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Como funcionam os herbicidas

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que contém o
herbicida. Assim, as DNAs são absorvidas pela região do nó do coleóptilo e inibem a divisão
celular, levando à planta a morte. O trigo e a cevada crescem através da camada de solo
tratada com as DNAs, entretanto o nó do coleóptilo permanece abaixo da camada tratada
com o herbicida, uma vez que não há elongação do mesocótilo nessas espécies (Figura 22).
Assim, o trigo e a cevada expõem somente o coleóptilo às DNAs, estrutura que não é sensível
a estes herbicidas.
Figura 22. Modelo de crescimento de aveia selvagem e trigo que contribui para seletividade da
DNAs. A aveia selvagem apresenta elongação do mesocótilo, que eleva o nó coleoptilar
até a camada de solo tratada com herbicida.
Camada
tratada
com
herbicida
Superfície do solo
Coleóptilo
Trigo
Aveia selvagem
mesocótilo
Nó do
coleóptilo
Nó
coleóptilar
Zona de
sensibilidade do
meristema apical
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Seletividade diferencial entre as plantas daninhas dicotiledôneas e as culturas
A diferença na seletividade das DNAs para as espécies de plantas daninhas de folhas
largas e para as culturas não é bem conhecida. Entretanto, observa-se que existe correlação
entre a habilidade da planta em tolerar as DNAs e o teor de óleo na semente. Os herbicidas
DNAs são altamente hidrofóbicos e podem dissolver-se na fração lipídica dessas sementes e,
dessa forma, não atingir o sítio de ação.
Sintomas
Os sintomas das DNAs são mais evidentes em condições de clima frio e solo úmido,
incluindo atraso na emergência e paralisação do crescimento de plântulas. As plantas apresen-
tam menor crescimento e cor verde-escura. O hipocótilo apresenta intumescimento, racha-
duras e sistema radicular pouco desenvolvido, com várias raízes laterais (Figura 23). Pode
haver proliferação de raízes com as pontas intumescidas e arredondadas (Figura 24).
Figura 23. Inibição do crescimento da raiz causado por herbicidas dinitroanilinas.
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XXX
XX
Figura 24. Raízes de plântulas de trigo apresentando sintomas causados por herbicida do gru-
po das DNAs, caracterizados por raízes curtas em forma de bastão e coleóptilo
intumescido.
As DNAs afetam a multiplicação celular nas pontas das raízes (meristemas), inibindo
o seu alongamento, entretanto não afetam a multiplicação das células das demais regiões da
raiz, as quais continuam se multiplicando. Assim, a multiplicação das células, sem o
concomitante alongamento, resulta na formação de raízes curtas e grossas, em formato de
bastão. A elongação da plântula também é inibida, ocorrendo engrossamento do hipocótilo
nas dicotiledôneas.
Aplicações de pendimethalin na superfície do solo provocam a formação de calo na
região da haste das plantas, próxima à superfície do solo, resultando em hastes quebradiças. A
ocorrência de chuvas antes da emergência da soja reduz esse problema.
Toxicidade
As DNAs não têm efeito na mitose de células animais, o que lhes confere baixa
toxicidade ao homem e animais; também não são prejudiciais aos pássaros. No entanto, o
trifluralin que escorre diretamente para a água pode ser tóxico para peixes, mas a sua adsorção
às partículas do solo reduz muito o potencial de risco. O trifluralin tem baixa toxicidade para
ratos, com DL
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 de 10.000 mg kg-1 de peso vivo. Sua toxicidade crônica é baixa.
Cuidados na aplicação e incorporação
• A profundidade de incorporação, realizada mecanicamente ou pela ação da água, é impor-
tante para a eficiência dos herbicidas DNAs.
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• As DNAs são fortemente adsorvidas à matéria orgânica do solo. Assim, solos com eleva-
dos teores de matéria orgânica e/ou com resíduos culturais requerem doses maiores.
• A incorporação das DNAs, ou o uso de formulações que possuam menor volatilidade e/
ou fotodecomposição, proporciona melhor controle.
• O risco de lixiviação desses produtos para camadas profundas do solo é pequeno e pouco
provável em solos com teores médios a elevados de argila e de matéria orgânica.
Inibidores da síntese de ácidos nucléicos e de proteínas
Os herbicidas do grupo químico cloroacetamidas, como alachlor, metolachlor e
acetochlor (Tabela 4), controlam, em pré-emergência, plantas daninhas gramíneas em cultu-
ras como soja, feijão, cana-de-açúcar, milho, batata, amendoim, girassol, entre outras.
As cloroacetamidas controlam plântulas de muitas gramíneas anuais e algumas
dicotiledôneas antes ou logo após a emergência. Aplicadas isoladamente, apresentam contro-
le insuficiente de dicotiledôneas. Em áreas tratadas com cloroacetamidas, as sementes das
plantas sensíveis iniciam o processo germinativo, mas não chegam a emergir e, quando o
fazem, apresentam deformações. A absorção desses produtos é, aparentemente, pelas raízes,
em dicotiledôneas, e pelo epicótilo, em gramíneas.
Tabela 4 – Herbicidas inibidores da síntese de ácidos nucléicos e de proteínas.
Grupo químico Nome comum Nome comercial
Acetochlor Fist CE
Kadett CE
Surpass EC
Cloroacetamidas
Alachlor Alaclor Nortox
Laço CE
Metolachlor Dual 960CE
Fonte: Rodrigues e Almeida (1998).
O mecanismo de ação desses herbicidas já foi bastante estudado. No entanto, o meca-
nismo bioquímico primário ainda é desconhecido. As cloroacetamidas afetam a síntese de
lipídios, ácidos graxos, terpenos, ceras da camada cuticular das folhas, flavonóides e proteí-
nas. A proposta mais aceita diz que as cloroacetamidas podem alquilar aminoacil tRNAs
específicos e, com isso, inibir a síntese de proteínas (Figura 25).
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Figura 25. Ativação de aminoácidos pela aminoacyl - tRNA sintase. A alquilação do aminoacil
tRNA impede a síntese de tRNA e, conseqüentemente, de proteínas (Buchanan et al,
2000).
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos de cadeia longa
- Devem ser incorporados ao solo a uma profundidade adequada para ação seletiva.
- Agem na emergência de plantas daninhas suscetíveis.
- Afetam principalmente coleóptilos.
Os thiocarbamatos (Tabela 5) são herbicidas que, como as dinitroanilinas (DNAs),
são aplicados ao solo. Apesar de terem sido usados por muitos anos, até o momento pouco
se sabe sobre o seu mecanismo de ação. Esses herbicidas podem ser comparados aos inibidores
da biossíntese de ácidos graxos (inibidores da enzima ACCase).
Propriedades físico-químicas
Os thiocarbamatos, em seu estado puro, são líquidos e têm solubilidade variada em
água, sendo o butylate (Sutan), menos solúvel que o EPTC (Eptam). Nos solventes orgâni-
cos ocorre o inverso, com o EPTC sendo menos solúvel que o butylate. Não são ácidos
fracos.
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Em aplicações na superfície do solo, os herbicidas thiocarbamatos podem volatilizar
em caso de ocorrer altas temperaturas, juntamente com a água evaporada de solos úmidos.
Igualmente aos herbicidas DNAS, a atividade microbiana é responsável pela degradação das
moléculas dos thiocarbamatos no solo, a qual é mais rápida em condições úmidas.
Tabela 5 – Herbicidas thiocarbamatos comercializados no Brasil
Classe Nome comum Nome comercial
EPTC Eptam
Thiocarbamatos Eradicane 8-E
Butylate Sutan
Mecanismo de inibição da síntese de ácidos graxos de cadeia longa (AGCL)
Os thiocarbamatos inibem a enzima que catalisa a biossíntese dos ácidos graxos, que é
uma das enzimas do grupo das sintetases de ácidos de cadeia longa, chamadas SAG. A sua
inibição impede a elongação dos ácidos graxos e, assim, a formação de ceras e suberina (Figu-
ra 26), as quais são importantes para a formação da camada cerosa que reveste as plântulas e
impede a perda de água.
Figura 26. Os thiocarbamatos inibem a síntese dos ácidos graxos de cadeia longa.
Thiocarbamatos
Enzima
Substrato
Produto
>C-18
ceras
suberina
Síntese de ácidos
graxos de cadeia
longa
C-16
C-18
Ácidos
graxos
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Embora seja reconhecido que esses herbicidas inibem a síntese dos ácidos graxos de
cadeia longa e que a divisão e o crescimento são inibidos, o processo fisiológico e/ou bioquímico
envolvido

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