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Câncer do aparelho digestivo- Tutoria 5 fechamento

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O câncer gastrintestinal caracteriza-se pela localização no trato digestório, acometendo com maior incidência o 
cólon, reto, estômago, cavidade oral e esôfago. De forma geral, dentre os principais fatores de risco relacionados a 
estes tumores estão o consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, dieta com alto consumo de gorduras animais, 
cloreto de sódio, baixa ingestão de frutas, vegetais e cereais, como também a inatividade física. 
CÂNCER DO INTESTINO DELGADO 
Adenocarcinomas 
São tumores agressivos que ocorrem mais comumente no duodeno ou no jejuno proximal. A incidência é rara. 
Globalmente, o prognóstico é ruim, com sobrevida específica para a doença em 5 anos de 65% para o estágio I, 48% 
para o estágio II, 35% para o estágio III, e 4% para o estágio IV (globalmente, 32% dos pacientes têm estágio IV no 
momento do diagnóstico). A ampola de Vater é o local mais comum de carcinoma do intestino delgado e a 
incidência de carcinoma ampular está aumentada mais de 200 vezes em pacientes com polipose adenomatosa 
familial. Portanto, recomenda-se vigilância com endoscopia periódica para a detecção precoce de neoplasias 
ampulares. O carcinoma ampular pode se apresentar com icterícia, pela obstrução do ducto colédoco, ou 
sangramento. A ressecção cirúrgica de lesões iniciais é curativa em até 40% dos pacientes. 
Linfoma 
Linfomas podem surgir no trato gastrintestinal ou envolvê-lo secundariamente em pacientes com doença 
disseminada. Em países ocidentais, linfomas gastrintestinais primários correspondem a 5% dos linfomas e a 20% 
das neoplasias do intestino delgado. Ocorrem mais comumente no intestino delgado. Há um aumento da incidência 
de linfomas do intestino delgado em pacientes com Aids, terapia imunossupressora e doença de Crohn. O subtipo 
histológico mais comum é linfoma não Hodgkin extranodal de celulas B (MALT) da zona marginal. Os sinais ou 
sintomas de apresentação do linfoma primário incluem dor abdominal, perda de peso, náuseas e vômitos, 
distensão, anemia e sangue oculto nas fezes. Febre é incomum. A enteropatia perdedora de proteínas pode resultar 
em hipoalbuminemia, mas outros sinais de má absorção não são usuais. 
Tumores carcinoides 
Tumores carcinoides gastrintestinais em geral são tumores neuroendócrinos de crescimento lento responsáveis por 
cerca de um terço dos tumores que surgem no intestino delgado. Tumores carcinoides gastrintestinais ocorrem 
mais comumente no intestino delgado (45%), sendo também encontrados no reto (20%), apêndice (17%) e colo 
(11%), com o restante surgindo no estômago (menos de 10%). Embora 60% dos carcinoides tenham um 
comportamento indolente, as taxas globais de sobrevida em cinco anos para pacientes com carcinoides de intestino 
delgado locorregionais e metastáticos são de, aproximadamente, 65% e 35%, respectivamente. O risco de 
disseminação metastática aumenta com o tamanho do tumor ≥ 1 cm e > 2 cm, bem como com a invasão da muscular 
própria. 
Sinais e sintomas 
A maioria das lesões menores (< 1-2 cm) é assintomática e difícil de detectar por endoscopia ou por exames de 
imagem. Por extensão local ou metástase a linfonodos mesentéricos, carcinoides geram uma reação fibroblástica 
com contração e torceduras do intestino ou envolvimento dos vasos mesentéricos. Carcinoides do intestino 
delgado podem provocar dor abdominal, obstrução intestinal, sangramento ou infarto intestinal. Carcinoides do 
apêndice e do reto, geralmente, são pequenos e assintomáticos, mas lesões grandes podem causar sangramento, 
obstrução ou mudança de hábito intestinal. A síndrome carcinoide ocorre em menos de 10% dos pacientes. Mais 
de 90% dos pacientes com síndrome carcinoide têm metástases hepáticas, geralmente, de carcinoides originários 
do intestino delgado. Cerca de 10% dos pacientes com síndrome carcinoide têm tumores brônquicos ou ovarianos 
primários, sem metástases hepáticas. A síndrome carcinoide é causada pela secreção tumoral de mediadores 
hormonais. As manifestações incluem rubor facial, edema de cabeça e pescoço (especialmente no carcinoide 
brônquico), cólicas abdominais e diarreia, broncospasmo, lesões cardíacas (estenose ou regurgitação pulmonar ou 
tricúspide em 10-30%) e telangiectasias. 
 
CARCINOMA DO ÂNUS 
Tumores que surgem na mucosa do canal anal são relativamente raros, compreendendo somente 1-2% de todos 
os cânceres do ânus e intestino grosso. O câncer anal está aumentado em pessoas que têm relações sexuais anais 
receptivas e naquelas com história de verrugas anorretais. Em mais de 80% dos casos, pode-se detectar o HPV, 
sugerindo que esse vírus é um importante fator causal. O câncer anal está aumentado em indivíduos infectados 
pelo HIV, possivelmente devido à interação com HPV. Sangramento, dor e tumor local são os sintomas mais comuns. 
A lesão é frequentemente confundida com hemorroidas ou outros distúrbios anais comuns. Esses tumores tendem 
a se tornar anulares, invadir o esfincter e se disseminar cranialmente por via linfática para os linfonodos 
mesentéricos perirretais. 
 
ADENOCARCINOMA COLORRETAL 
O câncer colorretal é um tumor maligno, comum e letal, que se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou 
em sua porção final, o reto. O principal tipo de tumor colorretal é o adenocarcinoma. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
Globalmente, o CRC é o terceiro câncer mais comumente diagnosticado em homens e o segundo em mulheres. As 
taxas são substancialmente mais altas nos homens do que nas mulheres. 
Globalmente, a incidência regional de CDC varia mais de 10 vezes. As taxas de incidência mais altas estão na 
Austrália e Nova Zelândia, Europa e América do Norte, e as taxas mais baixas são encontradas na África e no Sul da 
Ásia Central. Essas diferenças geográficas parecem ser atribuíveis a diferenças nas exposições alimentares e 
ambientais impostas a um contexto de suscetibilidade geneticamente determinada. 
O baixo nível socioeconômico (SES) também está associado a um risco aumentado para o desenvolvimento de 
CDC. Acredita-se que comportamentos potencialmente modificáveis, como inatividade física, dieta não saudável, 
tabagismo e obesidade, sejam responsáveis por uma proporção substancial (estimativas de um terço a metade) da 
disparidade socioeconômica no risco de CRC de início recente. 
A idade é um fator de risco importante para a CRC esporádica. O câncer de intestino grosso é incomum antes dos 
40 anos; a incidência começa a aumentar significativamente entre as idades de 40 e 50, e as taxas de incidência 
específicas por idade aumentam em cada década subsequente. 
Alguns registros relatam uma incidência crescente de CRC mesmo entre adultos jovens de 20 a 39 anos de idade, 
embora a incidência absoluta nessa faixa etária permaneça muito menor do que para adultos com 50 anos ou mais. 
Esses aumentos são causados predominantemente por cânceres do lado esquerdo em geral e pelo câncer retal em 
particular. Mais de 86% das pessoas diagnosticadas com CRC com menos de 50 anos são sintomáticas e a doença 
está sendo diagnosticada em estágios posteriores, sugerindo que o aumento da incidência é real e não representa 
uma mudança na idade no diagnóstico atribuível à detecção precoce. 
Atualmente, a maioria das diretrizes não recomenda a triagem para indivíduos assintomáticos com menos de 50 
anos, a menos que tenham um histórico familiar positivo ou uma síndrome hereditária predisponente. 
 
PÓLIPOS E PATOGÊNESE MOLECULAR 
A maioria das neoplasias colorretais, de qualquer etiologia, surge de pólipos adenomatosos. O pólipo é uma 
protrusão visível da superfície da mucosa e pode ser classificado quanto à patologia como hamartoma não 
neoplásico (p. ex., pólipo juvenil), proliferação hiperplásica da mucosa (pólipo hiperplásico) ou pólipo 
adenomatoso. Apenas os adenomas são claramente pré-malignos e apenas a menor parte dos pólipos 
adenomatosos evolui para o câncer. Os pólipos adenomatosos podem ser encontrados no cólon de cerca de 30% 
das pessoas de meia-idade e 50% dos idosos. No entanto, menos de 1% dessas lesões se torna maligna.