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Manual A RESENHA COMO UM GÊNERO ACADÊMICO 2017

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2016 
Manual de Resenhas 
Ms. Magna Campos 
 
Manual de Resenhas 
1 
A RESENHA COMO UM GÊNERO ACADÊMICO1 
Ms. Magna Campos 
 
1. Sobre o gênero textual resenha: 
 
Dentre os gêneros comuns de serem elaborados em um curso superior 
(resumo, resenha, artigos e ensaios), a resenha figura como um dos mais 
recorrentes em alguns cursos, especialmente, de graduação e de especialização. 
Pertencente à categoria de gêneros apreciativo-avaliativos, os quais 
avaliam as contribuições, os argumentos, o estilo e o posicionamento de dado texto 
ou obra, esse gênero pode contribuir para desenvolver não apenas a escrita, mas 
também a leitura crítica do estudante, uma vez que aprender a realizar uma resenha 
é aprender a realizar a análise crítica de um texto, fundamentando-a em parâmetros 
que extrapolem o senso comum ou a superficialidade do texto e adentrem as 
discussões acadêmico-científicas de dada questão. Pois, de acordo com Motta-Roth 
e Hendges (2010, p. 27)2, a resenha é “um gênero discursivo usado na academia 
para avaliar – elogiar ou criticar – o resultado da produção intelectual em uma área 
do conhecimento” nela o resenhador basicamente “descreve e avalia uma dada obra 
a partir de um ponto de vista informado pelo conhecimento produzido anteriormente 
sobre aquele tema. Seus comentários devem se conectar com área do saber em 
que a obra foi produzida”. 
O gênero textual resenha, de acordo com Alcoverde e Alcoverde (2007)3, 
assim como muitos outros gêneros, possui suas especificidades e configurações. 
Assim, o mero ensino da organização global de um gênero não é suficiente para 
fazer com que o aprendiz chegue a uma produção adequada. Precisa-se, também, 
levar em consideração qual o papel social e o propósito desse gênero. Afinal, como 
ensina Bakhtin (2003)4, o domínio de um repertório de gêneros relevantes ao nosso 
 
1
 Texto adaptado dos livros: CAMPOS, Magna. Letramento acadêmico e argumentação: incursões 
teóricas e práticas. Mariana: EA, 2015. 142p. ISBN: 978-85-918919-4-8 e CAMPOS, Magna. Manual 
de gêneros acadêmicos: resenha, fichamento, memorial, resumo científico, relatório, projeto de 
pesquisa, artigo científico/paper, normas da ABNT. Mariana: EA, 2012-2015. ISBN: 978-85-918919-1-
7. 
2
 MOTTA-ROTH, Désirée; HENDGES, Graciela. Produção textual na universidade. São Paulo: 
Parábola, 2010. 
3
 ALCOVERDE, Maria Divanira; ALCOVERDE, Rossana Delmar. Produzindo gêneros textuais: a 
resenha. Natal: UEPB/UFRN, 2007. 
4
 BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: ______. Estética da criação verbal. 4.ed. São 
Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 277-326. 
 
Magna Campos 
contexto social nos possibilita a participação nessa vida grupal de maneira mais 
igualitária, espontânea e verdadeira. 
Motta-Roth e Hendges (2010) contribuem, quando ensinam que a análise do 
gênero textual resenha evidencia que resenhar um texto implica quatro ações: 
apresentar, descrever, avaliar, (não) recomendar o livro. Essas ações tendem, em 
geral, a aparecerem nesta ordem ou, dependendo do estilo do resenhador, a 
descrição e a avaliação aparecem juntas: à medida que se descreve, avalia-se. 
Nesta perspectiva, Campos (2012-2015) explica que a resenha consiste, 
portanto, na apresentação sucinta do texto resenhado e de seu autor, no resumo, na 
apreciação crítica do conteúdo e do estilo e na indicação de leitura, sendo 
antecedida pela referência do texto resenhado. A resenha deve levar ao leitor 
informações objetivas sobre o assunto de que trata a obra, destacando, assim, a 
contribuição do autor no que tange à abordagem inovadora do tema ou problema, 
aos novos conhecimentos, às novas teorias, às relações com os saberes de uma 
determinada área do conhecimento, dentre outras possibilidades de avaliação 
crítica, além de ser capaz indicar o “leitor virtual” mais adequado para a leitura da 
obra, por isso o recomendar ou não sua leitura. 
 
2. Relevância do trabalho com resenhas nos cursos de Direito 
 
O Ministério da Educação (MEC), por meio do Conselho Nacional de 
Educação (CNE), institui as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) apontando as 
competências (conhecimentos desenvolvidos) e as habilidades (saber fazer) 
necessárias de serem desenvolvidas pelo curso de graduação em Direito. Tais 
competências e habilidades são as seguintes5: 
Art. 4º. O curso de graduação em Direito deverá possibilitar a formação 
profissional que revele, pelo menos, as seguintes habilidades e 
competências: 
I - leitura, compreensão e elaboração de textos, atos e documentos jurídicos 
ou normativos, com a devida utilização das normas técnico-jurídicas; 
II - interpretação e aplicação do Direito; 
III - pesquisa e utilização da legislação, da jurisprudência, da doutrina e de 
outras fontes do Direito; 
IV - adequada atuação técnico-jurídica, em diferentes instâncias, 
administrativas ou judiciais, com a devida utilização de processos, atos e 
procedimentos; 
V - correta utilização da terminologia jurídica ou da Ciência do Direito; 
 
5
 Baseado em: BRASIL. CNE. Resolução CNE/CES 9/2004: Institui Diretrizes Curriculares Nacionais 
do Curso de Graduação em Direito. Diário Oficial da União, Brasília, 1 de outubro de 2004. 
 
Manual de Resenhas 
3 
VI - utilização de raciocínio jurídico, de argumentação, de persuasão e de 
reflexão crítica; 
VII - julgamento e tomada de decisões; e, 
VIII - domínio de tecnologias e métodos para permanente compreensão e 
aplicação do Direito
6
. 
 
A leitura das competências e habilidades básicas propostas pelos órgãos 
reguladores do Ensino Superior de nosso país evidencia a necessidade de 
desenvolvimento de trabalho consistente e constante, no interior dos cursos de 
Direito, voltado para o desenvolvimento de competências e de habilidades 
relacionadas à escrita e à leitura proficientes tanto de textos científicos, quanto 
técnicos e do dia a dia. 
Além disso, o desenvolvimento da leitura e da escrita proficientes no meio 
acadêmico propicia melhoria qualitativa dos trabalhos do curso, dos projetos de 
pesquisa e das monografias elaborados pelos estudantes, bem como, abre caminho 
para a publicação de textos em revistas científicas, anais de congressos e 
coletâneas de textos acadêmicos, com a orientação de professores, hoje tão 
cobrada pelos órgãos avaliadores de qualidade das instituições de Ensino Superior 
do país. 
Por isso, o trabalho com o gênero textual resenha crítica ganha relevância e 
se justifica como uma tentativa de implementação de produção de textos 
acadêmicos com maior qualidade e desenvoltura textuais, além de propiciar a leitura 
e reflexão crítica de textos do universo das disciplinas estudadas ou relacionados 
aos conhecimentos gerais. 
Não bastassem tais razões, a produção efetiva de resenhas críticas ainda 
ajuda a preparar os graduandos da instituição para as avaliações externas como o 
ENADE, cuja nota compõe 70% do Conceito Preliminar de Curso (CPC), uma das 
notas mais importantes na formação da nota definitiva do curso e da classificação da 
instituição no ranking nacional de instituições de Ensino Superior. As competências 
mencionadas anteriormente configuram a base norteadora para a elaboração das 40 
questões da prova do ENADE, aplicada a todos os cursos, em ciclo de 03 em 03 
anos. 
 
3. Tipos de resenhas7: 
 
6
 
 
Magna Campos 
 
O gênero textual resenha, conforme Campos (2012-2015), apresenta três 
espécies distintas: a resenha indicativa ou descritiva, a resenha temática e a 
resenha crítica. 
A) A resenha indicativa é aquela encontrada em jornais e encartes de Dvds, 
por exemplo, cuja função é fazer uma breve apresentação da obra (livro ou filme), 
seguida de uma classificação do material, além de fazer uma indicação de público- 
alvo (leitor virtual). 
Apresenta comumente: 
1. Resumo bem sintético; 
2. Dados