A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
288 pág.
(Curta / Salve / Siga) Zoologia - Teoria e exercícios

Pré-visualização | Página 2 de 50

Lineu viveu antes de Darwin e, portanto, an-
tes do desenvolvimento da teoria da evolução. 
Além disso, a biodiversidade conhecida na 
época era menor e incluía principalmente ani-
mais vertebrados, sendo que os invertebrados 
representam atualmente 95% das espécies 
catalogadas. Sendo assim, seu sistema de clas-
sificação apresentava muitas limitações, mas 
serviu de base para o atual, estabelecido gra-
ças a diversos trabalhos realizados nos séculos 
seguintes.
Lineu introduziu um sistema de classificação 
que ordena os seres vivos em categorias ta-
xonômicas hierárquicas. As categorias taxonô-
micas são grupos de tamanhos variáveis nos 
quais os organismos são incluídos de acordo 
com a quantidade de semelhanças que apre-
sentam. Formam uma escala hierarquizada: as 
categorias maiores abrangem as menores de 
uma forma sucessiva. O reino é a maior cate-
goria utilizada na classificação biológica. A me-
nor categoria, considerada unidade taxonômi-
ca fundamental, é a espécie. Entre o nível de 
espécie e o nível de reino, Lineu e outros taxo-
nomistas acrescentaram outras categorias. As-
sim, duas ou mais espécies que tenham certo 
número de caracteres comuns constituem um 
gênero. Por sua vez, gêneros com caracteres 
comuns formam uma família; as famílias são 
reunidas em ordens; as ordens, em classes; as 
classes, em filos; todos os filos semelhantes 
constituem um reino.
Reino
Filo
Classe
Ordem
Família
Gênero
Espécie
Categorias hierárquicas atuais de classificação
As categorias taxonômicas fundamentais po-
dem ser subdividas ou reunidas em várias ou-
tras, como os subgêneros e as superfamílias.
Portanto, conforme se avança de espécie 
para reino, ou seja, da menor categoria para 
PV
-1
4-
31
Zoologia
9
Biologia
a maior categoria, a diversidade vai aumen-
tando, enquanto o grau de parentesco vai di-
minuindo.
Por exemplo: todos os cães domésticos per-
tencem à espécie Canis familiaris. Cães, lobos 
e coiotes pertencem ao gênero Canis, mas são 
de espécies distintas. Todos guardam algumas 
semelhanças com as raposas e são incluídos 
na família Canidae.
Hábitos alimentares, semelhanças fisioló-
gicas e embriológicas permitem reunir os 
animais anteriormente citados aos ursos, 
leões e leopardos, na ordem Carnivora. 
Assim como esses animais, os cavalos, os 
cangurus, as baleias e o homem possuem 
coração com quatro cavidades, tempera-
tura corporal constante, glândulas mamá-
rias, pelos na superfície corporal e outras 
características, o que permite agrupá-los 
na classe dos mamíferos.
Peixes, anfíbios, répteis e aves, assim como os 
mamíferos, desenvolvem, durante o período 
embrionário, um eixo de sustentação chama-
do notocorda. Por isso, são incluídos no filo 
dos cordados. Estes, juntamente com os cni-
dários, os anelídeos, os artrópodes, os molus-
cos e todos os outros animais, formam o reino 
Animalia ou Metazoa.
4. Conceito biológico de espécie
Entende-se por espécie um conjunto de orga-
nismos semelhantes que se cruzam, habitual-
mente, na natureza, originando descendentes 
férteis. De outra forma, podemos dizer que in-
divíduos que trocam genes pertencem à mes-
ma espécie.
Um jumento e uma égua são animais bas-
tante semelhantes. Podem cruzar-se e, ha-
bitualmente, esses cruzamentos originam 
descendentes: os burros e as mulas. Todavia, 
os burros e as mulas são animais estéreis, ou 
seja, não são férteis. Portanto, a égua e o ju-
mento não podem ser considerados animais 
da mesma espécie. Assim, também, o cão e o 
lobo, o tigre e a onça, o cavalo e a zebra não 
são da mesma espécie.
Indivíduos de uma mesma espécie apresentam 
um número elevado de semelhanças. Suas cé-
lulas possuem as mesmas quantidades de cro-
mossomos; há semelhanças bioquímicas entre 
eles; a fisiologia dos órgãos internos e o desen-
volvimento embriológico são idênticos.
Eventualmente, uma espécie pode abrigar 
grande diversidade de organismos, que se-
rão divididos em subespécies ou raças. Se os 
componentes de duas subespécies perma-
necerem afastados e impedidos de se cru-
zarem, é possível que venham a acumular, 
ao longo do tempo, tal quantidade de diver-
gências que passem a formar duas espécies 
distintas.
5. Regras de nomenclatura
Os primeiros taxonomistas elaboravam clas-
sificações com uma nomenclatura particular, 
para uso próprio. Dessa forma, um mesmo ser 
vivo, estudado por vários cientistas, poderia 
receber inúmeros nomes distintos, dentro de 
um mesmo país ou entre países diferentes, 
em razão das diferenças de idioma. O cão do-
méstico	é	conhecido	por	mais	de	800	nomes	
diferentes no mundo todo: dog	(inglês),	chien 
(francês),	cane	(italiano),	perro (espanhol),	inu 
(japonês)	etc.
O uso de nomes populares ou vulgares provo-
ca inúmeras confusões, que podem compro-
meter a correta identificação do organismo. 
Por exemplo: o peixe-boi, na verdade, é um 
mamífero, enquanto o cavalo-marinho é um 
peixe.
A partir de 1901, foi adotada uma nomencla-
tura universal, fundamentada em regras inter-
nacionais, com base nos trabalhos feitos por 
Lineu. As principais regras estão descritas a 
seguir.
•	 Os nomes científicos devem ser escri-
tos em latim e com destaque. O desta-
que pode ser o itálico, o negrito ou o 
sublinhado. A escrita em latim evita va-
riação do nome científico das espécies, 
pois não há mudanças em seu modo de 
escrever.
•	 A nomenclatura é binomial, ou seja, 
todo ser vivo deve ter o seu nome 
científico com pelo menos duas pa-
lavras: a primeira para o gênero e a 
segunda para a espécie. No exemplo 
da Araucaria angustifolia (pinheiro-
do-paraná),	 Araucaria é o nome do 
gênero e o conjunto dos dois nomes 
Zoologia
PV
-1
4-
31
10
Biologia
(Araucaria angustifolia)	designa	a	espécie.	É	errado	utilizar	o	segundo	nome	isolada-
mente.
•	 Etimologicamente, o nome do gênero é um substantivo e é sempre escrito com a inicial 
maiúscula. A designação da espécie é um adjetivo e é iniciada por letra minúscula. Por 
exemplo, a lombriga do homem, cujo nome científico é Ascaris lumbricoides.
•	 Quando existe subespécie, o nome que a designa deve ser escrito depois do nome da es-
pécie, sempre com inicial minúscula. Exemplo: Rhea americana alba (ema-branca).
•	 Nos animais, o nome da família é resultado da adição da terminação idae ao radical corres-
pondente ao nome do gênero mais característico da família. Exemplo: Canidae
6. Reinos de seres vivos
A sistemática é uma das áreas da biologia que 
mais sofre mudanças atualmente, pois, com os 
avanços tecnológicos na obtenção de informa-
ções moleculares sobre os seres vivos, são fre-
quentes as divergências entre diferentes autores. 
Ainda há dúvidas sobre as relações filogenéticas 
entre vários grupos de seres vivos.
Em	1969,	Robert	H.	Whittaker	(1924-1980)	apre-
sentou uma proposta de classificação dos seres 
vivos em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, 
Plantae e Animalia. Nessa classificação são adota-
dos critérios de organização celular (procariótica 
e	eucariótica)	e	formas	de	nutrição	(fotossíntese,	
absorção	e	ingestão).
Considerando que há pouco consenso sobre 
as definições dos reinos, vamos adotar a clas-
sificação	 de	 Whittaker,	 modificada	 em	 1988	
pelas microbiologistas Lynn Margulis e Karlene 
Schwartz.
O reino Monera inclui organismos unicelula-
res e procariontes, isto é, que não possuem 
sistemas intracelulares de membranas nem 
envoltório nuclear. Podem ser autótrofos ou 
heterótrofos. São as arqueas, as bactérias e as 
cianobactérias.
O	reino	Protista	(ou	Protoctista)	inclui	organismos	unicelulares,	pluricelulares	sem	tecidos	e	eu-
cariontes, isto é, que possuem sistemas intracelulares de membranas e envoltório nuclear. São as 
algas, seres autótrofos, e os protozoários, heterótrofos.
O reino Fungi inclui organismos unicelulares, pluricelulares sem tecidos e eucariontes. São hete-
rótrofos por absorção e armazenam carboidratos tipicamente animais, mas possuem uma estru-
tura corporal e reprodução semelhantes às dos vegetais. São as leveduras, os mofos ou bolores, 
as orelhas-de-pau e os cogumelos.