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(Curta / Salve / Siga) Zoologia - Teoria e exercícios

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a membrana 
plasmática, embora algumas amebas apresen-
tem carapaças minerais protetoras – tecame-
bas.
O citoplasma se apresenta diferenciado em 
duas regiões: o ectoplasma ou plasma-gel, ex-
terno e gelatinoso, e o endoplasma ou plasma-
sol, interno e fluido.
As mudanças no grau de viscosidade do citoplas-
ma permitem as constantes alterações em sua 
forma, relacionadas com a emissão de pseudó-
pode para o seu deslocamento e para o engloba-
mento de partículas alimentares.
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Como consequência de algum tipo de estí-
mulo, o ectoplasma, em um ponto determi-
nado da superfície celular, transforma-se 
em endoplasma, e a pressão interna pro-
voca um fluxo citoplasmático nesta região, 
dando origem ao pseudópode. Depois que 
ele foi distendido, o endoplasma de sua ex-
tremidade é reconvertido em ectoplasma, 
prendendo a célula ao substrato. Do lado 
oposto, ao mesmo tempo, o ectoplasma é 
convertido em endoplasma para que o mo-
vimento possa ser completado. A ameba, 
desta maneira, consegue deslocar-se num 
pequeno espaço, como se tivesse dado um 
passo, daí o significado do termo pseudó-
pode – “falso pé”.
O núcleo é o centro controlador do meta-
bolismo celular e responsável pela determina-
ção de suas características hereditárias.
As trocas de gases respiratórios aconte-
cem por simples difusão, pela membrana 
plasmática. Também é dessa forma que os 
protozoários eliminam resíduos do seu me-
tabolismo.
A digestão é intracelular. O alimento engloba-
do por fagocitose permanece em uma bolsa 
membranosa, o fagossomo; este, ao receber 
enzimas dos lisossomos, passa a ser chamado 
de vacúolo digestório, dentro do qual ocorre 
a digestão. Os resíduos não digeridos, conti-
dos no vacúolo residual, são eliminados para o 
meio extracelular, processo denominado clas-
mocitose ou defecação celular.
As amebas de água doce são hipertônicas 
em relação ao meio e, por isso, recebem 
água por osmose. O controle osmótico, que 
determina a quantidade de água presente 
na célula, evitando a lise celular, é feito 
pelo vacúolo pulsátil ou contrátil, que age 
como uma bomba de remoção do excesso 
de água do citoplasma. Os vacúolos pulsá-
teis são organelas esféricas e contraem-se 
periodicamente. Os protozoários marinhos 
são isotônicos em relação ao meio onde vi-
vem. Em função disso, não possuem vacúo-
lo contrátil.
A reprodução assexuada é a mais comum. 
Destaca-se a divisão binária ou cissiparidade, 
quando uma ameba se divide ao meio e origi-
na duas células-filhas com a mesma informa-
ção genética da célula-mãe. Esse processo é 
importante para aumentar o número de indiví-
duos da população.
A reprodução sexuada é mais rara e pode en-
volver a diferenciação do próprio organismo 
em gameta. Esta é a forma de reprodução se-
xuada encontrada nas amebas.
Algumas amebas, em condições desfavoráveis, 
podem formar cistos, cuja função é proteger 
a célula das adversidades ambientais e no in-
terior dos quais podem se reproduzir. A for-
mação do cisto, denominada encistamento, é 
mais comum nas espécies parasitas e consiste 
da secreção de um envoltório espesso ao re-
dor da célula, que sobrevive gastando um mí-
nimo de energia.
3. Classificação
Os protozoários são divididos de acordo com 
a sua forma de locomoção em quatro grupos 
principais: rizópodes, flagelados, ciliados e es-
porozoários.
A. Rizópodes
Os rizópodes ou sarcodinos, representados 
pelas amebas, são os protozoários que se 
locomovem pela emissão de pseudópode. 
Algumas espécies de amebas de vida livre, 
as tecamebas, mais frequentes em água 
doce, possuem uma carapaça, que pode ser 
secretada pela própria célula ou composta 
por materiais aglutinados, como grãos de 
areia.
Além dos rizópodes, outros protozoários 
possuem pseudópode, como os foraminí-
feros e os radiolários, preferencialmente 
marinhos e dotados de carapaça, e os he-
liozoários, comuns em água doce e cuja cé-
lula lembra um pequeno sol. Em conjunto, 
esses protozoários são denominados ame-
boides.
Devido à existência de carapaças rígidas em 
vários de seus representantes, os ameboi-
des apresentam abundante registro fóssil.
B. Flagelados
Os flagelados ou mastigóforos são aqueles que 
se locomovem graças ao batimento dos seus 
flagelos. Os flagelos podem ser únicos, como 
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no Trypanosoma cruzi, ou múltiplos, como na 
Giardia lamblia.
Grânulo basal
Núcleo
Flagelo
Membrana
ondulante
Esquema representativo de Trypanosoma cruzi
O flagelo está normalmente voltado para a ex-
tremidade anterior da célula e consiste de um 
filamento longo, formado por microtúbulos pro-
teicos, envolvido por uma bainha que é contínua 
com a membrana celular. Origina-se sempre de 
um corpúsculo basal, de estrutura semelhante 
à de um centríolo. Em Trypanosoma cruzi, além 
do flagelo, existe uma membrana ondulante que 
auxilia a locomoção.
A reprodução dos flagelados geralmente ocor-
re através de cissiparidade, com divisão longi-
tudinal da célula.
C. Ciliados
Os ciliados são protozoários que se loco-
movem por meio de cílios. A sua superfície 
celular é recoberta por centenas ou milhares 
de cílios, projeções citoplasmáticas curtas e 
muito mais numerosas que os flagelos. A 
maioria é de vida livre, sendo raros os cilia-
dos parasitas.
No paramécio, o ciliado mais conhecido, o 
alimento é trazido para a célula graças aos 
batimentos de um conjunto de cílios posi-
cionados em uma depressão da superfície 
celular denominada sulco oral. Este leva a 
uma abertura celular, o citóstoma, por onde 
o alimento penetra na célula. O citóstoma 
desemboca em um canal de passagem, a 
citofaringe, que se aprofunda na célula até 
o endoplasma. Dela se destacam vesícu-
las contendo o alimento e que, recebendo 
enzimas digestivas secretadas pela célula, 
formam os vacúolos digestórios. Estes são 
movimentados pelo citoplasma, permitindo 
uma assimilação uniforme das partículas di-
geridas. Os resíduos são eliminados por uma 
pequena abertura da superfície celular de-
nominada citopígio.
Citóstoma
Citofaringe
Citopígio
Resíduos
eliminados
Vacúolo
digestório
Vacúolo
contrátil
Vacúolo
contrátilMacronúcleo
Micronúcleo
Sulco
oral
Cílios
Citoplasma
Esquema representativo de paramécio
Os protozoários ciliados possuem dois núcle-
os: o macronúcleo, com papel de controlar o 
metabolismo, e o micronúcleo, que está asso-
ciado com a troca de informações genéticas 
entre dois protozoários . Por isso, costuma-se 
dizer que o macronúcleo tem função vegetati-
va, e o micronúcleo, função reprodutiva.
Na conjugação, um processo de recombinação 
genética realizada pelo paramécio, dois indi-
víduos trocam micronúcleos previamente du-
plicados. Em cada organismo, o micronúcleo 
original se une com o micronúcleo recebido e 
ocorre a mistura dos genes. No final da con-
jugação, os paramécios, com novas combina-
ções genéticas, separam-se e passam a se mul-
tiplicar por cissiparidade.
Micronúcleos
Macronúcleos
Troca de
micronúcleos
Representação simplificada da 
conjugação em paramécio
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D. Esporozoários
Os esporozoários são desprovidos de es-
trutura locomotora. Todos os representan-
tes desse grupo são parasitas, alguns do 
homem, como o Toxoplasma gondii (cau-
sador	 da	 toxoplasmose)	 e	 os	 representan-
tes do gênero Plasmodium (causadores da 
malária).	 Esses	 protozoários	 alimentam-se	
através da superfície celular, absorvendo 
substâncias diretamente dos tecidos do 
hospedeiro.
Suas células têm forma arredondada ou 
alongada, com um núcleo e sem muitas or-
ganelas.
A reprodução assexuada é feita por divisão 
múltipla ou esquizogonia, processo em que 
a célula se torna multinucleada por mitoses 
sucessivas, e então o citoplasma se divide. 
Entretanto, pode ocorrer reprodução se-
xuada, com a diferenciação das células em 
gametas e posterior fecundação.
4. Protozoários parasitas
Várias doenças, denominadas protozooses 
ou protozoonoses, são causadas por pro-
tozoários parasitas. As mais comuns na po-