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Anatomia ruminantes

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obliquamente e pela presença 
do forame nutrício. Sua borda cranial é bem destacada, prolongando-se proximalmente, 
em forma de crista, até a tuberosidade da tíbia. 
 A extremidade distal da tíbia apresenta uma superfície articular côncava 
denominada cóclea, destinada à articulação com o osso tálus do tarso. A cóclea é 
formada por dois sulcos, separados por uma crista. Medialmente, a cóclea é limitada 
por uma projeção ponteaguda, denominada maléolo medial. Lateralmente, seu limite é 
constituído por um osso separado, denominado osso maleolar (maléolo lateral), que na 
realidade é a extremidade distal da fíbula. 
 A fíbula dos ruminantes é um osso incompleto, estando no adulto reduzido a 
duas extremidades, uma proximal e outra distal, unidas entre si por um cordão fibroso, 
que não aparece no esqueleto. A extremidade proximal, denominada cabeça da fíbula, 
apresenta-se como uma pequena projeção ponteaguda, unida ao côndilo lateral da 
tíbia. A extremidade distal é o osso maleolar (maléolo lateral), de contorno 
aproximadamente retangular e formando o limite lateral da cóclea da tíbia. 
 
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4.6 Tarso 
 
O tarso é um conjunto de ossos curtos interposto entre a tíbia e a fíbula proximalmente 
e o metatarso distalmente. Nos ruminantes, compõe-se de cinco ossos, dispostos em 
duas fileiras, proximal e distal. A fileira proximal compreende os ossos tálus e calcâneo; 
a fileira distal, os ossos centroquarto, társico II + III e társico I. 
 O tálus é um osso volumoso, de contorno aproximadamente quadrangular e 
caracterizado pela presença de duas trócleas, uma proximal e outra distal. A tróclea 
proximal articula-se com a cóclea da tíbia e a tróclea distal com o osso centroquarto. 
 O calcâneo é o maior dos ossos do tarso, dispondo-se lateral e plantarmente ao 
tálus. Ele se destaca do conjunto por formar uma grande saliência alongada que se 
projeta para cima e para trás. O ápice desta saliência constitui o túber do calcâneo. Na 
face medial do calcâneo encontra-se outra saliência menor, denominada sustentáculo 
do tálus. 
 O osso centroquarto, resultante da fusão do osso central do tarso com o osso 
társico IV, é o maior da fileira distal, estendendo-se de um lado a outro do tarso, de 
modo a articular-se com todos os demais ossos do conjunto. O osso társico II + III, 
resultante da fusão dos ossos társico II e társico III, é o segundo em tamanho da fileira 
distal, situando-se no contorno dorsomedial do tarso. O osso társico I, o menor de 
todos, localiza-se no contorno medioplantar do tarso. 
 
4.7 Metatarso 
 
Acompanhando o que ocorre com o metacarpo, o metatarso dos ruminantes 
compreende apenas um osso completamente desenvolvido, o metatársico III + IV, 
resultante da fusão dos ossos metatársico III e metatársico IV no período fetal. 
 O osso metatársico III + IV assemelha-se bastante ao metacárpico III + IV, 
sendo porém um pouco mais longo e mais estreito. É formado por base, corpo e 
cabeça. 
A base é a extremidade proximal dilatada do metatársico III + IV. Tem contorno 
aproximadamente quadrangular e apresenta quatro superfícies articulares mais o 
menos planas para articulação com os ossos da fileira distal do tarso. 
O corpo do metatársico III + IV também apresenta contorno mais ou menos 
quadrangular. Sua face dorsal é percorrida no meio por uma depressão linear, o sulco 
longitudinal dorsal, bem acentuado. O mesmo ocorre em sua face plantar, percorrida 
pelo sulco longitudinal plantar. Na extremidade distal de ambos os sulcos encontra-se 
um orifício, o canal distal do metatarso. Quanto ao canal proximal do metatarso, está 
ausente na maioria dos casos. 
A cabeça é a extremidade distal do metatársico III + IV, apresentando-se 
formada por duas trócleas, separadas pela incisura intertroclear. Cada tróclea se 
articula com a falange proximal do dedo correspondente. 
Nos ruminantes, pode ocorrer, junto à face plantar da base do metatársico III + 
IV, um pequeno osso discóide, denominado osso sesamóide do metatarso, difícil de ser 
preservado nos esqueletos. 
 
4.7 Falanges e ossos sesamóides 
 
As falanges e ossos sesamóides do membro pelvino são semelhantes aos 
correspondentes do membro torácico. 
 
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5. COLUNA VERTEBRAL, COSTELAS, CARTILAGENS COSTAIS E ESTERNO 
 
5.1 Introdução 
 
A coluna vertebral constitui o eixo longitudinal de sustentação do corpo do animal, 
sendo formada por uma cadeia de ossos ímpares e irregulares – as vértebras – 
situadas no plano mediano desde o crânio até a cauda. Ela é subdividida em cinco 
regiões, de acordo com a parte do corpo que sustenta: cervical, tóracica, lombar, sacral 
e coccígea (caudal). 
As vértebras são unidades independentes, exceto na região sacral, onde se 
encontram fundidas para formar o osso sacro. O número de vértebras é variável 
conforme a espécie, exceto na região cervical, cujo número (sete) é constante em todos 
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os mamíferos domésticos. A Tabela 1 indica o número de vértebras de cada região da 
coluna, nos ruminantes. 
 
Tabela 1. Número de vértebras, por região, dos ruminantes 
Espécie Cervicais Torácicas Lombares Sacrais Coccígea
s 
Bovino 7 13 6 5 18-20 
Caprino 7 13 6 4 11-13 
Ovino 7 13 6-7 4 16-24 
 
 Cada vértebra é formada basicamente por um corpo e um arco. 
O corpo é a parte ventral da vértebra, apresentando-se como uma massa 
compacta de forma mais ou menos cilíndrica. Possui uma extremidade cranial convexa 
– a cabeça da vértebra – e uma extremidade caudal côncava – a fossa da vértebra. O 
corpo de uma vértebra está unido ao corpo da vértebra seguinte por um disco de 
cartilagem fibrosa denominado disco intervertebral. 
 O arco é a parte da vértebra que se dispõe dorsalmente ao corpo, delimitando 
com este uma ampla abertura, o forame vertebral. O conjunto de forames vertebrais em 
sequência constitui o canal vertebral, que aloja e protege a medula espinhal. O canal 
vertebral se comunica com o exterior, a cada lado, por meio de oríficios denominados 
forames intervertebrais, cada um deles delimitado pelo corpo e arco de uma vértebra e 
o corpo e arco da vértebra seguinte. Os forames intervertebrais dão passagem aos 
nervos espinhais. 
As vértebras apresentam várias saliências, denominadas processos. Entre 
estes, os mais importantes são os seguintes: processo espinhoso, ímpar e voltado para 
cima; processos transversos, pares e voltados um para cada lado; processos 
articulares craniais e caudais, também pares e destinados a articularem cada vértebra 
com a precedente e a seguinte. 
 
5.2 Vértebras cervicais 
 
5.2.1 Atlas 
 
O atlas é a primeira das sete vértebras cervicais. É uma vértebra atípica, desprovida de 
corpo e de processo espinhoso. É composto basicamente por dois arcos oponentes, um 
dorsal e outro ventral, e duas asas, uma a cada lado. 
O arco dorsal tem parede mais fina e apresenta em sua superfície dorsal uma 
saliência rugosa mediana, o tubérculo dorsal do atlas. O arco ventral tem parede mais 
espessa e possui em sua superfície ventral outra saliência, o tubérculo ventral do atlas. 
Na superfície dorsal do arco ventral, junto à sua borda caudal, encontram-se duas 
superfícies articulares ligeiramente côncavas, destinadas à articulação com o dente do 
áxis (segunda vértebra cervical). 
Cranialmente, o atlas apresenta duas superfícies articulares côncavas, as 
fóveas articulares craniais, para articulação com os côndilos do osso occipital 
(pertencente ao crânio). Caudalmente, encontram-se duas superfícies articulares 
planas, as fóveas articulares caudais, para articulação com o áxis. 
 A asa, que corresponde ao processo transverso das demais vértebras, é uma 
larga expansão horizontal que se projeta

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