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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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Anhanguera Licenciatura Pedagogia – 5º Semestre 
Matéria: Avaliação e Currículo 
Resumo dos Temas 1 ao 6 (dicas de estudo para prova) 
 
 
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Tema 1 
Currículo: Conceitos, Teorias e Historicidade 
As discussões sobre educação garantem prioridade quando se enxerga o mundo 
contemporâneo a partir de suas especificidades e das complexas relações que se 
formam a respeito do que queremos chamar de sociedade no futuro. Na educação, por 
sua natureza socializadora, o Currículo toma espaço de elemento imprescindível na 
seleção e organização das atividades que regem a prática pedagógica: formação, 
seleção de conteúdos, especificidade das profissões e docência. 
Desse modo, a importância do Currículo na escola reside em sua capacidade de 
oferecer espaços para que as mudanças observáveis no nosso mundo, nas mais 
diversas áreas do conhecimento, possam ser percebidas com maior clareza e menos 
dificuldade por todos. 
O Porquê da Urgência nas Discussões Sobre o Currículo 
Na modernidade, em que a educação é dever do Estado e direito do cidadão, as 
políticas que distribuem direitos sociais e econômicos também respondem pelo 
mercado de trabalho das massas. Nesse processo de distribuição, a educação é 
concebida a partir de seu valor social, parte de um processo de efetivação da 
construção cidadã do homem. 
Nesse contexto, discutir como o currículo na sociedade atual, que não se fixa em um 
só espaço e nem se prende a conceitos por muito tempo, reflete, ao mesmo tempo, a 
busca pela igualdade de direitos e deveres e a democratização da função distributiva 
da qual faz parte o Estado Moderno. 
Na maioria das instituições escolares que atendem à massa popular, o que se observa 
é a presença de currículos prontos, engessados e excludentes, destinados a uma 
sociedade em que se observam “os grupos e indivíduos que vêm sistematicamente 
perdendo seus direitos de cidadania, que se encontram carentes dos meios de vida e 
fontes de bem-estar social, com baixíssimos rendimentos, falta de moradia, de acesso 
à educação e saúde, e que não encontram meios de se inserirem no mercado de 
trabalho”. (MAMMARELLA, 2000, p. 52) 
A visão de uma educação socializadora, que problematize os conceitos de liberdade e 
igualdade e em que se viabilizem comportamentos de aprendizagem significativa, 
mediados pela presença de comportamentos crítico-reflexivos e pela participação 
constante e menos passiva de uma sociedade atuante e politizada, essas são as 
perspectivas pelas quais se pretende ampliar as discussões em torno do assunto 
Currículo. 
 
 
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2 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
PENSE NISSO! 
 “No caso da formação dos educadores, trabalhar os âmbitos da concepção de 
currículo faz parte de uma das atividades importantes para se inserir de forma 
competente nas significativas e tensas discussões sobre as políticas, práticas e opções 
curriculares-formativas discutidas e na sociedade contemporânea.” (SANTOS, E. 
Currículos: teorias e práticas. Rio de Janeiro: LTC, 2012) 
A partir das considerações no fragmento do quadro acima, necessário à sua formação 
como profissional da educação, visualize-se componente de um grupo que está 
discutindo o Currículo de dado segmento educacional e responda: 
• o que você consideraria importante ao aprendizado de qualidade dos educandos? 
• que considerações levaram você a escolher tal(tais) aprendizado(s)? 
• que importância as suas escolhas têm para a vida dos outros (entenda-se 
educandos)? 
Percebeu como discutir o currículo é bem mais complicado do que parece? É 
necessário que você saiba se colocar frente a frente com as suas crenças e tenha a 
capacidade de perceber, honesta e sinceramente, que elas podem não fazer parte das 
ideologias dos indivíduos ao seu redor e, principalmente, das crenças daqueles a 
quem você pretende ajudar. 
Perceber que tanto docentes como discentes são educadores e educandos é acreditar 
no grande mestre da educação brasileira, Paulo Freire (1987, p. 68), quando reflete 
que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam 
entre si, mediatizados pelo mundo”, ou seja, precisamos do outro para que nos 
completemos, para que percebamos que o valor dos nossos ideais somente existe a 
partir das nossas negociações em grupo, das nossas conquistas coletivas e das nossas 
perspectivas em comunidade. 
“[...] encheis a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça. 
Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço. 
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho, Assim 
como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia. [...] 
 Gibran Khalil Gibran, O Profeta 
Currículo – História e Interpretações 
Aprendemos de muitas maneiras diferentes. Apesar de entender que o aprendizado 
se dá a partir do acúmulo de conhecimentos que nos são repassados ao longo dos 
tempos e das mais variadas maneiras, entendemos também que essa absorção de 
significados e conteúdos não se dá da mesma forma para todos os indivíduos (mesmo 
aqueles colocados nas mesmas condições de aprendizagem), e nem se dá de modo 
passivo, crítico ou consciencioso, ou seja, todo conhecimento é adquirido de forma 
 
 
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3 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
mais ou menos aleatória, em que o indivíduo assimila as mudanças na apreensão do 
novo e vai ‘construindo’ suas novas percepções e crenças, reinterpretando conceitos 
a partir da apropriação fisiológica num processo de assimilação que irá, aos poucos, 
construindo significados novos a partir da acomodação de conceitos e 
conhecimentos anteriores. 
A construção do que chamamos hoje de Currículo é bem antiga, remontando aos 
gregos, e estava presente nos livros A República e As Leis, de Platão, em que se previa 
uma formação bastante organizada de áreas distintas do conhecimento: 
“Assim procedeu Platão na República e nas Leis, ao idealizar o extenso e demorado 
plano de estudos em que deveria se basear a formação dos guardiões. Fornecendo 
uma base comum a todos os cidadãos de ambos os sexos até os 20 anos, sucedendo-
se: a educação infantil, dos três aos cinco anos, composta de jogos, cantos e fábulas; 
seguida, entre os sete e 10 anos, pela aprendizagem das letras — a leitura e a escrita 
— e pela introdução da aritmética e da geografa, cujo estudo se prolonga até os 16 
anos, acrescido da poesia e da música. Por fim, a dança e a ginástica, que, como 
educação do corpo, estão presentes desde o início, são complementadas por 
exercícios militares e pelas artes marciais. A esse ciclo — com o qual se completa a 
formação geral ou básica da maioria — sucede, para os que se revelaram mais aptos, 
uma propedêutica matemática centrada na aritmética, na geometria do plano e do 
espaço, na astronomia e na harmonia. ” 
(PINHACOS DE BIANCHI, 2001, p. 146-147, apud GALLO, 2004, p. 39) 
Vê-se, facilmente que, desde a Antiguidade, quando se começou a pensar a educação 
como formação do indivíduo como cidadão, também as habilidades primordiais e 
necessárias (segundo gregos e romanos) foram sofrendo alterações. Assim como 
Platão na Antiguidade, na Era Medieval, Marciano Capella (410-439), em sua obra O 
casamento da Filologia e Mercúrio, também organizou em áreas aquilo que 
denominou ‘saberes necessários à boa formação do homem’, que faziam parte de duas 
grandes esferas: 
• trivium – composta de três grandes áreas que consistia na aprendizagem em 
gramática, retórica e lógica/dialética, uma forma de encorajar o desenvolvimento 
do espírito e a expressão da linguagem. 
• quadrivium – composta de quatro grandes áreas que