanismos de
defesa bem desenvolvidos, especialmente para herbicidas aplicados em pós-emergência.
As plantas jovens possuem menor área foliar e apresentam as folhas em pleno cresci-
mento, sem a camada protetora (a cutícula) estar bem desenvolvida. Os herbicidas pós-
emergentes, aplicados nos estádios iniciais de crescimento, cobrem melhor a parte aérea,
sendo absorvidos com maior facilidade pelas plantas. As aplicações nos estádios iniciais de
desenvolvimento de plantas daninhas são ainda mais importantes para os herbicidas bipiridílios,
como paraquat, e para os difeniléteres, como fomesafen, por apresentarem baixa translocação.
Os herbicidas que apresentam maior translocação na planta, como o glyphosate, são absorvi-
dos e translocados com maior eficiência por plantas em estádios iniciais de desenvolvimento.
Aparentemente, as espécies perenes apresentam três estádios mais adequados (ótimos)
para serem controladas (Figura 16) que são:
- início do crescimento;
- imediatamente antes do florescimento;
- no final do ciclo.
Figura 16. O melhor controle de espécies daninhas perenes é obtido nos estádios iniciais,
imediatamente antes, no florescimento e após a maturação (Ritter, 1989).
REBROT
A
FLORAÇÃ
O
INÍCIO
FLORAÇÃ
O
PLÂNTUL
A
(Originada
de seme
nte)
CONTROLE (%)
ESTÁDIO DE
 APLICAÇÃO
 DO HERBICID
A
MATURA
ÇÃO
VEGETA
TIVO
GEMA
FLORAL
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O controle de espécies perenes, que desenvolvem órgãos de reservas, como estolões,
rizomas e/ou bulbos, apresenta resultado mais adequado quando as plantas se encontram no
estádio inicial de desenvolvimento (de gema) ou no início do florescimento, especialmente
quando são usados herbicidas sistêmicos. No florescimento, o movimento da seiva é
direcionado às flores para formar as sementes. Assim, os herbicidas que se translocam na
planta juntamente com a seiva irão acumular-se nas inflorescências, impedindo a formação
normal de flores e/ou de sementes.
Após a floração e a produção de sementes,

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