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(Curta / Salve / Siga) Zoologia - Teoria e exercícios

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pulação brasileira são: doença de Chagas, 
malária, amebíase, giardíase, leishmaniose 
ou úlcera de Bauru, tricomoníase e toxo-
plasmose.
Os termos utilizados com frequência no es-
tudo dos parasitas e das doenças por eles 
causadas estão descritos a seguir.
•	 Agente etiológico: parasita causador 
da doença.
•	 Vetor: organismo capaz de transmi-
tir um parasita, de maneira ativa ou 
passiva.
•	 Hospedeiro definitivo: organismo 
que apresenta o parasita em fase 
adulta ou de reprodução sexuada.
•	 Hospedeiro intermediário: organis-
mo que apresenta o parasita em fase 
larvária ou de reprodução assexua-
da.
•	 Reservatório natural: ser vivo ou 
substrato	 (como	o	 solo)	em	que	um	
parasita pode viver e se reproduzir, e 
a partir de onde pode ser veiculado 
para um hospedeiro; não sofre com 
o parasitismo.
•	 Sintomas: reações do organismo 
hospedeiro à presença do parasita.
•	 Profilaxia: conjuntos de medidas 
para evitar a doença ou a sua propa-
gação.
•	 Ciclo de vida monoxênico ou mono-
genético: quando apenas um hospe-
deiro está envolvido.
•	 Ciclo de vida heteroxênico ou dige-
nético: quando dois ou mais hospe-
deiros estão envolvidos.
A. Doença de Chagas
A doença de Chagas recebeu esse nome por-
que foi o pesquisador brasileiro Carlos Cha-
gas que estudou e descobriu todo o ciclo do 
parasita.
Essa doença é um sério problema de saúde pú-
blica na América Central e na América do Sul.
O agente etiológico é o protozoário flagelado 
Trypanosoma cruzi. Seu nome, dado por Car-
los Chagas, é uma homenagem prestada ao 
médico Oswaldo Cruz.
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Trypanosoma cruzi entre as hemácias humanas
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Vários animais silvestres (tatus, gambás, 
cutias)	 e	 domésticos	 (cão,	 gato)	 servem	 de	
reservatório natural do Trypanosoma cruzi, o 
que acaba dificultando a sua erradicação.
No organismo humano, o tripanossomo pode 
ser encontrado no sangue circulante, em sua 
forma tradicional alongada e dotada de flage-
lo livre, e nos tecidos muscular, sobretudo o 
cardíaco, e nervoso, em que se apresenta com 
forma esférica e sem flagelo livre. No inseto, 
formas do protozoário são encontradas sobre-
tudo no intestino.
O vetor da doença de Chagas é um inseto do 
gênero Triatoma. No Brasil, a espécie mais co-
nhecida é Triatoma infestans, popularmente 
chamado de barbeiro.
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Barbeiro – vetor da doença de Chagas
O barbeiro é um inseto hematófago, ou 
seja, alimenta-se de sangue. No passado, 
era habitante apenas de matas no interior 
ainda não colonizado e sugava o sangue de 
animais silvestres. Com o desbravamento 
do interior do país, matas foram destruí-
das e o homem começou a construir precá-
rias habitações de sapé e pau a pique, em 
cujas paredes, cheias de frestas, os insetos 
passaram a fazer seus ninhos. Sua fonte de 
alimento também se alterou e ele passou 
a utilizar o sangue de animais domésticos 
e do próprio homem, iniciando sua conta-
minação.
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e
Casa de pau a pique
De hábitos noturnos, os barbeiros hoje se 
distribuem principalmente pelos estados do 
Nordeste e do Centro-Oeste do país, além do 
interior de Minas Gerais.
Ao picar uma pessoa já infectada ou um reser-
vatório natural do tripanossomo, o barbeiro 
ingere os parasitas juntamente com o sangue. 
No intestino do inseto, o protozoário multipli-
ca-se por divisão binária e aumenta bastante 
em número. Quando chega ao final do intes-
tino do barbeiro, atinge o estágio infectante, 
chamado tripomastigota, uma forma flagela-
da. Normalmente, um barbeiro torna-se trans-
missor do protozoário cerca de 20 dias após 
adquiri-lo via alimentação, podendo permane-
cer assim por toda a vida, que dura aproxima-
damente um ano.
Ao sugar o sangue de uma pessoa sadia, o in-
seto defeca e elimina os parasitas junto com as 
fezes. Quando a pessoa coça o local da picada, 
provoca pequenas lesões pelas quais as for-
mas flageladas do parasita penetram e alcan-
çam a corrente sanguínea. Chegando aos ór-
gãos mais frequentemente afetados – coração, 
intestino, esôfago e baço –, os parasitas per-
dem o flagelo e formam verdadeiros ninhos de 
formas aflageladas, chamadas amastigotas.
Dez a quinze dias após a contaminação, a do-
ença atinge sua fase mais aguda e o número 
de parasitas no sangue torna-se tão alto que 
pode levar o indivíduo à morte. Se a quantida-
de de protozoários diminuir por ação do siste-
ma imunitário, o doente entra na fase crônica 
e nela pode permanecer por muitos anos.
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O ciclo de vida do tripanossomo é heteroxênico, sendo o homem o hospedeiro vertebrado e o 
barbeiro o hospedeiro invertebrado.
1. O inseto pica e defeca ao mesmo tempo. Os
tripomastigotas alcançam a corrente sanguínea.
6. Transformam-se em
do inseto.
5
são absorvidos por novo inseto
em nova picada.
2. Os tripomastigotas invadem
os tecidos onde se transformam
em amastigotas.
3. Os amastigotas
multiplicam-se
assexuadamente.
4. Os amastigotas transformam-se em
tripomastigotas e retornam ao sangue.
7. Multiplicam-se.
8. Transformam-se
em tripomastigotas
Ciclo de vida do Trypanosoma cruzi
Além das fezes do barbeiro, outras formas 
de transmissão foram reconhecidas: trans-
fusão de sangue, gestação e via oral. Meca-
nismos menos comuns envolvem acidentes 
de laboratório, manejo de animais infecta-
dos, transplante de órgãos e aleitamento 
materno.
Nas últimas décadas, com o aumento do 
número de transplantes, essa via de trans-
missão tem adquirido relevância. A trans-
missão congênita, ou seja, da mãe para o 
feto, através da placenta, pode ocorrer em 
qualquer fase da doença materna e em 
qualquer época da gestação, sendo mais 
provável no último trimestre.
A transmissão oral é eventual e ocorre pela 
ingestão de alimentos contendo barbeiros 
ou suas fezes. A via oral ganhou maior des-
taque em 2005, devido ao surto em Santa 
Catarina. Nesse episódio, foram identifica-
dos 45 casos suspeitos de doença de Cha-
gas aguda relacionados à ingestão de caldo 
de cana, 31 com confirmação laboratorial, 
sendo que cinco pacientes evoluíram para 
óbito.
Os primeiros sintomas surgem nas regiões 
do corpo onde ocorreu a entrada do para-
sita. O chagoma é uma inflamação na pele, 
enquanto o sinal de Romanã resulta de in-
fecção do globo ocular, com grande inchaço 
das pálpebras. Na fase aguda que se segue 
à contaminação, reações inflamatórias são 
sintomas comuns devidos à multiplicação 
intracelular do parasita, o que provoca mo-
bilização do sistema imunitário.
Pode-se seguir um período de latência com 
duração variável de 10 a 20 anos, sem gran-
des manifestações, e o chagásico entra na 
fase crônica, quando começam a surgir os 
problemas cardíacos e intestinais. Insuficiên-
cia cardíaca, cardiomegalia (dilatação do co-
ração), problemas na geração e condução dos 
estímulos cardíacos, megaesofagia (dilatação 
da parede do esôfago) e megacolia (dilatação 
da parede intestinal) são os sintomas mais 
frequentes.
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A profilaxia da doença de Chagas envolve 
a melhoria das habitações, rebocando e fe-
chando rachaduras e frestas, e a constru-
ção de casas de alvenaria. O combate ao 
barbeiro, com inseticidas e controle bio-
lógico, e a utilização de telas em portas e 
janelas e mosquiteiros sobre as camas são 
medidas importantes. O controle das doa-
ções de sangue em hospitais e bancos de 
sangue é decisivo para prevenir a contami-
nação por uma via que ganhou importância 
nos últimos anos. A doença de Chagas não 
tem cura, reforçando a necessidade de me-
didas profiláticas adequadas.
B. Malária
A malária, também conhecida como maleita, 
impaludismo, febre palustre ou febre inter-
mitente, foi uma das doenças que mais in-
fluenciaram o curso da história, pela quanti-
dade de vítimas que já provocou. No mundo 
todo, são mais de 400 milhões de pessoas 
afetadas.
Conhecida desde a Grécia